sobre máquinas de tortura, nosso amor, fobia de você e necessidade de silêncio absoluto, quem sabe mudar pra Marte mês que vem.
voltamos àquela velha mania de fugir do inevitável. patinação no gelo ártico. fomos nós dois ao parque de diversões e deixamos os brinquedos de lado e resolvemos nos amaranhar nas teias insolúveis do inevitável. idiossincrasia de bicho. idiotice infantil.
aquele homem que nunca dorme, aquela moça fútil que carrega mil estrelas nos ombros e se parece com um ornitorrinco de sacrifício em noite enluarada de festa pagã. aaahhhhh as noites... as noites estão cada vez mais longas, a vida cada vez mais curta e quando eu olho pra você e me apaixono pela zilionézima quinta vez pelo seu sorriso surdo e sua voz martelo presente nos meus ouvidos zunidos de piche eu sempre viro um sorvetinho. sorvetinho. isso mesmo. daqueles baratinhos. daqueles vagabundos.
eu quero um ritmo acelerado. eu quero correr a 300km por hora, vou seguir a velocidade da luz, quero alucinação, êxtase, sei lá uma droga potente. a necessidade da suspensaão imediata e a consciência alterada. eu vou comentar ao padre. juro. eu sei que eu vou ter problemas, que eu vou levar umas porradas por minha insolência. eu sei que ele não tem saco pra isso. eu sei que ele precisa dormir. eu sei que a rima está equivocada. e o texto frágil. e a boca suja.
ok. você venceu, batata frita.
eu vou procurar outra forma de comunicar essa merda embolorada. esta merda que não é consonante, que fede, que salta aos olhos. Esta merda que nos mantém vivos. adubo dos sentidos.
dá um puta trabalho sair por aí procurando o amor das pessoas [SABIA?]. e convencê-las que você é uma pessoa boa e que quer sim o bem, quer um pouco de luz nessa vida [tipo Roupa Nova], quer estar entre eleitos, [OS santos] e não procura o reflexo torto, a face do demo.. não... você não você não quer ver a sombra, nem o desgaste. Você precisa de um salvo conduto. preciso procurar uma igreja. mas tem muito erro competindo. tem uma ambição desenfreada e tem um gosto de sangue na boca, sabe o desejo de vingança? tem tudo isso no combo. sem falar do palavreado falso pretensioso e cadavélico chato do caralho. eu queria explodir metade do mundo e na outra metade eu conservava você, eu colocava pra morar no meio mundo que sobrou, você com seus bichos de estimação, com suas palavras duras, suas pedras amoladas, sua cabeça fechada e sua sensibilidade de orquídea. eu colocava pra morar com você tembém um milhão de pássaros que voassem sempre num mesmo horário, que eles tragam mil primaveras e mil sóis pra acordar o seu sorriso e sua fome de mundo. A função primária desses pássaros é acordar aquele frisson que você tem escondido entre zípers. eu vou sumir por umas horas e vou fazer de você um cão abandonado sem rumo, por que você também precisa aprender a viver sem mim e vai aprender a parar de chorar a minha falta e encher meu saco com as suas implicâncias idiotas. na hora oportuna eu volto pra receber o soco nos dentes e acabar de vez com essa adolescência tardia. vai ser irresponsável assim no inferno. você deve pensar. eu vou levar cinquenta anos pra amadurecer. eu vou levar uma vida pra parar de comparar os graus de latitude entre os meridianos e a masturbação no estreito de Behring com os queijos produzidos na região da Alsácia francesa. nós estaremos velhos e cansados de nós mesmos e cansados das mesmas merdas e cansados por não dormir e cansados do peso do mundo e cansados de todas as exigências do padrão de mediocridade de vida que devagar nos vai sendo imposto. Etc, etc, etc.
eu vou parar por aqui. antes que eu me perca. denovo.
domingo, 14 de abril de 2013
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
stricto sensu
a redescoberta da pólvora. inevitavelmente descobriu-se que é possível amar. novamente. é possível envolver-se. naturalmente. é possível perder-se. cotidianamente.
a balança simboliza uma equação. dividendos e divisores em relação quase promíscua. e sabendo da farsa, estando a par dos fatos e tomando as devidas precauções a gente tenta. tenta escapar da perseguição habitual. encontrei o buraco mágico! o esconderijo essencial. minha caixinha de Pandora com purpurinas flamejantes está em local seguro. a paz que eu sinto a cada toque e a cada beijo de mariposa bêbada. me entorpece. essa sensação esquisita e voraz. terna e lúgubre. "nunca fui tão feliz nessa e nem em outra vida." são libelos recorrentes. minha fome ele alimenta. minha ansiedade ele acalma. minha insônia ele acalenta. e eu fui navegando pelos mares e me afogando nas correntezas do amor mágico. onda forte e mar revolto. suas medalhas e um chão de pedra impenetrável. luzes maravilhosas e fantasmas com crises alegóricas. "Nunca fui tão feliz...". Continuo não me arrependendo de nada. por nada. e não trocaria a caminhada a beira mar com lua a pino por dois nacos de mentira empacotada. Já ouviu os sinos da Catedral daqui de perto de casa? Sempre me levam pra algum filme. paralela Highway. Esquisita sensação que nem é térmica e nem é líquida. gasosa. o amor é um estado de graça gasoso. rosa. flamejante. raio cortante. esplosão de fogos. "Eu nunca fui tão feliz... nessa e nem em outra vida...".
***
sábado, 17 de novembro de 2012
músicos de taberna e suas histórias
Fábula monstro. a heroína em maus lençóis, o cavalo alado, a bruxa, o leite, o pássaro e três moedas de ouro.
A história se passa em uma grande cidade, uma jovem donzela com ares fleumáticos evita um assassinato. Esta jovem sem saber, torna-se a primeira na fila de anti-hérois modernos, herdeira de uma escatológica lista de crimes que aguardam solução na cidade maravilhosa. Como fiel escudeira esta jovem carrega consigo uma bombinha de asma. são remédios combinados para crises inoportunas. São crimes que evidenciam uma série de coicidências, como naqueles seriados americanos mesmo. Crimes que vão exigir desta jovem donzela sangue nas veias e rubores na face. Seu algoz, um faceiro vendedor de pilhas, camufla-se entre a paisagem odierna da feira da rua 13. Esta feira seria um portal de entrada e ponto de fuga de diversos criminosos que por aquela cidade embebedam-se e deixam-se enfeitiçar. Nos cômodos mais obtusos, nas alamedas mais íngrimes, nos hotéis mais fajutos são encontrados vestígios de um mesmo artifício. todas as vítimas são cruelmente degoladas, tem o dedo mínimo arrancado e como marca, o assassino rasura uma série de letras 'X' na altura do coração. Vários indícios levaram a crer que a rainha dos baixinhos estaria envolvida em tais atos, mas em nota esclarecedora a mesma defendeu-se em um canal aberto de televisão.
Dorothy, nossa anti-heroína, nossa mártir, nossa menina dos olhos, fica estupefata ao acompanhar o depoimento de sua estrela maior no canal de TV que todos assistem. Não acredita na maldade deste pobre povo ingênuo e febril em acusar a rainha dos baixinhos de tamanha atrocidade e falta de discernimento ético com a humanidade de uma forma mais generalizada.
[...]to be continue
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
acesso negado, flor de piche e traquejos de língua
desde pequena eu aprendi que meu lugar no mundo era restrito. limitado,condicionado, previamente determinado. eu experimentei o ódio e a rejeição bem cedo. engoli muitos desaforos, os levei pra casa, criei no armário, outros eu travestia em doçura, disfarçava em candura. e sempre fui uma pessoa prestativa. eu precisavava servir pra alguma coisa. pessoas que servem pra alguma coisa são ... pessoas úteis. pessoas assim tem o carinho de outras pessoas úteis, tem problemas reais, tem sangue mais digno correndo nas veias. pelo menos assim é o que me parecia. eu não tinha idéia do lixo e da merda que eu me meteria, eu não tinha idéia da porcalha que minha vida andou beirando. eu, que havia me tornado um verme, minha vida que passou no caminhão de coleta acenando numa luva fedida, os pontos no queijo, a lista de compras, o mofo na unha, o calçado gasto, o mesmo cheiro de merda, o silêncio de dentro de casa, a tentativa fajuta de redenção, o maltrapilho gosto, o perfume azedo, o ranço no coágulo do cérebro que repete os mesmos nomes, repete, repete, repete, cão desgovernado, pasta de grãos, e meu peito aberto pra exposição. minha vida que passou acenando (...) cuspiu em mim. desconfiou de mim. me seduziu e cuspiu. assim que essa vadia faz, é a especialidade dela. mas deixe que tua hora chega sua vadia. me cospe e manda de volta pro mundo. pro chão, que virou meu lugar, pro chão que é sempre o ponto de partida e parada.
[...]
[...]
domingo, 11 de novembro de 2012
não fede nem cheira.
eu não quero voltar a escrever um monte de coisa chata sem sentido, coisa chata do caralho. eu não quero mais isso.
saco.
queria mesmo é um recorte vivo. tipo fábula recortada em papel de pão. tipo a sensação estranha de ouvir uma pessoa que você alimenta uma certa admiração dizer que já viu gente explodindo e agonizando na sua frente e matar seria condição primeira pra não morrer. também explodido. também agonizando. eu não vou esquecer isso. eu não vou esquecer os olhos cansados dele... uma pessoa querida. Tenho conhecido tanta gente... tenho visto tanta coisa absurda e passado também por tanta coisa absurda sem cabide, medida, sei lá, sem lugar. pouca certeza na cabeceira e um pé de problemas brotando a cada dia. Os sinos me avisaram que o dia marcou sua chegada. que o norte da caminhada é Bagdá. que meus pés cansados e meus joelhos que doem pra caralho a música não dá conta. a música não dá conta do meu cansaço e da minha satisfação. Deus está na guarita hoje. é prciso agradecer cada etapa vencida, cada tropeço bem tomado, cada dia noite e cada noite dia. as flores vão invadir os cantos das gavetas e essa euforia vai passar com rajadas de granada e lampiões de festa se derretendo feito sorvete em língua demente que não lambe o que quer.
a riqueza de encontrar pessoas reais, problemas comuns, sua vida mesmo do avesso, fazendo sentido, mesmo na merda, fazendo sentido.por que essa porra é foda. (como os caras lá do bar costumam falar)
que loucura.
saco.
queria mesmo é um recorte vivo. tipo fábula recortada em papel de pão. tipo a sensação estranha de ouvir uma pessoa que você alimenta uma certa admiração dizer que já viu gente explodindo e agonizando na sua frente e matar seria condição primeira pra não morrer. também explodido. também agonizando. eu não vou esquecer isso. eu não vou esquecer os olhos cansados dele... uma pessoa querida. Tenho conhecido tanta gente... tenho visto tanta coisa absurda e passado também por tanta coisa absurda sem cabide, medida, sei lá, sem lugar. pouca certeza na cabeceira e um pé de problemas brotando a cada dia. Os sinos me avisaram que o dia marcou sua chegada. que o norte da caminhada é Bagdá. que meus pés cansados e meus joelhos que doem pra caralho a música não dá conta. a música não dá conta do meu cansaço e da minha satisfação. Deus está na guarita hoje. é prciso agradecer cada etapa vencida, cada tropeço bem tomado, cada dia noite e cada noite dia. as flores vão invadir os cantos das gavetas e essa euforia vai passar com rajadas de granada e lampiões de festa se derretendo feito sorvete em língua demente que não lambe o que quer.
a riqueza de encontrar pessoas reais, problemas comuns, sua vida mesmo do avesso, fazendo sentido, mesmo na merda, fazendo sentido.por que essa porra é foda. (como os caras lá do bar costumam falar)
que loucura.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
sobre a flor e a náusea
as minhas flores e a minha náusea.
o meu campo e a minha colheita. os meus olhos e as minhas lágrimas. o meu suor e minha vontade de explodir meio mundo. o meu ódio e o meu rancor [confusos]. as minhas desculpas e as minhas saídas.
o meu pavor e o meu conforto. os seus ganidos e a sua insistência. o meu amor e as minhas promessas.
#1
pegá-la pelo braço numa situação confusa e cobrá-la amor aquela hora seria meio inapropriado. ele na verdade não fazia idéia do quando incoveniente seria na vida daquela moça. sem passado. somente com um vale misericórdia no bolso e a passagem de volta pra casa. ELA [desatinada, impulsiva, fora de controle] descobrira que o mundo numa implosão resolveria todos os seus problemas numa questão minutos, minutos de macarrão instantâneo, ela, que comemorava uma perda parcial de memória, não imaginaria que as artimanhas do destino lhe preparavam uma bruta cilada, bem na virada zilionésima da catraca do livre-arbítrio. ela. que aprendeu a não amar por prudência. a rejeitar por defesa. a cultuar plástico e comer merda. Ela. que seria o subproduto do medo. cultivado em boa estação, tenro e absoluto. Ela. que só podia e só sabia olhar pra si. dimensão maior do umbigo que o reflexo turvo do espelho casto iluminara. Ela. que tinha ambição desproporcional a coragem, medo desproporcional a ousadia, cal desproporcional ao lago de lágrimas. por que o mundo vinha cobrá-la todos os dias, no mesmo horário as mesmas cobranças. Ela. que aprendeu a fugir, aprendeu a mentir e aprendeu a matar. rápido, muito rápido.
#2
o nojo. o pavor. a cozinha banhada de sangue e um cenário digno de filme que o amigo deveria dirigir. estavam lá o cozinheiro, a faca e a folhagem. a cerâmica branca embala a cena, o vermelho, numa ambivalência incólume, guardava pra si a vida e a morte, o pavor do sangue espalhado pela cozinha do restaurante seria sufocado pela doçura criminosa do corte afiado. não importa quem matou, quem morreu, a conta não fechava e o sangue do cozinheiro tinha uma beleza singela, ingênua eu diria. crua e ingênua. e a alegria do cozinheiro era inigualável. parte de sua vida escorrendo num ralo asqueroso e outra parte céu. Ele tinha um pedaço de céu entre os lábios. alguns dizem que ele era um anjo. um anjo que tinha gordura no cheiro, cicatrizes perfeitas e um coração de manteiga. certamente um anjo.
#3
a garçonete feia. a risada que incomodava. tudo nela incomodava e ninguém sabia olhá-la com a devida tristeza que ela pedia. ela pedia uma tristeza ímpar, ela queria compaixão do mundo, ela queria não ser ignorada. deixar que cada noite amarga caísse rápido pra ela sair daquela dança horrível, daquela sujeição ridícula. convencia-se a cada minuto que realmente era preciso sorrir. era preciso estar convencida que era feliz e realizava-se a cada ponto na comanda. ela. subproduto da merda. ela. passarinho feio, com canto esganiçado e um sorriso torto. ela precisava ser. algo. alguma coisa. menos aquela menina feia, triste e infeliz que refletia no espelho do banheiro de funcionários com entrada restrita.
#4
amanhece
e tem um rock alternativo na caixinha, tem aniversário e uma noite de sono em claro.
nada de festa.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
artifícios e um céu alcalino
de uma vida inteira baseada na mentira. paranóia temperada e defumada nela mesma. sem falar da loucura e da tristeza que me tombam em qualquer chão. do começo, onde os ingredientes se aglutinam ou do fim, que é onde encontro o rabo da história e mato o monstro e salvo a mocinha?
nem lá nem cá. a propósito meus parágrafos andam me irritando. não quero me aborrecer. preguiça de justificar muito qualquer coisa. quero bom resultado com pouco e pouco trabalho. e as mentiras, onde elas entram e saem eu tentarei reparar depois. eu reparo depois os vãos que eu vou deixando por aí. brechas no asfalto, espaço difuso, líquido, aéreo, ainda é muito irreal. ainda é distante. ainda nem existe...
eu pedi amor a Deus hoje. pedi que o amor me salvasse. Deus anda brincando demais e esquecendo de umas pessoas. quando me falaram de uma segunda natureza eu confiei numa possível outra pele. tão justa tão aderente que é confundida, que é espelho e forma, vaso e flor, não sei. é outra coisa que é a mesma. então esta capa que envolve o ser, que afaga os olhos e confunde o senso... é aí onde mora o monstro da fresta, o vago por onde entra o lume da salvação, a instância do paraíso na terra. eu vinha falando da terra prometida, de cal nos olhos e uma frustada tentativa de aproximação e até um desejo corajoso de encarar uma verdade, mesmo que hedionda, ver-da-de. mas eu aprendi tudo errado. eu confundi quinhentos soldados de chumbo com automóveis em alta velocidade fumegantes na via expressa. clareira aberta. e a paisagem não engloba a geografia do árido campo inimaginável e desdito mal caminho que tomei. refrigerante. o cadafalso. a febre que cozinhou meu corpo tão rápido quanto um sonrizal. e a janela, estanque, forma, parapeito, esta me serve somente como metáfora da alma. empoeirada, preguiçosa, aerada e cadavélica. que respeita os ditames de Deus e a vontade da natureza. que ainda é maior que a circunferência do meu umbigo.e seus ditames ridículos e esquizofrênios. pura vaidade esse meu umbigo.
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