arremessos. é com violência que testemunhamos um acto de ligeira importância ocorrido na história do que seja lá o que isso for. Sabemos da gravidade e não nos compete o nível de abominação entranhado em vossas respectivas víceras(?), vasos, objetos de elucubração e ataque. Tomamos por fim o mérito de nossas balizadas atitudes. e se por tantos somos esquadrejados à morte, por nossos princípios, tornemos à luz certos pareceres de irresoluta autarquia em caráter meditativo:
Disposto do parágrafo único do livro primeiro:
-não como Vossas Senhorias tomamos por base o ataque desmedido e inescrupuloso. não tornareis a ver-nos de sorrisos e doces afagos. hoje o que toma nossa preocupação é o meio justo com a devida iniciativa defensiva que tomaremos. intitulada "a amargura velada dos homens de bronze" ao qual inúmeras prerrogativas suscedidas de fracasso e abandono nos competem. pede-nos falência, torna-nos vetores inescruplusos, ausenta-nos de nossa responsabilidade social, nos diminuem no que nos foi caro até o presente momento. com o devido direito. ou com a devida crueldade da luta escamoteada, flambada e envenenada. não nos tomeis como meros partícipes de uma luta sem armadores, sem assinaturas ou mesmo envaidecida pelo direito de conduta. atentamos aos homens de direito, que deveis de antemão sondar verdadeiros valores cíveis, alertar prováveis medidas sanitárias, educativas, de valor e resultados compatíveis aos o que vossas rancorosas medidas tomam corpo. se tornais a ver-nos enrubescidos por voltas aleatoriamente testificadas ficareis então a jugo de suas prerrogativas falaciosas. envaidecidas e umidificadas em rancor e acusações.
torno presente uma revolta.
nós sabemos a quem e a que estamos a trabalho.
pedimos deferimento de vossas acusações.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010

à você devo tanta coisa. não saberia explicar. nem usar palavras doces. por que nos provamos na amargura e provavelmente seríamos engolidos a qualquer momento. adianto uma penitência. passei a ter medo de metáforas graças a você. também experimentei dissabores. estamos perdidos e por volta angustiados. eu juro que quero carregar na bolsa o remédio adequado. ser menos cafona. ter menos orgulho. produzir mais. estancar melhor a sangria. precisava saber onde mora a verdade. e também a construir figuras e imagens mais consistentes. eu queria fugir a tempo. não sair carregando trapos. anotando cifras.
eu hoje devo a você graça e culpa.
embora nem tenha confessado o suficiente.
***
segunda-feira, 21 de junho de 2010
e você o que é?

trocando sexo por livros.
vamos lá. ao fight. queria primeiramente deixar bem clara minha consternação adquirida nos últimos dois dias. e como sei que não existem paredes, também não me preocupo com o que dirão de mim. precisam sempre colocar um na roda. precisam de sangue. é aí o ponto. teceria uma malha de prováveis razões. quinhentas explanações. mas meu saco estourou na última cavalgada. tenho medo. tenho fome. tenho sede. tenho consciência da minha limitação. justa. e não quero ser exemplo pra ninguém. minha postura precisa ser questionada. minhas mentiras verificadas. minha culpa expurgada. queria mostrar de alguma forma. carinho. compreensão. solidão. estranhamento. como um cão, talvez. já reparou o quanto os cães são solitários? já reparou como a tristeza com todos os seus chavões, repetidas idas e indeléveis voltas, continua entorpecendo? e por que tanta volta? por quê tanto silêncio? em minha defesa talvez não haja causa ganha. eu sempre jogo pra perder. a víbora traiçoeira roendo meus calcanhares. já adverti milhares de vezes. já constatei. ninguém passa ileso. às vezes nem eu sobrevivo. mas eu permito e pronto. está ela fazendo seu carnaval. o carnaval da víbora.
eu vou até o fim. assino. não compro brigas todos os dias.
que o fogo, o tempo e o verbo seja provado.
não pedi pra morrer.
***
quarta-feira, 16 de junho de 2010
psicopatologia cotidiana

pelo prazer da destruição.
hoje eu posso comprar uma briga. tenho quinhão suficiente pra levar uns tapas na rua e voltar sem dentes pra casa. também posso me confundir com tanta informação. também posso ter crises de amores e ódio. paranóia pânica. já perdi a inocência. não me perturba perdê-la entre lençóis. falso despudor. falsa. um dia me cuspiram na cara. acusaram com todas as cores meu fundo falso. isso é uma coisa que me deixa incomodada ainda. tenho medo das pessoas. da capacidade destrutiva de todas elas. talvez seja um complexo de infância. talvez Freud nem me explique. eu precisava fechar os olhos com segurança. mas eu tenho medo. eu alimento o medo. pra dizer a verdade. eu precisava escorar umas desculpas. eu também precisava saber dizer verdades. intrísecas, essenciais, cadavélicas, exporádicas, sazonais. precisava do sabor, da sede cortante. embaralhar minhas peças, correr por partes, adiantar talvez uma dor, antes que ela venha sozinha. por que quando se entrega à tristeza, consequentemente bate a fraqueza. jogo mau. pérfido. loser's game. mas eu ateei fogo no circo. não quero mais ter pesadelos malabaristas. chega. pedi abrigo e proteção. por muito tempo andei perdida em busca de abrigo. apagão. eu só quero sumir do mapa. perder o senso motor. flutuar com a lua num ritmo bélico.
vou continuar catando minhas migalhas. sozinha. hoje eu espero uma música triste quando entrar em casa. e por tanto invocar tristeza vou derrubar meus ombros pesados sobre algum travesseiro. debulhando flores pláticas e lágrimas. como quem torce um tecido. como quem encontra água no deserto. como alguém que espera e vai padecendo. por ser tristeza e fim. falta coragem. falta-nos coragem. aquela inflamável.
te amo menino. não me queira mal. que eu sofro como nos filmes de final esquisito.
[porra. eu tô ouvindo Maysa!]
***
quinta-feira, 10 de junho de 2010
neve e fogo.

ainda não sei onde vou parar no dia que você me deixar cair da mudança. mas eu vou procurar outro norte. com certeza. cega. certeza. não preciso de provas, preciso de você vivo na minha cama. que nem é cama. preciso alcançar as nuvens montada no Pégasus. você quer me enlouquecer. você gosta de me manipular. eu sei. então nosso acordo fica estabelecido assim. eu deixo e você me leva. tapeação consentida.
***
segunda-feira, 7 de junho de 2010
nauseabunda

vou colecionando fragmentos. precisava modificar o percurso e o tom das palavras. precisava parar pra conseguir sentir a falta. reincidente. precisava entrar em algum oratório e debulhar algumas lágrimas. comparando tempos verbais. libretos e esquadros. quadra da alfândega. ameaças veladas e expostas a olho nú. não. eu não. juro que não. servimos bem, para servir sempre. minha família herdou um quinhão de patifarias. herdei a infelicidade da minha mãe. cunhei em mármore as datas e as iniciais do último homem. calei meus dedos descalços no inverno. o frio assombra e torna eclipses lunares invisíveis. a arte de ser invisível. e uma anedota mal contada. um drible no destino. algumas confusões mentais, um bolor servindo de filtro, agarrado às paredes, amarrando meus pés, marcando o tempo na minha pele, servindo de subterfúgio (adoro esta palavra) para mais uma série de desculpas embebidas e flambadas. anotei ontem a data, o horário, o itinerário, as vagas campinas, a metáfora embebida à deboche. novas modalidades. novo gosto. eu não percebi a tempo quando você começou a morrer. e eu não me perdoo por não chamá-lo de pai. é mais uma culpa eu sei. sabe o ardor que o frio provoca no nariz? pra mim é como se fosse o cheiro da morte. ela toma as naridas, queima com o frio. um ardor terrível. e nós. aqui. brincando de imortalidade. que isso não ofenda ninguém.
*05/06/2010 - casa nova, mesmo endereço.
*06/06/2010 - notei que faltava algo.
*07/06/2010 - não adianta, ele não vai voltar.
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