quinta-feira, 23 de dezembro de 2010




eu sei que uma hora tem fim. e eu não vou esperar me mandarem embora. pode ter certeza. testifico que cometeria qualquer loucura. mas chutada não. isso eu não aceito. ponham à mesa. crucifiquem o quando puderem. é sangue o que vocês querem?


saio antes, deixando tudo muito bem claro.


mas honrando cada ponto. suando em cada vírgula. rangendo dente por dente. eu sei que o ninho é sujo. algumas coisas a gente entende, mas não é obrigado a aceitar.




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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

nado peito

modalidade de sofredor. daquele que compra uma dor, vende cicatrizes, almeja um Merthiolate. queimando largada, encarando leões marinhos, serpentes subaquáticas, baleias oníricas. naqueles sonhos absurdos onde mato o ancião, desejo o mago, quebro a coroa da rainha no dente, estapeio o louco, afrouxo o nó do enforcado. acoplei a roda da fortuna na minha bicicleta. o pneu tá furado. alguns tem sorte, nós temos dor de cabeça. e penso que não adianta jogar no lixo boas chances. as verdades continuam as mesmas. toda essa dor, esse amor preso na boca, essa frustrada tentativa dum quase sucesso. nos meus trinta anos não cabem meias, inverdades. não cabe o amor platônico. não cabe o orçamento incompatível. sonhei que éramos titãs. daqueles que pesam em sonho como barras de ferro. efeito bigorna. plausível. as pessoas desejam nossos rins, fazem questão de esfregar nosso nariz no chapisco. querem nosso sangue, sua vingança cega, uma resposta, reação viva, bote rastejante. cuidado ao cortar-se. o sangue que esvai não volta. esvai.


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um beijo tônico. que deixa claro que poderia acontecer algo. mas não acontece. por má vontade política. por conspiração de anjos. por brincadeiras que não fazem sentido. nada mais faz sentido às 00:00h. substancialmente só. onde peso tudo. as toneladas de desejo. os castiçais de alvenaria. aquele amor que não morre. atropelado. escamoteado. lúgubre. que inventa as próprias verdades. que insiste. que às vezes arranha os olhos, abre comportas de céu que se derramam em prosaicas vontades. estanques. que não tem porto. não vivem. por falta de coragem. por inocência, talvez. Elas me estraçalham e arrancam tudo. me matam devagar. bebem meu sangue em vapor. não encontro ele ao lado pra me dizer uma palavra doce ou me convencer que minha dor é menor. ele fugiu com outra. me abandonou no meu altar.

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010



não sei que hora, mas me arremessaram mil pedras > disseram que era para pagar algum mal > era pra tornar as coisas menos obscuras> menos estranhas> e entrei no banheiro para limpar o rosto, daquela falta terrível que senti de você. daquele medo terrível que não me deixava dormir. daquele sonho que deixei pela metade quando fugi. > sim. fui eu. quem abriu um vão no parapeito da sala e me atirei com toda força. não era para fazer ninguém mais ou menos infeliz. era pra fugir dessa confusão odierna. captulada. balbuciada. >das horas que você me anuncia uma carência boçal, absurda. que não quero explicar. >só me turvam os olhos e comem meus dias.


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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010




se eu morrer de tísica, é pelo fato de não me preocupar com as pancadas de chuva, por não me preocupar com a fumaça dos automóveis e das chaminés bípedes acopladas a minhas vias aéreas, por não saber dosar, limitar, escamotear, subtrair, dividir, convencer e até mentir a tempo e a hora. a torto e a direito. que sinto um pesar nos flancos, um medo inconcebível de morrer e um ódio profundo por quem não me quer bem.

posso adiantar, que se isto se parecer com um testamento, minhas constribuições foram insignificantes para esta vida. e não se trata de uma falsa modéstia, trata-se de uma constatação. calculada. mais precisa que o grau de alcance das lentes de um atirador de elite. poderia eu morrer de vários males. levar ao caixão um bocado de bobagens>flores coloridas >mensagens e agradecimentos >hoje não >aqueles salgados e aqueles almoços subtraídos >a má percepção> o cão que me chutou na rua > a umidade diária >hoje não quero pensar na morte como possibilidade tangível. >preciso de ar.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Carta aos meus trinta anos.




25 de novembro de 2010.

(primavera, tempestades surpresa, tempos de dureza, faxina de bala no RJ e eu aqui dando milho aos pombos.)


Espero que você esteja bem. Espero que esteja trabalhando com o que gosta, e antes de tudo, apaixonada pelo ofício. Espero muitas coisas de você. Não vou mentir que hoje ando em maus lençóis, mas você já está costumada, espero que tenha conseguido lidar com as frustrações e com sua aparência. Muitas pessoas esperam de você uma boa desenvoltura profissional. Não me dê o desgosto de te ver prostrada à um trabalho frustrante. Não, eu não admito te ver infeliz e sem uma boa conquista na vida. Tenha uma boa imagem dos seus 23 anos. Saiba que você sofreu por uma paixão mal resolvida por muito tempo. Você perdeu muito tempo. Você também foi bastante irresponsável, tão irresponsável a ponto de comprometer toda sua vida. Sim, embora não aceite, ele gostava de você, te traiu, você sofreu um bocado, mas ele gostava de você, principalmente do seu corpo. Coisa que eu aposto estar tirando uns 10 minutos de sono da sua rotina. As gordurinhas agora são inimigas declaradas, eu sei, eu sei. Acredito no seu bom senso e que você está fazendo uma dieta. Você não me decepcionaria, han? Gosto da sua autonomia, mas você precisa entender que esta idade pede de você definições, como um marido, uma casa, uma estabilidade financeira, talvez um carro, um diploma. Você conseguiu isso tudo néh? Antes de eu começar a revisar esta auto-carta, peço que leve em consideração que pedi a você pra guardar uma ponta da sua alegria original. Não se deixe levar pelo poente, pelo gabinete, pelos dias cinzas, eu sei que você sofre com isso. Os cabelos brancos devem ter aumentado em gênero, número e grau. Eu sei que você se desespera, mas, calma. Logo logo você vai se parecer ainda mais com sua mãe. É um processo gradual. Não me faça as merdas que ela fez, não repita cagadas, por favor. Respeite sua vida e vá ao bar comemorar, seja lá o que for, com um belo suco de frutas. Peça um de graviola que é bom pra sua saúde. Não se torne uma alcoólatra, uma viciada, não me vá arrumar doenças emprestadas. Espero que tenha resolvido crises de identidade, que esteja vivendo A SUA VIDA não a de estranhos emprestados, como doenças. Ok? Preste mais atenção nos cruzamentos, aposto que o trânsito nesta cidade vai virar um inferno. Aliás, eu aposto que esta cidade se tornará “O portal do inferno”. Mas você será capaz de sobreviver a isso. Eu acredito em você. Não descarto a possibilidade de você estar morando em outro lugar. As pessoas daqui a 7 anos devem estar mais envelhecidas, espero que menos amargas. Você cultiva o bom gosto néh? Eu sei que você é chata, perfeccionista, niilista de padaria nos domingos de manhã. Mas eu te desejo felicidade, sério, se você não encontrou um bom homem – aquele dos seus sonhos você desencanou, sei há tempos disso – que você esteja sexualmente bem resolvida e comida. Morro de curiosidade pra saber como vai ser a tendência sexual da época. Os gays vão poder ter filhos? Ahhhnnn só daqui a 7 anos!!! Ansiedade. Ahhnnn!!! Sobre ansiedade, auto-conhecimento e auto-medicação: você anda tomando pílula pra dormir? Olha, eu seria capaz de te dar uns tapas por isso. Lembra que você é fraca pra vícios e aposto que ainda continua pobre. Então entenda que você não pode alimentar vícios, sua saúde não é de ferro, nem você. Espero que tenha visto boas coisas, acompanhado o melhor da atividade da sua profissão, será que você continuará trabalhando com teatro? Lembre-se que é ridículo uma pessoa de trinta anos sem uma definição concreta da vida profissional, citei no começo da carta, eu sei, você se repete com facilidade. Faça exames de rotina. Vá mais ao cinema. Conviva melhor com sua família, mas não carregue os problemas deles pra sua vida, certo? Você sempre pôde escolher, sempre pôde mudar as coisas ao seu tempo e adaptá-las. Juízo garota. Aceite a velhice. Sério. Mas não morra feia. Por favor. Vou confessar a você que faço uma imagem generosa de você aos trinta. Acredito que vá estar um mulherão, no auge da maioridade, e gostosa, tipo a Sônia Braga. Eu quero pra você a elegância da Sônia Braga. (risos). Sua cara é redonda, já usa óculos, espero que não sejam do tipo fundo de garrafa. Hoje a cegueira te incomoda, mas você também queria o quê? Anos a fio em frente a uma tela iluminada, a raios intransigentes e leitura visual, tinha que ficar cegueta mesmo. Suco de cenoura. Suco verde também. Espero que não tenha perdido o hábito. Já estou me repetindo e ficando chata. Mas, olhe bem pra você, a hora que puder, e no espelho reconheça o que o tempo fez de você, mas principalmente o que você fez com seu tempo. Não leia livros de auto-ajuda, pelo amor de Deus! E nem se converta a nenhuma seita satânica, não ande nua pela avenida e nem convença o carteiro a transar com você. Meu deus! Não cometa loucuras irremediáveis. Se você tiver filhos, que seja um, somente, não o mime e tenha pulso. Eduque-o da melhor maneira e tenha sempre em mãos umas balas para momentos de leveza. Não cultive o mal humor, esse é destrutivo e afasta as pessoas. Plante uma árvore, acredito que a situação ambiental ficará mais crítica, mas você fez a sua parte. Vou me despedir de você sabendo que está em boas mãos. Seu senso crítico está mais afiado, eu sei... deve ter rido. Mas lembre-se que você já foi bastante idiota, espero que tenha se vacinado.
Lá ia esquecendo de falar da sua fome de mundo. Espero que você ainda tenha fome de vida. Eu sei que você quer viajar e vasculhar uns cantos do planeta, acontece que você é pobre, sonhadora e inconsequente. OK. Até meus trinta anos eu preciso ter ido a NY, comprar uma camisa com uma legenda engraçada, tomar um café expresso em alguma cafeteria noir e guardar uma flor do Central Park e um ingresso da Broadway... se não for até os 30, que seja até os 40! Sonhar é de graça. Mas se você não puder ir a NY, vá para Paris, visite tudo, vá ao lago que a Amelie Poulin jogava as pedrinhas e jogue uma também. Se puder, vá ao bar em que ela trabalhava. Muita fina e vestindo vermelho e verde. Com um ar noveau, por favor. Você vai ficar muito contente com isso, eu sei. Tire fotos em frente ao Moulin Rouge e à clássica Torre Eiffel, traga um sachet de açúcar de um café Parisiense. Só pra lembrar. Indo à Itália... visite Roma, Firenze, Coliseu e Piza. Coma uma pizza e guarde a conta. Pronto, era só isso por enquanto.

Um grande abraço, votos de sucesso, a você tão indispensável a mim.

Eu, com 23.
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sábado, 20 de novembro de 2010