quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

tribunal de causas mínimas perdidas


uma noite a fio. um passaporte pro inferno. a conta vencendo. meu pescoço rangendo.

se me enviasse notícias suas, dormiria em paz. ao menos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

quem disse que eu sou obrigada?


"...vou esquecer quem é meu amor..."
2ªtentativa:
*homens não prestam. ok. dado comum. mas acontece que muitos não contam em serem transformados em brinquedos. é nessa que muitos caem.
*em matéria de homem entendo tanto quanto futebol, ou seja, nada, mal mal quem está na final do Brasileirão [risos].
*suas conclusões e seu sorriso me deixam maluca.
*eu sempre quero mais. por isso o filho é mais meu.
*não adianta dizer que não. arranco um sim de qualquer jeito.
*bendito seja o banco traseiro de qualquer automóvel.
*sou cínica, hipócrita, não tomo banho, não faço a barba, não cozinho bem e me perco em cruzamentos mesmo com mapas e satélite na mão. culpa sua.
*amarrei a boca de dois sapos e joguei no rio. se eram príncipes em potencial peço que me perdoem, não era essa a intenção.
*preciso aprender a ser menos idiota. um dia eu consigo. mas que é uma verdade que no mundo existem somente dois tipos de seres [os que metem e os que levam]... isso é verdade.
*cansei de atacar de vítima, fazer tipinho, biquinho e coisas que tornam objetos mais 'atraentes'. eu quero trepar pôrra!
*fim. e começa o dia seguinte. ainda com o cheiro dele na minha pele. não posso ficar apaixonada.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ninguém explica, nem quer entender




recortes. incensos. sálvias em copos. menina perdida. foi embora e marcou na porta uma cruz. me deixou uma criança morta na porta. -Alexandre!!! vem aqui! ... foi embora.

soletrava parabólica até eu dormir. acabou com dois vidros de pêssegos em dois minutos. matou a socos e violentas facadas um tamanduá. pediu perdão pelo gesso riscado. salgou dois peixes. mentiu três vezes. embarcou em uma nave holandesa. percorrendo dois quarteirões. encontrei ele suando na porta. mentindo e suando. caindo e sumindo. fugindo. correndo. perdendo tudo ao redor denovo. caçando as formigas do esquadrão da morte, brincando de criança. morrendo na cabeceira pela quinta vez na semana. perguntei se estava bem. ele sempre mente. ele sempre quer ter um revólver pra me responder. calibre com maior precisão. mentiu quando entrei. mentiu quando fui embora. não quis saber se ele precisava de socorro. queria arrancar um rim no dente e arranhar os ossos da costela. vamos ter paciência meu senhor. por favor. eu sei que você perdeu muito tempo comigo. mas eu estou pedindo sem escrúpulos mil desculpas e jogo nos teus pés minha humilhação. perseguidos e assustada. trazendo um barulho de mar nos martelos. chorei o ciúme de tudo. rangia meus dentes ao sentir mais amor de outros que o meu. subia escalas volumétricas de dor. a sua mentira me fascina. me deixou ir embora sem adeus. e marcou um espinho nas minhas costas. disse que eu precisava duma lição. de como os homens se tornam touros e caminham em brasas. VOCÊ NÃO É MAIS CRIANÇA! ACORDA!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

um segredo e duas setenças


título de romance de quinta. você me lembra um folhetim de século. um passado que incomoda. ninguém tem culpa das marcas do tempo. você sabe o que te fere. uma soma de quadrados perfeitos. nós. e dois. você tem mania de perfeição. uma promessa de dar tudo certo. relógio desparafusado da parede. cama que range. multidão no tom do acorde. meia idade e uma crise. doce confusão de dados. amparada num muro. entre o chão e um céu com estrelas e mar. seu nome tem mar. me toma com fome de touro. bruto. na agressão. é satisfação garantida. cartas de tarot com bordas de vime. no tempo dos teus rugidos. peito e braço forte. canta vantagem e me pega pela cintura. abraça com força pra não me perder nas ondas. se ela veste um desejo, você completa com sapatos e verniz. quando seu cheiro fica na minha cama eu acordo embriagada. catando cada caco que sobrou nos cantos, nas paredes, debaixo e em cima, lado e outro. e foge ao tocar um seio. lembrar e passado recente. me dando uma lição com palmatória de como ser gente grande e encarar o fato da crueza dos dias. condenada por Deus a vagar num vale estranho. não devia fazer disso uma piada. todas as pistas e sinais possíveis de fuga. quer me chamar alto pelo nome e cantar uma nota que fale de amor, mas você só pensa em grana meu bem. e como todo homem com medo, julga com covardia. não vou defender minhas virtudes. não vou querer você amanhã, nem te pedir em casamento. inversão de papéis. analgésicos e similares. acho que ando te traindo como toda mulher ordinária é capaz. queria saber se na última semana você realmente me queria ou se já esqueceu meu nome. ficou nervoso pelas marcas. me aliviou do peso. eu sei que não convenceu meu volume de pêssego na voz nem as investidas calcadas em mentirinhas infantis. mulheres são dissimuladas. sim. quase todas. e estou com pernas bambas. prefiro guardar você em algum lugar escondido. condenação e inquisição velando minhas culpas. prefiro te esperar à porta pra sequestros mágicos e música. embora saiba que eu sempre vou ter que continuar o dia seguinte sozinha rumo ao não sei onde com ou sem motivos de partir.

entre não querer saber e parar no tempo com bobagens


mania de enxergar pessoas como trapos e fivelas enferrujadas. muitos cintos lascivos e frouxos. alusão e estratégia de combate. hoje eu coloquei uma música triste pra me lembrar daquele vazio que você marcou a ferro em brasa. já te disseram que hoje eu não consegui ao menos chorar em paz? acho que não. não te contam os detalhes. inúteis. não te contam nada que realmente importa. só mentiras amáveis sobre mim. tranque você suas portas e torne minha estadia a mais incômoda possível. eu não quero nada seu. repito. não adianta vir com promessas, o caralho, escambau alado. não quero! a mim você não convence. é guerra. e não me chame pra arrancar a bala engasgada e entregar minhas senhas. acesso negado. falta sempre um pedaço. acho que eu era outra coisa mesmo. conquistei este tom grave às custas de muitos açoites, fique sabendo. um espaço que não cabe em vão e madeira. não quero falar que você me importa demais. às vezes. não posso contar as mentiras que enviei semana passada. chás de erva-doce. fé cega e faca amolada. me contaram que você era perigoso. fiquei com medo. medo e defesa. esqueci de te contar. esqueci também de te lembrar. desculpe. denovo aquela mania de comiseração. não precisa ter piedade de mim. com você é a ferro e bala. e morte certa. não adianta me acordar em meio a noite pedindo água, nem me levar ao céu 3x na semana. aqui é pedra e defesa. não venha me dizer coisas que não acredito. você na verdade só quer mais uma. que você ao virar a esquina vai esquecer até meu nome. sou daquelas que amam e matam por motivos banais. cuidado você também. posso ter mil faces e uma que negue todas elas. fica a seu critério o nível de avaliação. escolhemos a distância como resposta. me entristece teu viés negro em volta dos olhos. desculpe. mas não consigo te olhar com bons olhos. foi você quem começou esta história. não me confunda dos pés à cabeça por nada. cansei de te esperar com um copo amargo na mão. esperando desculpas e ofensas que não mereço. desculpe. você não me acorda com amor nem me manda flores em horário comercial. acho que não merece sequer a dor. só peço que me perdoe. talvez eu tenha traído. lavei meu rosto com cal e desfiz nós nos dedos descalços. agora eu posso andar em paz. ou tentar ao menos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

o que a mão ainda não toca/coração um dia alcança...


"eu só peço a Deus... um pouco de malandragem... pois sou criança e não conheço a verdade"
me entorpeceu como um veneno. aquele lugar faz isso com as pessoas. e um filete de passado reverberando entre costelas. relicário chinês. aquela moça que saiu de vestido novo. pegou um pássaro e foi às nuvens. caiu da janela. pulou frenética duas músicas que cantavam tua própria história. pagou caro por uns segundos de magia. não fez questão de lamber o chão na saída. acorrentada com questões de alma. leiloou-se por uma bagatela. e nem a chuva escandalizou o grito na esquina. cansou. deitou. morreu. voltou. aproveitou. queria uma verdade. esqueceu dos pais. do dia útil. da vida mesquinha. de achar melhor andar sozinha. esqueceu tudo. aquele moço não a deixava aterrizar. a levaria pra casa e acomodaria entre os travesseiros, a levaria às nuvens de qualquer jeito. pela nuca, mão firme, ancas e presilhas, sais e pimenta, bombons de cereja, ele a levaria de qualquer jeito. ninguém sabe a última rua em que se meteu. perceberam tarde o abismo entre os dedos e os limites impostos. afundar-se na noite. esquecer de si. música e janela. confusão mental. metáforas no bolso furado. saias e brilhantes. dia seguinte e tudo acorda gritando saudade com escândalos na avenida. e a integridade preservada acima de qualquer coisa. afinal. é moça comedida. agora sofre desgraçada!
"ainda é cedo amor... mal começaste a conhecer a vida... "

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

sem amor, só a loucura (Caio F.Abreu)


vamos ao que interessa. o ponto. Inês seguiu atropalada pela rua das 15 cruzes.
Quando se deparou com a noite, correu feito louca, com vestido cinza, perfume amargo e olhos muito negros. arestas e portas. três beatas sintéticas. uma luz vertiginosa. gostava do hit do moço da farmácia. a dor que ela alimentava aos sábados a vestiu na mesma linha. uma atriz de profissão, mas ser puta era uma vocação e trabalhava no conservatório nacional a danada. tridimensionalidade íngrime. vidas de gato no penhor. pensava que se as coisas estão perdidas por aí. perder-se não era problema de difícil solução. um labirinto desfazendo-se em trapos. lenha na fogueira. saltos herméticos concisos tão abstratos... um gato no parapeito. beijo público. e estranhamente maldições rogadas foram jogadas por terra. um mago muito do esperto a convencendo de sua inocência, negava o acesso ao santo lugar.marcava nela um código de série. perigo. logotipos. cifras. giras. saias. medo. o mal ronda e quer rasteira. me fizeram acreditar na morfina que mantêm meus dedos inteiros. Inês sacudiu a saia derramou um sopro de confiança e pegou a doce tentação pelos ombros, mediu alqueires de sede. apreciando a demolição das ancas. Deus dá o frio conforme o cobertor. um amontoado de pulsações sem destino. acabou em doce. meiga. me indignou ao arremessar daquele homem o que nunca foi dele. ela vai ficar naquela janela esperando. amargura.tudo... luzes. música. ritmo. moldes de contato físico. molduras. charme francês. lúdico céu de baunilha. salsichas e Ipês. Van Ghog's em decassílabos. partituras. seios. náuseas. sarampo. higiene e proteção.

não quero que Inês se mate com tiro no peito. nem faço questão de destinos fantásticos."... sinto muito amor, mas não pode ser... se eu perder esse trem que sai agora às onze horas... só amanhã de manhã..."

precisa limpar o caótico ladrilho português com escritos de saudade e umas penitências pras beatas. o príncipe morreu. sua vida continua na folha de pagamento. seu calendário gagá atrás da porta.feriados de morte. saias justas e uma carta de confissão sem final.