quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Adeus Bergman. Adeus.

meu peixinho morreu. foram 3 dias de vida por aqui. é isso aí néah. toca a vida por que o fim é certo. Bergman era muito lindo. meu primeiro peixinho dourado.

domingo, 30 de setembro de 2012

Vitrais e Sevilha



partindo de uma suposta  experiência cinésica.

É domingo. Manhã de domingo. o assoalho range, os escritos estão pendurados pela mesa, exposta/suposta verdade, tudo é fabricado. Tudo é controlado. Até um "-ai." é medido. Tudo é falso e cenográfico. Câmara de gás. Existem dois anões de jardim à esquerda do muro, santos desertores, uma chacina programada, um cadáver ambulante e a pilha de moedas estrangeiras. todas de época e fora de circulação. O que eu penso não tem importância. O que eu quero também não importa. Eu escolhi ser honesta (juro que vou tentar). Que seja comigo mesma. (entra a mocinha). Tateando entre um viés e outro da barra da saia ela cheira o sangue e tenta limpar os olhos marejados. olhos confusos, violentos, negro lume. O corte na alma desta moça. (a ferida ilustra um crime hediondo). ela tem o peso da culpa do crime. somados ao gosto estranho do visgo de sangue. Ela personifica Vênus. Vênus bombardeada. em carne, gelo, triturada, compasso telúrico. 


(...)

PS.: Preciso correr, a vida por aqui é cruel, linda, oscila entre altas temperaturas e relógios de torre caducos. Param a história e leem cada detalhe com desconfiança. Eu não estou louca, eu juro, eu só estou quieta, tentando respirar e sobreviver à essa merda toda. Leia à vontade meus segredos. Você também é parte deles. Fique à vontade pra cuidar de mim e da minha vidinha pequena de merda. A tosse, o asco e o perfume do mal. da moral e dos bons costumes. que eu já pirei, já morri e já voltei.

bj.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

PS.: uma morta, não se esqueça.

Desejo do fundo do meu coração que você seja a pessoa mais feliz do mundo, que você realize tudo que teu coração mandar, com muita força, perseverança, carinho e pulso firme. Se um dia eu voltar a ver você, que seja pra rir, pra comemorar o que passou, que seja como naquele natal, pra eu lembrar que o carinho que tive por você foi único e ninguém nesse mundo seria capaz de destruir. Você só me fez bem e eu te agradeço por isso. Eu fui a pessoa mais feliz e protegida desse mundo enquanto você esteve por perto. E tudo passou, e tudo mudou... Que ótimo! É por que tinha que ser assim, era isso mesmo.
Que você seja verdadeiramente feliz, você só me fez bem. Eu aprendi a amar e deixar passar por sua conta. Aprendi também que ninguém é propriedade de ninguém e se o amor de um é pouco, paciência, a vida nem sempre é legal com a gente. Eu ainda vou lembrar você. Vou lembrar quando começar a chover, quando uma mensagem chegar, quando o silêncio do meu quarto me obrigar a lembrar que eu já fui bem feliz com alguém, quando eu fechar os olhos e ver o seu rosto, lembrar você dormindo, o beijo no portão, na garagem, o primeiro beijo na calçada do vizinho, a aliança devolvida, você me abraçando... em cada pedaço de mim você estará presente, inevitavelmente. Como eu decidi não me machucar mais com isso, peço que você me considere uma pessoa morta. Uma morta, isso mesmo. Não quero mais isso pra mim, tampouco viver em função disso. Cuide bem de você e de quem te ama. Morrer de amor [por infinito segundo] é doce.

domingo, 9 de setembro de 2012

c.r.r.r.r.r.i.s.e.com

de onde ele vinha ninguém sabia, era um homem sem passado, sem perspectiva e definitivamente desprovido de futuro. morto homem. ele que aparecia pendurado na janela da vizinha de gola e pés descalços. 5m suspenso. [o enforcado]. homem de botas carcomidas e enlameadas. coração puro e carne viva. ele sonhava devagar e devorava os seios da amada. lixo de indivíduo. eram seres repugnantes. em meio a baixas honrarias, médias certezas, cada vez mais cheios de tudo. devoravam-se com calma e parecia que gostavam de arrancar pedaços entre si. eram repugnantes. seres intermediários de olhos vagos e muita fome. outro dia foram vistos de mãos dadas em uma rua estreita e caída. não havia revolta. consentida dor, consentidos remédios, consentidas desculpas. mas o medo que os unia era forte, mais forte que o amor, mais forte que o fim dos mundos. o medo que era a medida do ódio, a medida do amor, a medida da morte. o medo que os unia semeava uma erva maldita no sótão. erva carnívora. [...]

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

uma carta pra amanhã








a arte de não misturar as coisas. do tempo que passou para o que ocorre no presente momento, dá-se um recorte temporal caótico e fantasmagórico. eu sei que você confia a entidades nosso caminho secreto. e isso é bonito. eu sei que eu estava errada e não vou insistir na teimosia. you win! só não me despedacem eu peço. não me arranquem pedaços, sangue, roupa, dor, qualquer outra coisa.
sinto falta da minha casinha, do muquifo que eu morava, era úmido, pequeno e escuro. excelente para a proliferação de mofo  e ácaros. era o meu pedaço. meu território. minha proteção. mas não me arrependo das outras escolhas não. não. não não não. a confusão mora noutro bairro. e minha cabeça vai rolando. quicando escadas, martelando sinais, operação confusa. sina de Prometheus. ainda não consigo ligar pontos e vias concisas. ainda fico perdida. ainda tateio no mapa a atenção das pessoas. o afeto do mundo. minha mãe se preocupou comigo ontem e eu não podia mostrar pra ela a falta que eu sinto. eu não pude mostrar pra ela que eu não me encontro no momento. que eu estou fora da área de cobertura em trânsito alucinado. que está bem difícil ficar sem um abraço, sem a voz dela pedindo pra eu ficar mais um pouco e fazer alguma coisa por ela. eu fazia muita coisa por ela e deixei tudo. eu deixei tudo pra trás. eu tenho o peso disso nos olhos. quando as crianças brincam aqui perto o som é maravilhoso. elas brigam e resolvem tudo de maneira muito prática.
queria que amanhã eu desse conta do meu trabalho e de não me importar com a opinião das pessoas, que meu casulo estivesse intacto e minha confiança inteira. queria confiar, queria mesmo confiar denovo, apostar denovo, acertar denovo, pedir umas desculpas, pegar a pista livre pra um bom voo. mas o peso é maior, e o que os outros fazem e pensam interfere sim em tudo. só não me machuquem eu peço. não me arranquem nada. eu imploro.
vou fazer minha lição de casa e não tenho outra chance de erro. tenho que consertar uns vasos aí, restaurar minha cara de pau, dar um brilho numas frases e dimensionar uns espasmos. vai ser bem difícil, mas eu vou dar conta. degrau a degrau. uma coisa de cada vez. lembra dos seus planos? sua casa de marfim, seu jato supersônico, do jardim de inverno? você precisa acordar, acordar forte pra viver amanhã. 

***




quarta-feira, 22 de agosto de 2012

vitimismo profissional

eu nunca quis ser um parasita. mas ultimamente meu papel tem sido algo próximo a isso. parasita. um mero parasita. insignificante parasita. não produzi conteúdo, não saí pra olhar a grama molhada, não desdentei uns cachorrinhos de rua. por que cachorrinhos de rua não se importam em ser despelados até a alma e ter olhos furados por bitucas de cigarro. não tem pai nem mãe, não se importam em perder na Megasena, não comentam a vida alheia, não se importam muita das vezes. o meu parasitismo talvez esteja próximo da pulga hospedada na orelha esquerda do citado cão. insignificante vampiro. cômodo. tenro e absoluto. me encanta a solidão dos pequenos. estão sempre de passagem, esperando um pedaço de osso, esperando a carrocinha, esperando sei lá o que.

Hoje eu queria levantar cedo, aprumar o barco, soprar uma boa vela, ir descambando por aí, por que o mundo continua imenso e minha fome uma bela chata. me tornei uma chata de carteirinha. fiz o que não acreditava que seria capaz. continuo com o medo cínico dos covardes. e vou descambando por dentro. talvez morrendo. talvez esperando. sempre com a pretensão da genialidade e da pedantice nos ombros. patentes. equiparadas. e o buraco. a cova. o breu. o vazio. o inominável continua me envolvendo e seduz. a luz rubra, o calvo homem à espreita na berada da cama, os anjos de férias. a sanidade da minha cabeça está seriamente comprometida. eu me sinto louca. e não estou brincando. eu me porto feito louca, me tornei uma inconsequente, tô cagando e andando pra um monte, levei uns enxovalhos e amarguei cada ofensa. pra não matar e não morrer. por que a errada sou eu. a vítima sou eu. o demônio sou eu. o mal mora em mim. com tênues disfarces e cores enigmáticas. essa força que parafusa ao avesso e me suga para o centro da terra vai me tirar do mundo, vai me matar devagar, não esperem pra assistir minha morte, eu peço. um dia eu morro e páro.   

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

paga-se o mal com o bem. aposte suas únicas fichas no sonho. siga na sombra que o sol está de lascar. amanhã poderemos fazer das tripas, coração. hoje é folga e livre delírio. eu quero bem aquele moço. espero que seja bom e tenha uma boa força. se não, eu aprendi, dessa vez eu aprendi. e nada, nada do que disserem vai abalar e vai condicionar a decisão. hoje começa um novo tempo, eu vou perder muita coisa, mas espero que seja de ganho e providência essa investida. estar em paz tem um puta preço. custam uns gritos, dois murros e três manhãs de insônia. mas eu posso voltar a ir andando para o trabalho e sentir o cheirinho da manhã de cada dia me estapeando na rua. só que essa rua é maior. essa rua. essa rua. não é minha.  nunca foi. dessa vez eu vi Deus. acenei e mandei um joinha. acho que ele foi com a minha cara.

trate com amor quem te trata como lixo. pode matar de câncer, mas pelo menos você não arruma problema. a vida é curta, louca, voraz e enternecedora às vezes. e as vozes que chegam pra me consolar estão muitas vezes, equivocadas. Esse novo trabalho eu quero que dê pé. Quero ficar por um ano. Conforme for, estica-se. A Idéia na verdade é engrenar no teatro néh. Dando pé a gente mergulha na loucura. Mas a possibilidade de não passar fome e ter um lugarzinho seguro e seco pra trabalhar está de bom tamanho. Podem falar o que quiser. Falem muito. Ainda posso sonhar. e dormir. e voltar a sonhar. e vocês vão continuar não pagando uma conta de luz sequer. Por que as pessoas são assim, falam demais, odeiam demais, amargam demais. Saber tua medida de cálice é uma arte. dose pra leão neném. 

Go to hell, girl!