segunda-feira, 12 de setembro de 2011

acredito que hoje eu aceitei que acabou.

findo pseudo-relacionamento. finda paranóia galopante.

respire fundo e enterre seus mortos.

quarentena no inferno. Jesus Cristo, como isso é ruim.

VOU TOCAR MINHA VIDA, VOU TOCAR MEU BONDE, VOU SUMIR DO MAPA. Com minha dignidade, com minha coroa resplandecendo.

\O/

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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

uma lista e a pulsatilidade intravenosa no deserto




a sacralidade no trabalho das vespas. o câncer. a sessão de lobotomia antes do café. o frio na espinha. a pinça. o cais. o aroma cítrico adocicado do perfume dela. o sal que tempera minha comida. os dias riscados na agenda. a convexa lista de nomes de garotas do sexo produto. do último resquício de amor próprio no fundo do balde de roupas sujas. aquele cãozinho da vizinha que tem os olhos mais doces do mundo. [de tão amado que é] o silêncio da casa. os fantasmas nas gavetas. o lume que faz minha cozinha levitar. o café que esfria em fração de segundos. uma certeza saindo da torradeira. um mar de dúvida afogando uns peixes no mar báltico.

hoje eu comecei a perceber que aquele moço é uma espécie de fantasma que me cegou. Fez tudo que me ocupa árdua morada, palco de uma tragédia anunciada. ensinou que a dor fabricada pulsa no seio, corrói dois músculos, fatia três ossos.

Uma lânguida esperança de tão bêbada bate na janela. Me acorda na madrugada santa de um dia útil, a cidade vai acordando, meus pés atrofiados em teias espessas, hediondas, saem pra passear. É uma manhã com matizes silvestres, carrega um dardo e uma pequena margarida bruxa no bolso. O ciclo da loucura se renova. Faz algum tempo que tento encontrar meus passos. Seguiram uma rua escura e dobraram à esquerda. Nunca mais ouvi dizer da sorte daquele moço.



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domingo, 28 de agosto de 2011


-Triste é perceber que a gente só tem um valor utilitário na vida das pessoas-
vamos começar este capítulo.É pra falar a verdade mesmo ou a gente vai continuar com este joguinho infeliz de gato e rato? Onde foi parar seu amor próprio? Se você é tão dedicado, como não percebeu ainda o que estão fazendo com você? Espero que você abra seus olhos a tempo. Por que eu me afastei tem tempo. Também não confio mais em ninguém. E faz tempo... O problema é que eu sou uma idiota que conversa com o vento. Você não. E sua implacável desconfiança e mania de perseguição já me gastaram boas pestanas. Eu. Vou continuar quieta no meu lugar. Por que eu sei a hora de começar e parar de brincar. Me cansei de tudo. Isso inclui a merda da minha vida. Isso inclui as relações pestilentas que ela andou adquirindo a tempos remotos. Isso inclui minha flexibilidade de caráter e minha tentativa de adaptação. Também contém glúten. Espero que meus amigos não estejam me passando a perna nem falando mal de mim pelas costas. Por que poucas coisas neste mundo me deixam tão satisfeitas. A lealdade de cão por exemplo, era contrapartida no contrato. Este tom amargo e ameaçador é puro festim. Não quero o seu dinheiro, não quero a sua empáfia, não quero seu orgulho, não quero nada seu, que venha de você. São os limites. Se é pra assegurar minhas noites de sono. Eu prefiro assim.

Cansei de ver gente metendo os pés pelas mãos, cansei de ver gente se enganando, cansei dos assassinatos, cansei de ver e comer merda, cansei de ser tratada feito lixo, cansei das carinhas santas.
São todas crianças más, pestilentas, infelizes e estão mais dispostas a puxar o tapete dos outros que a fazer uma vida digna e com um mínimo de hombridade.

C.A.N.S.E.I.

Vou dar conta da minha vida que já me é o bastante.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011


você é o fantasma que eu preciso exorcizar do meu peito. (péssima)

você é o dia errado, da hora errada, que... (piegas)

você que tanto tempo faz... (música)

você que hoje me acordou em memória, sorriu, e com fugaz fôlego explodiu no ar. (peido)

você que em mim faz árdua morada. (huuunnn)

se a sua decisão de não voltar convencesse meu desespero,
se eu não conseguisse te ver chorando todas as noites,
se seus pés não tropeçarem,
se você por um segundo não lembrar de mim,
se por um segundo eu conseguisse me desligar de você e tudo que ainda me prende ao chão. voaria hoje.
mergulharia em azul estes meus olhos, agora negros, que pedem de volta a luz dos olhos teus.

(cafona pra caralho)

esquece esse cara, desencana, ele não quer saber de você. e te enterrou no quintal dele.

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terça-feira, 23 de agosto de 2011

menos vaidade

na dor.
no falso amor.
no falso amor-próprio.

preciso levantar.
sair disso.
desse poço.
fossa maldita.

[rápido]


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

quase confessional




hoje, um dia comum, com ar seco, sol, lacaio à porta, anotando a hora que entro e saio, frio na espinha, abro o memorando, sirvo duas senhoras que me entreolham e coxixam ao meu respeito, licor barato, pego duas notas que me escapam à memória, fixo na retina um apanhado de espinhos, entre a tela e o vidro uma imagem nebulosa. É melhor eu começar a esquecer, penso em arquitetar um meio mais eficaz para uma degradação parcial da memória. o lixo imaterial que acumulo entre os martelos, os cílios, as esfinges. que continuam coxixando a meu respeito. marquei dois pontos no céu. onde começo a lembrar e onde começo a morrer. uma escada lúgubre partindo do seio esquerdo com uma manilha de concreto acoplada ao útero dão o suporte. Tenho uma lembrança doce de um dia aberto, tenho uma saliva embalada a vácuo que contém a febre que me tornou esta figura hedionda a beira de um colapso nervoso. que ao fogo da paixão. exala uma efusão cataclísmica. perigosíssima. a confusão surge no ponto A que seguindo a tangente B não consegue atravessar o abismo C. a matemática do precipício. largo túnel. corrente marítima. Este é o ponto de corte. na massa que leva sangue, veneno, ervas finas, resíduo plástico, aquela expressão de abandono que cifrei na infância, meus saltos na escadaria do convento. tudo incinerado. posso acordar amanhã tranquila.

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sábado, 6 de agosto de 2011

amargo santo

boca amarga, garganta seca. quase todos os dias. olhos largos. paisagem limítrofe. náuseas. me contorço em dores. exalo cheiros estranhos. conto os vermes me sugando o seio. e volto-me a contemplar a árida paisagem. você me custou dois torrões. torrões de açúcar que eu fabricava embaixo da língua. você me custou semanas inteiras de sono. cegou meu pulso. despiu-me em plena quarta de cinzas. eu, hoje, pássaro machucado, manca, suja e pequena no canto da cama. eu, hoje, metade em cacos, embotada, desejo um mal equivalente. você me enfeitiçou. já não consigo colocar meus calços no chão. escrevi quinhentas cartas. preparei mil despachos. arranhei seu rosto no vitral da memória, comi seu coração com iguarias e macadâmia. preciso ainda sim. ainda sim. acabar com qualquer resquício seu. preciso lavar o que restou com água de sal, lavar seu toque, limpar a memória que eu cultivei na pele, abrir sulcos para que o veneno saia, corra, e deixe o puro sumo brotar. Não quero mais lembrar você nas próximas vinte estações. quero um chá de esquecimento, que anestesie minha imensa dependência, meus olhos encharcados de sangue, que me esqueça até da felicidade que me cegou. eu quero e preciso esquecer você. desesperadamente.


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