terça-feira, 23 de agosto de 2011

menos vaidade

na dor.
no falso amor.
no falso amor-próprio.

preciso levantar.
sair disso.
desse poço.
fossa maldita.

[rápido]


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

quase confessional




hoje, um dia comum, com ar seco, sol, lacaio à porta, anotando a hora que entro e saio, frio na espinha, abro o memorando, sirvo duas senhoras que me entreolham e coxixam ao meu respeito, licor barato, pego duas notas que me escapam à memória, fixo na retina um apanhado de espinhos, entre a tela e o vidro uma imagem nebulosa. É melhor eu começar a esquecer, penso em arquitetar um meio mais eficaz para uma degradação parcial da memória. o lixo imaterial que acumulo entre os martelos, os cílios, as esfinges. que continuam coxixando a meu respeito. marquei dois pontos no céu. onde começo a lembrar e onde começo a morrer. uma escada lúgubre partindo do seio esquerdo com uma manilha de concreto acoplada ao útero dão o suporte. Tenho uma lembrança doce de um dia aberto, tenho uma saliva embalada a vácuo que contém a febre que me tornou esta figura hedionda a beira de um colapso nervoso. que ao fogo da paixão. exala uma efusão cataclísmica. perigosíssima. a confusão surge no ponto A que seguindo a tangente B não consegue atravessar o abismo C. a matemática do precipício. largo túnel. corrente marítima. Este é o ponto de corte. na massa que leva sangue, veneno, ervas finas, resíduo plástico, aquela expressão de abandono que cifrei na infância, meus saltos na escadaria do convento. tudo incinerado. posso acordar amanhã tranquila.

***

sábado, 6 de agosto de 2011

amargo santo

boca amarga, garganta seca. quase todos os dias. olhos largos. paisagem limítrofe. náuseas. me contorço em dores. exalo cheiros estranhos. conto os vermes me sugando o seio. e volto-me a contemplar a árida paisagem. você me custou dois torrões. torrões de açúcar que eu fabricava embaixo da língua. você me custou semanas inteiras de sono. cegou meu pulso. despiu-me em plena quarta de cinzas. eu, hoje, pássaro machucado, manca, suja e pequena no canto da cama. eu, hoje, metade em cacos, embotada, desejo um mal equivalente. você me enfeitiçou. já não consigo colocar meus calços no chão. escrevi quinhentas cartas. preparei mil despachos. arranhei seu rosto no vitral da memória, comi seu coração com iguarias e macadâmia. preciso ainda sim. ainda sim. acabar com qualquer resquício seu. preciso lavar o que restou com água de sal, lavar seu toque, limpar a memória que eu cultivei na pele, abrir sulcos para que o veneno saia, corra, e deixe o puro sumo brotar. Não quero mais lembrar você nas próximas vinte estações. quero um chá de esquecimento, que anestesie minha imensa dependência, meus olhos encharcados de sangue, que me esqueça até da felicidade que me cegou. eu quero e preciso esquecer você. desesperadamente.


***

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Fast Food do Amor

ou fast fudido amor.




O segredo é esperar menos.
Esperar menos da vida, esperar menos amor.
Se eu pular da ponte alguém me acode no ar?
vou colocar veneno na minha comida pra resolver esse enjôo.
tudo tão clichê.
vou guardar seu gosto doce. seu ombro machucado e sua falta de jeito.
seus olhos também. e sua respiração. seu ímpeto de urso. queria ler sua alma.
queria alcançar você antes da partida. não que você me abandonasse.
Agora é minha vez de chorar. assisti o filme que você falou!
liguei pra você 500x em único dia. saí chorando na rua por sentir o frio que iria tomar minha cama, eu sabia, eu sabia, eu sabia! que se transformaria em leito, me afogaria em morte.
"o amor é forte como a morte" e isso não é um exagero.
eu vou chorar baixinho pra ninguém ouvir. vou deletar' você de mim.
não sou do tipo que faz feitiço pra amarrar ninguém. Mas por você eu faria.
eu deixaria seus pés virados pra mim. torceria seu nariz, sua teimosia, seus braços só me abraçariam. não os dela. que é uma infeliz, que soube te roubar de mim com um encanto perfeito. dos que movem estrelas e fazem o universo te engolir. Ela é uma maldita. Que vai te sufocar, te manter amarrado ao pé da cama. Fará de você um bobo. do jeito que você gosta. Você gosta de ser idiota. eu percebi.
Faça o seguinte, me esqueça, não fale comigo, não olhe pra mim, não me procure, sofra minha falta, que te doa com toda intensidade, como um espinho em carne, como pele em chamas, com todo amargo santo que vai te alcançar, em qualquer lugar, por que de mim você vai carregar a pior saudade, a que embota seus olhos, que atrofia o coração.
QUE LHE DOA, TÃO QUANTO OU PIOR, que eu já abri meu peito e arranquei meu coração, dele fiz picadinho e joguei aos cães! Só me resta mudar de endereço, quebrar tudo, mudar a linha, o tear. Novo rumo. Tudo sem você. Que tanto me enlouqueceu e partiu sem adeus.

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

fuck it

tenho clara certeza que vocês não me querem entre vocês. Nem eu sei até quando eu vou aguentar também. talvez estejamos quites.

essa merda desse meu seio inflamado.
essa droga dessa solidão no canto da cama.
a minha língua que atrofia.
a música que só traduz e nada quer dizer.
ao desgraçado que não ama o suficiente,
não está nem ligando que tudo pode ficar melhor
mais bonito talvez
minha boca que agora é fruto em carne, sangue pulsando.
ao que eu não sei
aos dias de loucura que virão

ao pulo da ponte,
à serpente que irá dormir colada ao pé da cama.

aos meus olhos arenosos. e esta sensação maldita de estar mais uma vez perdida,
desconcentrada,
chutada feito uma cadela de rua.


EU ODEIO A FORMA COMO ME IGNORAM, ODEIO A FORMA COMO SOU HOSTILIZADA
ODEIO TUDO QUE ME ATRASA, ME CANSA E ME SUGA AO EXTREMO.

ODEIO.

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segunda-feira, 18 de julho de 2011


Sua blusa num corte temporal revela certo grau de sobriedade, olhos flamejantes a orientam no escuro.

Se o amor é produto perecível, violável, intransferível, ainda não está provado.

Perdoe-me, mas tem muita cor neste desenho que você alimenta nas costas, talvez não me encante muito. Onde você mora agora? Se a sua casa sou eu, onde você mora agora? [Não está] Nos últimos dias tenho arrastado chinelas folgadas, lúgubres, elas conversam comigo, lembram você nos cantos mais óbvios da casa, talvez pra memória alcançar a prateleira certa.

Esta velha parca desorientada, que me alfineta a pele, inflama os seios e cega meu ventre, vive lembrando o fim de tudo. Mata meus lírios, seca minha terra, espalha pesticida na água, lavra-me e reduz-me a retalhos embotados. Não consigo esperar você em silêncio. Será que você se lembra de mim? Será que este amor existe? Isso é amor? Com todas suas significações, com toda perturbação, todo medo, toda ansiedade, tudo aquilo que não se dá nome?

Vou carregá-lo em nuvens de chumbo. Pra quando chegar a primavera, a terra cante seus ínfimos sulcos em intervalos. Trará consigo uma marca, talvez incurável, que eu bem conheço. Molhará teus pés junto à fonte e cortará seus cabelos como promessa. Neste mesmo instante ocorrerá um cismo no oriente.

Pássaros em revoada procurando novo verão cantarão. Sim. Todos com o abatimento da terra seca e uma lágrima de sal nos olhos. Trarão novas sementes.

Você vai chegar em pedaços, quebra-cabeça, terra morta, meu trabalho será retirar as raízes, limpar-lhe os olhos, estalar-lhe os ouvidos pra que você adormeça como um lírio em desmaio. Atravessar estas horas me extorquiu exaustos calços. E por onde você for, só lembre que eu sou sua casa. A mim me bastam as horas.

***



eu não sei o motivo da linha. Tentei tirar e não consigo. AFF

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Seria seu porto, sua casa, uma manta de algodão lhe protegendo os olhos.

Esta moça, embriagada, vai tentar repetir a sensação de conforto a cada dez segundos.

Ela vai arranhar o pulso entre as frestas da janela, vai ouvir quinhentas mil vezes a mesma música, pra transformá-lo numa loucura, pra tê-lo em sonho induzido, pra saber que os astros irão trabalhar a seu favor, a sorte o trará inteiro, seco, menino.

Ela ainda brinca com um clichê. Amor Romeu e Julieta rarefeito.

Agora ela é adulta, ele um macho alfa arrebatador de coraçõezinhos. Isto, ele não havia falado...
Agora, pouco a pouco ela vai procurar se desligar dele, como se desliga um eletrodoméstico direto na tomada.

Ele vai ignorá-la, fazê-la sentir junto com o arrepio, um frio ártico, condená-la a vagar por um deserto de nuvens, cair da ponte que liga nenhum lugar a lugar nenhum.

Enquanto isso, como um mantra, jura que vai se dedicar pra cada segundo de afeto.

Pra sua volta triunfante com seus dardos de brinquedo, suas mãos calejadas, seu ombro machucado, seus olhos de fogo e tudo o mais que a consuma em fração de segundos.


Ela nunca dorme sem repetir seu nome. Precisa aprender a sonhar. e voar.




***