terça-feira, 5 de julho de 2011

meridianos e gremlins

fim de um longo e tenebroso semestre.

sem garantias. não tenho ainda resultados.

só preciso respirar. parar. e mergulhar denovo.


beijo pra mim do outro lado da estrada,

que aceno com um sorriso triste,

uma blusa amarrotada, suja e pés machucados.

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terça-feira, 14 de junho de 2011

ojos marejados





é quando a gente percebe que todo mal que foi feito voltou
é quando falta chão pra tatear,
falta tempo pra ficar junto,
falta amor pra continuar.

Eu vou ser madura e vou lidar com isso tudo duma forma muito profissional.

terça-feira, 17 de maio de 2011



velhas convalecenças num pires de atum. hoje vou tarde. É que enxerguei o que não queria. não veria aquela menina tão pequena ter que prestar sua carência à vontade de senhores estranhos. ficaria incomodada em situações normais. talvez estarrecida. não queria ver que faltam zeros à direita e à esquerda. não me disseram pra aceitar isso pra sempre. Ok. pode ser um reclame da consciência, uma tentativa de salvaguarda. preciso mentir todos os dias pelo pão. nada me conforta. não estou satisfeita. não quero morrer cedo pesando o quanto eu amarrei meus cãezinhos serelepes e os privei do gosto duma tarde de mês qualquer. bêbada de poesia. ou mesmo que eles estejam enfeitiçados com o gosto da focinheira. minha lealdade custa uma bagatela. não alimento a coragem faz tempo. vou ficando assim. arredia. velha. de escanteio. sem forma, esquadro, régua, camisa embotada. sem homem no canto da cama. com peso e uma pena nos seios. tristes. hoje tenho seios tristes. em breve os daquela menina também ficarão. tudo é uma questão de tempo. a conformidade. a aparência. o sono. a víbora. tudo é questão de acordo com vantagens, de limites, a safena, a inflação, o medo infantil, a solidão, o pessismo convexo irremediável. que traduz fim. enézima vez que tento. e só sei chorar. deveriam derrubar o muro das lamentações junto com o de Berlim. quando nasci. provavelmente num dia errado.

'Não quero ser a chata da tua poesia' [trecho de música - Fábrica de Animais].

praticarei o desapego.

ao que nem tenho. ao que não alcanço.

ao medo borra-botas que me torna cada dia mais covarde. e imbecil.

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tarefa: lista de afazeres.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

o canto da sereia




escuto debaixo do chuveiro. por horas a fio vou tentando cifrar o que ela quer me dizer. primeiro ela me lembra dos artefatos hodiernos, da curva que meu destino prepara. logo quando passa a primeira hora já começo a lembrar que a resistência é frágil, que posso ficar constipada, que sobra, sobra gordura, meus pés incham, minha vaidade é soberba, alegórico desejo de potência. Banho de Cleópatra. Sem sais marinhos. seco meus pés e já nem sei como nem quando comecei. Aqueles banhos demorados me deixam com a alma úmida. Vou passar a semana inteira sozinha. Quem sabe o mês. Não tenho previsão de volta. Continuo tentando secar meus olhos, escrevendo cartas, acompanhando o noticiário e esperando o ônibus pra Califórnia Dreams.


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quinta-feira, 28 de abril de 2011

entender o quê?!





entender que eu penso em você.
entender que velo seu sono.
entender que quando o sol bate no seu rosto tudo ilumina.
entender que eu ando mais sozinha que sandália de Saci.
entender que eu quero fazer uma música. que doa. doa tanto.
que me persiga no meio da noite buscando um canto.
entender que eu preciso enxugar essas lágrimas.
entender que não tem fim, volta, meio, canto, nada.

você não precisa entender nada. sou eu que tô inventando.


domingo, 24 de abril de 2011


foto de Francesca Woodman.


música: Janis Joplin (playlist)


em casa: um vazio boçal

no rosto: um esboço triste

na alma: uns buracos de pista

no coração: sangue e 2 ventrículos

na memória: martelos

nos olhos: uma paisagem árida

na boca: 1 selo

nos dentes: ódio

nas unhas: um vermelho com resquícios de tecido epitelial

na garganta: um fosso.

não vou dar conta de mim nos próximos dias. jurava ter guardado seu beijo em alguma compota com açúcar que chega doer o canto da língua. nosso açúcar. mas agora eu só posso chorar. só consigo chorar. me desculpe. mas eu preciso chorar por isso tudo. pelos maus entendidos. pelo que ficou pra trás. por aquele senhor andando na beirada da estrada. meus pulmões. sua perda. a mentira que toda essa gente fabrica e joga na vida da gente. os fantasmas de Matacavalos. nosso herói queimado em praça pública. minha alma febril e latente. a verdade que espanca, me deixa de joelhos arriados, fraca, suja e pequena. esse peito tuberculoso, ardil, traiçoeiro,malfazejo de andorinha borra-botas.

melhor não espalhar aos quatro ventos o cismo de felicidade. foram 4 graus na escala. contabilizo as horas pra que elas me caibam no bolso. limpando lágrimas calejadas.

Honey,

o mundo, estar vivo, significa algo.
E eu amo algumas pessoas. Violentamente.


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