terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PROCESSO E DIAGRAMAÇÃO DE NUVENS




Diário de bordo1.



as escolhas encaminham as decisões. ok. redundante e patético. teimar com a incapacidade do destino em me mostrar sempre a porta mais conveniente. onde se enquadram aqueles seus desenhos? vou me perguntando e preciso de respostas e soluções. depois reforço meu vocábulário. Aposto no vício. Sangro e vou mentindo. vou mentindo enquanto posso. Enquanto engano mantenho o arquiteto em equilíbrio. Preciso que um milagre te atinja em cheio. você seja tomado pela força criativa que Deus desencadeia nos mortais. como um raio. uma luz a pino que lhe toma pelos calcanhares e o eleva à tão almejada condição de matéria etérea. às vezes eu acredito em você. acredito sim. e às vezes você é o mais ordinário dos cães.



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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010




eu sei que uma hora tem fim. e eu não vou esperar me mandarem embora. pode ter certeza. testifico que cometeria qualquer loucura. mas chutada não. isso eu não aceito. ponham à mesa. crucifiquem o quando puderem. é sangue o que vocês querem?


saio antes, deixando tudo muito bem claro.


mas honrando cada ponto. suando em cada vírgula. rangendo dente por dente. eu sei que o ninho é sujo. algumas coisas a gente entende, mas não é obrigado a aceitar.




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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

nado peito

modalidade de sofredor. daquele que compra uma dor, vende cicatrizes, almeja um Merthiolate. queimando largada, encarando leões marinhos, serpentes subaquáticas, baleias oníricas. naqueles sonhos absurdos onde mato o ancião, desejo o mago, quebro a coroa da rainha no dente, estapeio o louco, afrouxo o nó do enforcado. acoplei a roda da fortuna na minha bicicleta. o pneu tá furado. alguns tem sorte, nós temos dor de cabeça. e penso que não adianta jogar no lixo boas chances. as verdades continuam as mesmas. toda essa dor, esse amor preso na boca, essa frustrada tentativa dum quase sucesso. nos meus trinta anos não cabem meias, inverdades. não cabe o amor platônico. não cabe o orçamento incompatível. sonhei que éramos titãs. daqueles que pesam em sonho como barras de ferro. efeito bigorna. plausível. as pessoas desejam nossos rins, fazem questão de esfregar nosso nariz no chapisco. querem nosso sangue, sua vingança cega, uma resposta, reação viva, bote rastejante. cuidado ao cortar-se. o sangue que esvai não volta. esvai.


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um beijo tônico. que deixa claro que poderia acontecer algo. mas não acontece. por má vontade política. por conspiração de anjos. por brincadeiras que não fazem sentido. nada mais faz sentido às 00:00h. substancialmente só. onde peso tudo. as toneladas de desejo. os castiçais de alvenaria. aquele amor que não morre. atropelado. escamoteado. lúgubre. que inventa as próprias verdades. que insiste. que às vezes arranha os olhos, abre comportas de céu que se derramam em prosaicas vontades. estanques. que não tem porto. não vivem. por falta de coragem. por inocência, talvez. Elas me estraçalham e arrancam tudo. me matam devagar. bebem meu sangue em vapor. não encontro ele ao lado pra me dizer uma palavra doce ou me convencer que minha dor é menor. ele fugiu com outra. me abandonou no meu altar.

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