quinta-feira, 23 de dezembro de 2010




eu sei que uma hora tem fim. e eu não vou esperar me mandarem embora. pode ter certeza. testifico que cometeria qualquer loucura. mas chutada não. isso eu não aceito. ponham à mesa. crucifiquem o quando puderem. é sangue o que vocês querem?


saio antes, deixando tudo muito bem claro.


mas honrando cada ponto. suando em cada vírgula. rangendo dente por dente. eu sei que o ninho é sujo. algumas coisas a gente entende, mas não é obrigado a aceitar.




***

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

nado peito

modalidade de sofredor. daquele que compra uma dor, vende cicatrizes, almeja um Merthiolate. queimando largada, encarando leões marinhos, serpentes subaquáticas, baleias oníricas. naqueles sonhos absurdos onde mato o ancião, desejo o mago, quebro a coroa da rainha no dente, estapeio o louco, afrouxo o nó do enforcado. acoplei a roda da fortuna na minha bicicleta. o pneu tá furado. alguns tem sorte, nós temos dor de cabeça. e penso que não adianta jogar no lixo boas chances. as verdades continuam as mesmas. toda essa dor, esse amor preso na boca, essa frustrada tentativa dum quase sucesso. nos meus trinta anos não cabem meias, inverdades. não cabe o amor platônico. não cabe o orçamento incompatível. sonhei que éramos titãs. daqueles que pesam em sonho como barras de ferro. efeito bigorna. plausível. as pessoas desejam nossos rins, fazem questão de esfregar nosso nariz no chapisco. querem nosso sangue, sua vingança cega, uma resposta, reação viva, bote rastejante. cuidado ao cortar-se. o sangue que esvai não volta. esvai.


***

um beijo tônico. que deixa claro que poderia acontecer algo. mas não acontece. por má vontade política. por conspiração de anjos. por brincadeiras que não fazem sentido. nada mais faz sentido às 00:00h. substancialmente só. onde peso tudo. as toneladas de desejo. os castiçais de alvenaria. aquele amor que não morre. atropelado. escamoteado. lúgubre. que inventa as próprias verdades. que insiste. que às vezes arranha os olhos, abre comportas de céu que se derramam em prosaicas vontades. estanques. que não tem porto. não vivem. por falta de coragem. por inocência, talvez. Elas me estraçalham e arrancam tudo. me matam devagar. bebem meu sangue em vapor. não encontro ele ao lado pra me dizer uma palavra doce ou me convencer que minha dor é menor. ele fugiu com outra. me abandonou no meu altar.

***

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010



não sei que hora, mas me arremessaram mil pedras > disseram que era para pagar algum mal > era pra tornar as coisas menos obscuras> menos estranhas> e entrei no banheiro para limpar o rosto, daquela falta terrível que senti de você. daquele medo terrível que não me deixava dormir. daquele sonho que deixei pela metade quando fugi. > sim. fui eu. quem abriu um vão no parapeito da sala e me atirei com toda força. não era para fazer ninguém mais ou menos infeliz. era pra fugir dessa confusão odierna. captulada. balbuciada. >das horas que você me anuncia uma carência boçal, absurda. que não quero explicar. >só me turvam os olhos e comem meus dias.


***

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010




se eu morrer de tísica, é pelo fato de não me preocupar com as pancadas de chuva, por não me preocupar com a fumaça dos automóveis e das chaminés bípedes acopladas a minhas vias aéreas, por não saber dosar, limitar, escamotear, subtrair, dividir, convencer e até mentir a tempo e a hora. a torto e a direito. que sinto um pesar nos flancos, um medo inconcebível de morrer e um ódio profundo por quem não me quer bem.

posso adiantar, que se isto se parecer com um testamento, minhas constribuições foram insignificantes para esta vida. e não se trata de uma falsa modéstia, trata-se de uma constatação. calculada. mais precisa que o grau de alcance das lentes de um atirador de elite. poderia eu morrer de vários males. levar ao caixão um bocado de bobagens>flores coloridas >mensagens e agradecimentos >hoje não >aqueles salgados e aqueles almoços subtraídos >a má percepção> o cão que me chutou na rua > a umidade diária >hoje não quero pensar na morte como possibilidade tangível. >preciso de ar.