terça-feira, 4 de maio de 2010

abóbora sagrada

é só um título de efeito. "já passou, já passou... como a sombra que sumiu.. atrás do muro.." sem explicar o contexto ninguém vai entender nunca. sem amansar esse cavalo louco, alvo como a neve. aqui dentro. impossível cavalgar. peço desculpas, é uma deficiência. quando as coisas falham. quando não tenho desculpas. eu peço um novo sol. queria ser consolada com afeição paterna. entendam, fui órfã este tempo todo. meus pais falharam. O Estado a Igreja a família são pesos insuportáveis. eu não precisava chorar agora. também não podia me espantar com fenômenos desinteressantes. ainda preciso apreciar o brilho da calêndula sagrada. da flor de Lótus. do imenso nada e seus exponenciais. às vezes eu não tenho pra onde correr. e não consigo transpor essa merencórea paulatina às avessas. me responsabilizo por cada vocábulo. acredite. tento traduzir. tento entender também. e fico no produto mal acabado. parece choradeira de nenê bobo. um dia páro de pedir desculpas ao mundo. isso é nojento.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

tato e cerejas


você sonha sempre com aquela doce história dos velhos amantes. eu. às vezes deixo escapar um sorriso. percebo que existe uma sede entredentes. traduzível. escolho milhares de vezes a mesma opção. um erro. como uma miragem. nos resolvemos. em sobreposições. arrufos e um leve delírio. corpo. matéria. plural. líquido. escapo com maestria dos inquisidores. são velhas, mordomos, sapos e megeras que espreitam a felicidade alheia. resolvi guardá-lo no mais escuro armário empilhado. local seguro. e nem confesso minha fraqueza. ao suspeitar qualquer traição. ao ligar fora de hora com o pulso em batidas vertiginosas. medindo cada decibel atravessando o tempo, ocupando o espaço. ao ficar com a dor do dia seguinte amansada por uma estabilidade gasosa. queria ditar vocábulos apaixonados em voz alta. ou mesmo telegrafar uma carta de amor. mas. mas. você não entenderia. preferi deixar-nos a sós. com nossa sede.
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segunda-feira, 26 de abril de 2010

processo e dor de cabeça


se você começa devendo a quem quer que seja. Deus ou a qualquer diabo, já é um problema. [conversa metafórica] eu vi o que você fabricou como modelo. senti a necessidade de catar uns milhos, alimentei as galinhas enquanto você piscava. não quero rir de nada pra não te prejudicar. acontece que mora um Deus no canto da pia. e você ainda não percebeu a gravidade presente no suéter de lycra da lua .[isso é muito brega!]. eu vou deixar você cometer toda sorte de pecados, prometo ser conivente com suas mentiras. e tentarei montar. grão a grão. seu Resort Planet. vocês riram demais enquanto virei as costas. a mão que constrói é a mesma que destrói[lembra?] tudo no presente do indicativo. e eu não vou dar corda ao que não me quer bem [cláusula primeira]. resolvi umas ingrisias. minhas. e comecei a não deixar as pessoas se tornarem responsáveis por minha imensa frustração. comecei a ver outras pessoas nas mesmas que vinham por aquela rua. e numa solução fácil desmantelei um monte dentes. reciprocidade seletiva. é tudo uma questão de quem tem a melhor virtude e qual a validade dos caninos de ouro em cada boca.
eu resolvi deixar umas coisas perdidas no caminho. talvez para conseguir preservá-las.
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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Deus na contra-mão


eu sei o que você quer. polaridade e contradição. nada relacionado a causas e efeitos. é uma questão vertical. divina. e a metamorfose que você tanto procura é mais simples do que imagina. nos livros não cabem libélulas. tampouco casulos e aovéolos luminosos. não nos ensinam nas escolas a tratar o tempo e a decantar flores. nem a banhar bebês e acolchoá-los com material sintético. lhe passam instruções e vetores. na frieza você veste um suéter da estação e liga o ar artificial. na escola tudo é muito simples. não lhe ensinam a lidar com os mortos. não lhe ensinam a ter uma boa desenvoltura social e entrar em acordo com seu destino (muito mal explicado por sinal). talvez eu me sinta desencorajada a abrir sapos e desmaie ao ver insetos em compota. sou fraca até pra convencer sobre as minhas necessidades. e quando ouço a voz da inquisição tremo de medo. com toda carga nervosa acelerada em potencial. talvez você também queira chegar no paraíso além mar. além do bem e do mal. talvez. você consiga extenuar essa descarga elétrica que lhe toma pelos ombros, desce aos joelhos e dilata vasos sanguíneos. já ouviu falar do suor sagrado? da mão pesada de Deus? do olho que tudo vê e d'aquele que tudo sabe?

você quer on.i.presença. talvez você queira ser Deus.

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