segunda-feira, 5 de abril de 2010

criado mudo [n]






o silêncio de Deus. são o que os criados mudos me lembram. lugar comum. móveis prostrados. uma espécie de estupor catatônico. talvez uma queima de arquivos resolveria metade dos meus problemas. ou matar os criados mudos prostados ou em estupor catatônico. irritantes. atear fogo. quebrá-los. talvez mudá-los de lugar no quarto. utilizar figuras de linguagem correspondentes aos segredos das gavetas. a idéia nem é minha. os criados também não. mas eu gosto da figura e me identifico no silêncio. posso? obrigada. quando eu apostei na máquina da sorte não conseguia antecipar por imagens e tampouco tinha uma boa resolução da realidade. sempre preciso parar. quebrar a cara. sofrer algum infortúnio. chorar umas misérias. calçar os mesmos sapatos. concluir as mesmas tarefas. ter a mesma fisgada no fígado. uma série de previsibilidades. perseguida por uma chatice inebriante. ele é de aquário eu sou de peixes. existe parafina e óleo nos dentes. nos olhos. nas minhas roupas. está tudo envernizado conforme as instruções. peço que me deixe em paz este demônio. e peço que quando Deus mandar suas provas e congratulações verifique a validade na embalagem. ando perdendo prazos. ando perdendo dentes. e sonhando com um futuro não muito distante. que todo opressor leve em consideração o saldo de tapas de seu objeto masoquista. para que não haja injustiça. azia. fogo. libidinagem. sabotagens. etc & Cia. E EU CANSEI E NÃO QUERO MAIS. meus sonhos me mostram coisas que não conseguiria enxergar em horas normais. acredito piamente nas nuvens.



terça-feira, 30 de março de 2010

confissões de Safo

[por meus remédios]


se eu confessar minha traição, posso morrer sufocada em paz? e se eu deixar um filho acontecer por culpa do acaso, você vai me perdoar? onde eu enquadro tanta mentira? onde eu deslizo como sorvete por algum campo de areia? tocam violinos solitários. um som que emerge do chão.
[...]
apostas e perdas irreparáveis. vocais, plural e o peso do decassílabo errante. resultado de uma operação trigonométrica passional. just simple, my dear. existe uma sinfonia de grilos embaixo da minha cama. eles montam inquéritos fraudulentos. defendem teses sem utilidade. pelo gosto do julgo. da moral. da classe. da técnica. da assepsia. tocam jazz. muito alto. estes grilos não me deixam dormir. não me abandonam também. grilos e vagalumes. são às vezes amigos de confidências e sujeitos exilados. entendo muito bem a decadência de cada um deles. ponto a ponto. pernas e pontas cortantes.

[...]
também preciso parar de investir no discurso enfadonho. estúpida inanição fabricada.
minhas contas acumuladas. meus discos de rede. óbvio ululante sem esporas.
preciso do amor incondicional da puta. da entrega sem precedentes. deixo a conta e os méritos arriados junto às calças.

e eu perdi o fio da meada. pois eu paro. continuo. quebro. volto. e nunca vou.

[...]à merda!

sexta-feira, 26 de março de 2010

vírus


espalhei vários. medo. recebi notícias. fúnebres. saí na chuva. sem proteção. talvez precise tomar conta de mim. melhor mesmo. mas e se nada disso der certo? paciência. e eu tô aqui espirrando desesperada no aquário de ar. com raios que acordam uma cidade durante a madrugada. um amante incopetente que nem pegou meu nome na lista. preciso de colo. e me recuso a dar o braço a torcer. preciso antes ser consolada. que eu leve o refrigerante. amém.

segunda-feira, 22 de março de 2010

"ainda sinto frio [...] que bom!"

"...meus olhos se escondem onde explodem paixões[...]"
(não sei quem é o autor)




de início começo a me perguntar por onde passei e quando adquiri estes botões na blusa. e causas infundadas. e toda fuga. me deparo com uma vertiginosa paisagem. uma torre. sol. chuva e clichês. e sachets. muitos e de diversas cores. comecei a me preocupar com o veículo empregado na fuga. a me culpar por não corresponder aos desejos alheios ou simplesmente por deixar cair na poeira o que a tanto tempo eu sustentava imaculado em algum altar. também cultivo flores. e me entrego sem garantias a estranhos. confesso ser uma displicência este viés nos meus olhos e um deboche essa loucura encarcerada entredentes. mas acontece que se você se vale de armas. antes em guerra que a palmos contados abaixo do nível de algum mar. [morto] e quando você não me responde. ou simplesmente me abandona e não volta. me assusta um pouquinho. esses caminhos mal medidos. essa conversa com oráculo de óculos. a velocidade. a luz. os efeitos. a fumaça. a confusão. a lei que emerge do caos. e essa falta absoluta na cabeceira e nas manchas do lençol. eu perdi tudo. perdi meu pai na primeira infância. perdi meus dentes. perdi meus olhos. perdi valores. nem sei quando você vai me ligar. isso aqui poderia se tornar uma carta de amor. acontece que não tenho tempo pra investidas e mergulhos tão perigosos. continuo jogando no ponto morto pra conseguir fazer a passagem. continuo esperando o maldito telefonema. o convite. a salvação que chega a cavalo. o cálculo da necessidade metrada. eu seguir pra lugar nenhum. enquanto me restam umas moedas. um chambre e uma chícara descascada. minha cozinha continua uma bagunça. e não tenho previsão de volta.

quarta-feira, 17 de março de 2010

felicidade made in Taiwan


então eu vou comunicar a Bangkok que nossos mísseis estão à postos. e também oriento uma série de formigas em estado catatônico para o campo de batalhas. vamos interá-las do assunto. vamos convencer formigas a entrar em cobate sem medo de perdê-las em batalha. talvez eu também consiga sair do lugar e migrar. um estado de coisas. um país de maravilhas. preciso concentrar o caldo em fervura. também preciso conectar-me a uma instância de paradigmas extratificados e colisões entorpecentes. pés no chão. preciso de terra e ar. meu peito reclama uma falta cronometrada. eu ainda tento explicar o motivo das gretas no sofá e a viagem ao centro da terra. eu ainda insisto numa distocida imagem gravada da realidade. eu ainda insisto em não ter por quê, nem onde, nem como. talvez isso seja errado. tento curar um mal da forma errada. e isso pode me render dores de cabeça.
bem-vinda à vida adulta mademoiselle.
[...]

terça-feira, 16 de março de 2010

atitude contemplativa


então encaro um belo efeito de clima. mudanças de atmosfera. ou mesmo um senhor parado à porta observando movimentos naturais e suspeitos. talvez ele esteja esperando alguma coisa. ou alguém. desconfiar é preciso. já dizia o poeta.

segunda-feira, 15 de março de 2010


...temos três bilhetes. um filme noir. uns pandas na geladeira. e foram engavetadas todas aquelas gravatas italianas. por que você gosta de linhas e cores. e também um bom suspensório. toda obscenidade está plastificada de acordo com as indicações da embalagem. estamos a três passos da estação e me lançam poeira nos olhos, pra que eu insista em tatear o asfalto. past tense. ...
queria perguntar onde você quer chegar. mas acho que a hora tinha vencido. e os prazos não esperam. e meus hieroglifos[´] não respondem. sem falar dos segredos. vou tentar explicar. entendi quando disse da necessidade de aprofundar ou mesmo estreitar uma relação profissional. até então é ótimo. gosto também do gosto do dever. entendo sua sede. sua fumaça. canto uma nota errada. e não tenho a senha de acesso. pisco em sinal de socorro. respiro e vejo uma quina e nenhuma saída de emergência para casos de incêndio. e meu final é mal resolvido mesmo. talvez você queira decidir algo que não passa por você. onde estamos e queremos chegar soa fácil e tem baixa rotatividade. ainda não encarei os dentes de Sabre na sala. acho que preciso dormir sobre uns livros. preciso também passar por umas masmorras despuradas. vamos encaixar nosso quebra-cabeça. brincar de infância. vamos novamente pegar nossas redinhas e enclausurar umas borboletinhas indefesas e muito coloridas no quintal de casa. o problema mora aí, querido felino. estamos no quintal de nossa casa. ainda não quebramos uns muros correspondentes e tampouco colocamos olhos mágicos no portão. servimos um desejo inconsolável. usamos uma retórica sem subterfúgios dignos. e ser persnóstico é quase uma imbricada entre cafezais e moinhos amante[i]gados. entendi sua empolgação e adorei o novo vestido. procurei de manhã a vertigem e ela estava lá. me esperando no ponto de ônibus. com grilos falantes e tudo mais. então resolvi parar de sonhar com acréscimos de afeto. e necessidades estúpidas do que não sinto de fato. e nem sofro. nem sofro mais. confesso.
só me conta depois como vamos fazer com todo aquela poeira debaixo do tapete. antes que venha a cruz vermelha e nos retire do sagrado lugar dos convivas de plantão.
eu também não sei o que deve ser feito. preciso balizar uma série de boletins de ocorrência e embalsamar umas múmias. minha rotina táh cada dia mais estafante.
angariando uns graus na escala Richter.
ainda gosto da sua confusão.
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