terça-feira, 2 de março de 2010

operações e milagres.


talvez eu esteja brincando demais com coisas sérias. eu vou tentar uma vez mais tocar meu verbo na estação. outra vez priorizar o irrealizável. cansativa esta cadência. monótona. vou polir uns canhões. vou. viajar pra bem longe. ouvir aquela musiquinha mansa que é capaz de me tirar um ciso. a embriaguez dos bêbados. dos perdedores. a fortuna. a maior riqueza. mãos pés dentes intercalados. memória. espasmo. mármores & granitos. pedra cuneiforme. sabão. material de limpeza e meias embaralhadas. minhas opções e minhas culpas enlatadas. meu senso crítico defasado. minha circunspecção à deriva. eu não estou calada por nada que esteja em desacordo. ando conivente com a ordem estabelecida. só preciso receber a onda e devolver a ressaca. assunto de bêbados. mistérios e zombarias. onde você entra e deixa pessoas e casos tomarem conta da via de navegação imagética que não é sua vida. assunto místico. meus sapatos estão adaptados. agora encontrei umas agulhas. posso costurar episódios. saltar de algumas quinas. e até dispensar dissabores. não pensei antes. uma fuga calculada. uma tempestade pra chegar. talvez anime umas forças em potencial. escandalize. vou tomar chás e atitudes. calcular. centimetrar. articular. talvez saia do ar. [STOP.PLEASE].

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ando escrevendo cartas


a um desconhecido. só pra sentir o sabor do tempo. conto milhares de bobagens. conto o que não consigo falar às pessoas de meu convívio social e ou familiar. eu vou contando coisas que nem deviam ser ditas. ando procurando uma poesia. um libelo de pensamento. uma frase de efeito. um deserto. nada certo. só conjecturo em tetos possíveis. cometo calamidades e estas me veem à porta logo cedo. vou usando metáforas. esquálidas. também remeto-me a um passado longínquo com barro, sais e veneno de barata. à vezes eu consigo acordar bem. escrevo. às vezes o tempo me é matéria. fico somente observando a passagem. leio umas inutilidades. aspiro outras impossibilidades. ok. eu não ando bem da cabeça. talvez um dia o conheça. o destinatário.



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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

ponto final.


alguns se deprimem ao esperar o que não vem na última parada do trajeto [talvez seja uma tentiva]. ok. estou de partida. larguei de lado você e toda sua complicação. vou incendiar um tango em alguma plataforma móvel. vou trocar bilhetes por maçãs verdes. vou atirar no vigia em alguma madrugada. vou engolir tudo o que tinha ensaiado pra cena fatídiga. -pra mim, chega! como pra você 'se um não quer dois não brigam', então acredito que você não vai se importar. pode acreditar que outra igual a mim você vai ter bastante trabalho em encontrar. com minhas bagagens sobre os pés você já pode começar a acreditar que não volto. -não te quero mais. não quero me sujeitar a nada e a ninguém. entenda que acabou. que eu tento correr com o relógio pra te deixar de lado. sem garantias e pertences sem valia. posso aglomerar uma série de pontos de fuga. posso mudar de estação junto ao sol. minhas luas com suas cores eu coloco no penhor. me atiro à frente dos automóveis pra tentar chamar atenção. amor suicida excêntrico. segredos corruptíveis. em eterno estado de vigilância. cansei de testar meus limites emocionais. cansei das sessões de eletrochoque. evitei tanto voltar. evitei o quanto pude. vou colecionar mais uns dias tristes. engomar meus vestidos de malha e algodão. posso queimar diversos cigarros e contar umas mentiras planejadas com requinte de crueldade. critérios irrevogáveis. desculpas veladas e mortas. hoje posso ir dormir sem te esperar. não sei ainda quando o alívio vem, mas eu acredito que a escolha foi acertada. vou voltar a ouvir as músicas que falam das coisas que passam pela minha cabeça. às vezes ficar feliz é perigoso.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

talvez precise encarar o monstro.


quando você me pegou pela cintura pensei que havia assinado um contrato de posse. preciso desacreditar. preciso abandonar essa mentira. minhas palavras não cabem. poucas coisas e meios podem traduzir toda fossa que se tornou minha inútil merencórea locomotiva de vida. de merda. acentuando uma dor aqui. contrapondo uns deslizes alí. eu precisava não descer do salto toda vez que sinto que estou perdendo. você já se cansou de insistir. eu entendo. também preciso arrancar saldos positivos pelo dia pra conseguir traduzir uma dor no ombro. eu andei perdendo a cabeça. eu precisei fugir pro meu 1/4 de espaço reservado ao delírio. eu precisei também tornar a dor e o café mais amargos. precisava sentir o gosto da sua mentira. precisava alcançar o teor no suor de homem e mentiras de meia idade. me tornei talvez um montro acomodado com o lodo no fundo do lago. talvez um utilitário doméstico que não funciona mais. nós deixamos a surpresa debaixo de alguma vasilhinha decorativa de cozinha. perdida na sala ou qualquer outro cômodo. não vou conseguir associar sua imagem a algo que me provoca inúmeras reações adversas. eleita por maioria e voto único: [1]ciúme. estou sem dormir. passo o dia secando imagens. revelando estados oscilantes de muito ódio e devoção incondicional. talvez esteja obcecada por uma mentira. e você me avisou. eu sabia. e fui mergulhando sem respirar. fui perdendo o ar de repente fui morrendo em algum fundo. e não consigo escapar a tempo. precisava de você aqui talvez me abraçando, me dizendo que as coisas ficariam bem apesar dos acidentes. dos guardas e dos passistas. do telefone tocando e ao fundo aquela múica triste falando de solidão.
preciso parar de exagerar no sofrimento. engulir a seco. deixar você ir embora. calar.
só deixar a música acontecer e o telefone tocar.
preciso entender que acabou. e desta vez é de vez.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

to understand that just...


tentei cifrar denovo aquela música nossa. coisa de adolescente década de 80'. imagina o desconcerto da criatura. ok. você me tratou como se algo já não surtisse efeito. nem nossa música. nem minhas investidas. essa ilusão idiota de alguma coisa fantástica por acontecer. aprendi com você a tentar escutar o ronco dos motores sem pensar nas toxinas. só pela melodia do asfalto. vamos estabelecer limites seguros. onde escondi o choro até hoje ninguém descobriu. pode deixar. eu perdoo toda agressividade. perdoo toda sua incapacidade. perdoo até o abandono da Lady. perdoo muita coisa em você. talvez eu tenha esquecido de investir no produto barato que se tornou minha pele. meu couro anda valendo menos que jujubas açucaradas em canto de terminal rodoviário. é que ontem anoiteceu mais cedo. parecia que o céu me tragava com uma itensidade que nunca provei antes. alguma estrada perdeu destino e parada enquanto regava sua muda quase morta. esqueci de colocá-la no sol e pensei que depois que passasse esta chuva boba, você voltaria sorrindo pra mim. ledo engano. onde tudo acaba. preciso respirar. preciso entender muito de você. e preciso parar de insistir numa love history. você não vai me perdoar nunca. eu ando tentando criar um lugar seguro pra gente. ando tentando defender umas ironias necessárias. ando perdendo alguns pertences. ando esquecendo dos motivos, das razões, das desculpas. ok. eu entendi. toda essa novela pra você me dizer que não me quer mais. eu entendi. pode deixar. isso da gente acabou mal começando. volte você pro seu campo de batalha e soldadinhos de chumbo e volto eu pra latinha de doces. sem valia.

"prenez son de vouz" outravez.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

o que sobrou.


ou enquanto consigo escrever.
aos meus pais, que muito foram irresponsáveis, e às minhas tias do colégio.
na minha cabeça existem dois tempos. um passado estranho e um presente alucinante. movido a café. graças a umas pequenas delicatessen's de memória. minha famíla vai se esfacelando como num passe de mágica. ontem visitei 'a velha casa do engenho' como Dom Casmurro. tentei olhar pro fios aglomerados do poste da esquina e lembrar dos curtos-circuitos que me deixavam com muito medo quando era criança. me apavora a escuridão daquela casa e a idéia de ter ido pela última vez naquele lugar cheio de passado e fantasmas reais. minha mãe sempre afirma que somos mulheres fortes. é uma família de mulheres muito fortes que saem à procura do que precisam sem medo. mulheres de coragem. uma virtude que corre nas veias. algo assim. ainda amanheço procurando estes vestígios no pulso. tudo aquilo revisitado. página de passado. coisas que pedem final. a loucura da minha mãe é tão grande que todos a abandonaram. parece que de caso pensado. como num acordo. eu vejo uma mulher de meia idade aflita e sozinha. e pior que pena, vem a maldita compaixão. e eu que não sei dizer não. caio na rede. um peixinho desolado. sem pai. feito Nemo mesmo. toda sacralidade do passado. tudo aquilo embalado em folhas de jornal encaminhados em caixas de papelão. num lugar só de tristeza. não é possível convivência. e vamos deixando de lado tudo aquilo.eu. minha infância perdida. minha insistência em preservar uma lata de doces de quando minha avó era lúcida. todo drama de uma morte prematura. todo pó. toda sujeira. toda maldição lançada pela vizinha. e não me venham com um "pra onde vocês estão indo?" que a resposta é curta e grossa: -não sabemos.
digamos que seja um exílio do passado. talvez a dor do luto. talvez a incopetência do presente. uma série de fatos, transposições de tempo, ocorrências casuais, afetos, apegos, uma única porta de saída. ontem saí 'de casa' chorando. tinha a serenidade de uma tarde de domingo caindo num belo céu de duas cores. talvez a última.