quarta-feira, 26 de agosto de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
um copo de medidas e três facas

pra amenizar, vou dizer que as facas são de mesa. não gosto de ter que usar meu tom de ameaça.
ao conversar com ela outro dia, percebi que ainda alimentava uma esperança. é um desejozinho delicado, uma fé de faca cega. a luz enquadra um take de filme. documentário confessional. sujeito a um pulso cortado. poesia de subterrâneo. e umas aliterações. A mágica presença das estrelas (vide Mário Quintana). uma ode ao não dito. ela sonha com papéis voando na redação. com relógios que explodem. um chuveiro ligado toda uma vida. uma língua na mesa. produto de corte. faca de mesa. uma boa medida na vida. um copo quase cheio. uma vida com plantinhas na calçada. só uns minutos de silêncio.
sábado, 22 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
por um marshmallow

consegui outro dia:
um pedaço de terra. uma tira de céu. framboesa murcha. sililóquio amanhecido. um dois trê tiros. palmas de algodão. chá de melancolia. morango frito. salada de lagarta. saltar o equivalente a minha altura. salgar um peixe. catucar o fundo de um poço. secar uma lagoa de lágrimas.
tornar-me pequena encolhida no canto da cama. chupar uns limões fazendo cara boa. fazer uma limonada da vida. soltar o cabelo. gostar de alguém. morrer. ressucitar. emagrecer. ir embora. andar & cagar. cegar e arrumar um parabrisa. chatear uma mosca. subir uns telhados. colher umas libélulas. saquear um monge. envelhecer de causa e morte natural. jogar serpentina. carnaval em velório. cuspir meio metro além. vomitar a janta no café da manhã. fazer feio na congregação. tomar veneno e não morrer. prender um passarinho. arrancar unhas e dentes.
sapatear em parede-de-meia. chorar a morte de um estranho. não me importar. desejar um fim menos trágico. cair na lama. sujar meus sapatinhos brancos. entortar minha bailarina. querer morrer pra não ter que suportar mais isso tudo.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
o trem que vai com meu avô.

quando era pequena. do tamanho dum botão. numa caixinha mágica guardei uma delicatessen. um fragmento de memória. filete de lembrança. meu avô e seu último adeus. era interior de Minas. terra vermelha. férias de escola. ele se trancava no quarto pra ouvir música sertaneja. cuidava da criação no pasto como se fossem seus filhos. na vila do adeus. um lugar que nem volta mais. estrada morta. meu avô ficando pra trás. o trem na estação. movimento e fumaça. vertigem. saudade flutuante. ouvi uma balada triste cantando Romaria. minha mãe chorando. minha mãe não chorava na frente de ninguém. igual a ele quando se trancava no quarto. viu seus filhos casarem. teve um filho morto de acidente. verdade em vida. uma camisa e uma dentadura pra ir à rua. um par de sapatos novo. chinelas e uma bermuda rasgada pra trabalhar no pasto. não sabia rezar pra Deus católico. casado que dormia em quarto separado. e minha avó que perdou a traição, mas não aceitou o homem. o Zé João faz uma falta fatigada. céu que desmaia. foi infarte. um barco de saudade fulminante, daquele velhinho limpo de cabelos brancos.
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