quinta-feira, 4 de junho de 2009

saudade de um lugar


óh que saudade de Ouro Preto! aquelas ruas frias, o cachecol necessário, os ladrilhos, a névoa, aquele aroma de coisa quente sendo preparada, as cobertas pra cobrir o frio de uma noite, os arabescos, curvatura barroca, falta de ar, magia de luzes em uma cidade que não é de ninguém. quero levar meus melhores amigos, quero beber até amanhecer, quero aquele frenesi de gente sem pai e mãe por perto. calor e simpatia mineira. é lá que eu sinto a pior das solidões, que eu encontro os loucos, os pederastas, as ninfas, amigos emprestados, estranhos exóticos, alternativos sem causa, misantropos assindéticos, misoginia bélica, anfitriões de galeria, becos escuros, subterrâneos que não existem mais. delicatessen. souvenir. capuchino. geléia de amora. lanche no fim de tarde pra aguentar o rock. horas que caem. o sino da praça central. a forca de Tiradentes. meus pedaços em cada lugar daquela cidade. uma escadaria com abrigo. um homem fazendo companhia. histórias sem fim. aquela cia de atores da rua. missa. procissão. excesso. o que me hipnotiza nesse lugar é o poder de parar no tempo, seu céu azul gelado, brisa seca, pôr do sol, friozinho no estômago.
Ouro Preto não tem mar, não precisa.



um dia eu volto...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

ESTRÉIA

enfim. chegou e passou o grande dia. queria deixar um depoimento.
a prova de fogo foi ontem. mamãe tava na platéia. eu chorei feito um bebê
no final. eu abracei minha mãe muito forte. gosto de minha mãe demais da conta.
eu devo muito a ela. devo a paciência que ela teve e a onda que ela segurou quando
estive fora, bobeira é não viver a realidade, bem que se quis..depois de tudo..ainda ser feliz...
mas já não há caminho pra voltar.. e o que a gente fez da nossa vida..

ahhh vida doida.

e bandida.

tivemos uma bela estréia ontem, todos estávamos ansiosos, e o desejo de provar uma platéia
era deicioso. Estamos na loucura e correndo contra o tempo e intempéries. Nem um evento fora de hora conseguiu atrapalhar a gente. Entrar como leões, assaltar a platéia, arrancar sorrisos, carregar elogios, angariar outra posição, outra postura, queremos transformar, queremos fazer, e ir além, avante. Que tenha dor, tenha tato, cheiro, cor. Faremos. é uma questão de honra. é nome em jogo. é qualidade. loucura. é imprevisível. Presente. Angustiante. Torcida. Expectativa. Leitura multi. estaca zero. altos vertiginosos. alucinação. delírio mesmo. Necessário.

assumo minha vontade e minha escolha.

valeu a pena mãe, valeu cada domingo perdido de almoço em família,
cada noite dormida fora de casa, cada minuto, cada investida, toda dor,
toda alegria, nós escolhemos isso pra vida, e é muito sério.


obrigado a todos que estiveram presentes.
aos que virão.
aos que passam.
aos que ficam.
aos ouvintes.
aos amigos.
aos parentes.
aos funcionários.
a todo o mundo.


teatro: faço porque gosto. hehehe
pra amar o mundo como ele é.

terça-feira, 19 de maio de 2009

nada mata mais que a angústia da véspera.


título extenso. nada muito importante. sim, nós temos um compromisso. uma vez me disseram que isso era possível. eu acreditei. continuo acreditando. e agora penso que minha vida não seria a mesma / precisava esbarrar com você a uns anos atrás pra entender isso tudo. hoje.


não atraio a confiança de muitos, eu sei,

não sou metade do que dizem por aí. eu sei.


às vezes eu só sinto a fadiga da caminhada.

eu surto também.

assumo fraquezas que ninguém vê.

ando km's

engano o tempo.


às vezes eu não consigo segurar o choro.

e eu preciso chorar agora.


mas não consigo mais ser forte, como você gosta,

e nem consigo mais me colocar no seu lugar.


observo aquela senhora sozinha

encantada com seus fantasmas.

os cria com tanto afinco.


Existem pessoas que sabem demais sobre mim.

já é notícia, eu sei.


queria nascer homem.saber-me forte. querer-me cega.

num lodaçal que afoga. um pântano. paisagem extratípica.

ser lata. metal. fria. dura. cortante. noite.


não sei te esperar sentindo você me escapar pelos dedos.

quando você disse que a sua mulher não te queria mais,

não soube o que te dizer

meus clichês bélicos?

tenho uma foto sua guardada. muito guardada.

é medo. de ter você de verdade algum dia,

alguma hora, não sei.


você ainda tem aqueles olhos de bicho que apanhou,

de dor inflamada, de mal algum, mas o mundo gira.


eu te ligo e você não ouve.

eu confesso, e não tem perdão.

eu mato.sem censura.


eu tô na merda.

estado crônico permanente.


animal engaiolado.

vida encenada.

cabelo esquisito.

virgem com 30 anos.

cacete.

boneca de cera.


coisa de mulherzinha.

pieguice de mulherzinha.

é isso.


não quero voltar pra casa.

não quero minha família.

não quero minha vida.

não quero parar agora.

tem chuva correndo o vidro.

tem vírgula em lugar errado.

preocupação inútil.

fome.

círculos. ciclos. meandros.

lugares perigosos.

rasteira.

nem consigo mais me manter de pé.


vontade de chão.

atravessar o chão.


viver a uns metros abaixo da superfície.


desejo de morte.

paixão.

dor,

nó.



ficar sozinho às vezes não é bom.



hoje são 19 de maio de 2009.

mágoa, incrível vontade de chorar.


sou uma pessoa que muito trabalha e não sabe e não responde por amanhã.

é melhor não confiar mesmo.