quinta-feira, 26 de março de 2009

alegria escancarada

queria dizer que embora não haja tempo, nem espaço, um abraço serviria perfeitamente nessa inquieta vontade de te ver denovo e ser eu denovo.

ontem naquelas ladeiras, hoje abaixo do nível do mar, amanhã nem sei se vai dar pé, mas peço a Deus um pouco de malandragem pra conseguir abandonar tudo e fazer o que quero. Ogum abra as portas da oportunidade de trabalho como palhaça. e que aconteça segundo sua vontade toda coisa que me for cabida. peço alegrias, coisas boas, bençãos dos céus, livramento do mal, da perseguição, do abandono, da tortura, da crueldade, quero o lado mais doce das pessoas, a alegria e o sorriso mais sincero, o amor da platéia, o amor ao ofício, a boa ventura de safra e colheita, o pão quente na mesa, o aconchego do lençol, a pureza das oliveiras, o jarro do melhor vinho, a roupa limpa, a alma também, desejo, o mais nobre, a transcendência mais sublime, a vitória mais dura, a carne mais saborosa, o sorvete mais gelado, o homem mais nú, aff, tô aloprando.

hoje tem Marcio Libar em Vila Velha.

esse cara é muito importante na minha vida.

segunda-feira, 23 de março de 2009

cena de filme brasileiro


turminha no parapeito, comentando uns detalhes sórdidos, a vida ordinária, a fome acesa, tudo isso com um belo blues de paisagem. foto. alguma felicidade fugidia. gosto dos meus novos e antigos amigos. a vida te surpreende tem horas. principalmente em fins de tarde caprichosamente desperdiçados.

terça-feira, 17 de março de 2009

El dia que me quieras..

(da série: falar de amor é brega, mas é bom e dá dinheiro).

"...com certeza vai ser tarde, você andou perdendo seu tempo no saguão do hotel. eu disse que era tarde. não vou lhe cobrar toda dor que você causou, fique tranquilo. não há moeda que pague. você também não precisa se dar ao trabalho de ir no meu enterro, na lápide estará escrito com todas as letras "fulana, aquela que morreu de amor" você não será citado. como a vida e todo o resto foram cruéis. ela não suportou a pressão sanguinea. bateu as botas. tão cedo. sim, se morre de amor..."

segunda-feira, 16 de março de 2009

La vida es linda, Pibe,




o tumulto que ocupa meu peito não dá espaço à ausência.
sem circunstanciar a dor. estamos atravessando o Lago Bolchevique
balas no céu. tiros no escuro. figuras repetidas.
perdição momentânea. precisamos conversar, Pibe,
preciso lhe contar a magia do inesperado.
preciso me desfazer do caminho roto,
da sujeira grudada,
da dor presumida,
do medo oportuno,
da rua deserta e suja,
da poesia na esquina,
girando, girando, girando
assegurar-me de nada,
descansar
contar uma história falsa,
fugir da polícia,
beber no bar mais sujo da cidade
contemplar tão-único-somente
contemplar teus olhos curiosos, Pibe
contar-lhe como ando cansada por aí
pois tive passado limpo
e agora me assusta o vazio
estamos tocando um tango
ando dormindo pouco
correndo muito
ainda servem a tua bebida naquele bar,
tuas histórias de fantasmas são engraçadas
me embebedam de medo
lhe disseram algo sobre a dor daquela mulher de vermelho?
todos os dias no mesmo homem.
quando ele disse que precisava se casar
ela fechou os olhos,
guardou a única lágrima que conseguia naquele momento
e numa rima fácil
entendeu que amor também é dor
e dor de amor não tem cura
não cicatriza.
lhe embebedam os flancos
sai tropeçando na própria estupidez
mujeres vermelhas são estúpidas, Pibe
mujeres vermelhas amam em demasia
pertubam e sofrem mais que cães abandonados
no canto dos olhos ela guardou a lágrima
pra um lugar escuro, onde tocava um tango
melodia reincidente, por una cabeza
perdeu-se. por completo.







segunda-feira, 9 de março de 2009

algo sujo


poesia satírica, bebida ácida, delírio na madrugada, desejo de morte, perigo, adrenalina, pulsão, a idéia é sobreviver até depois de amanhã. MAnhã. vitrine. asfalto. R$1,40 na padaria. calor. asfalto e céu. bueiro e chão. calma. 15 minutos não mata ninguém. atraso. é o 365° do ano. precisa prestar mais atenção mocinha. mocinha? esquece.
onde você passou a noite? -não interessa. com quem? -é da sua conta? até parece minha mãe.me deixa. ou melhor, não me deixa não, mas pára de olhar pra mim do jeito que você tá me olhando. me incomoda.
que dia é hoje? -algo como uma coisa antes de amanhã e depois de ontem.
que horas são? -a mesma de ontem nesse exato momento. (raivinha)
uma vontade que não se controla. uma pessoa muito perdida. alguém que perdeu as chaves de casa. portão trancado.
-alguém já falou pra você que toda essa cortação de volta pra não dizer nada é irritante?

-não..ainda não.

eu levei sabão por uma coisa que nem aconteceu ainda. o problema é todo meu não é?

então tá. eu vou procurar um remédio que resolva a exaqueca e vou continuar indo pra não sei onde até onde for possível. não preciso da tua má vontade nem da tua arrogância.

pode deixar. alguém já falou a você que você não é Deus? desce do salto. Senhor Lebre.
sua crueldade com molho de pimenta e dose de naftalina cítrica não me embebedam mais.

bléh! :l