quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

-você não me engana


é o que minha mãe diz no auge de sua sapiência quando reconhece um problema em mim. me conhece como a palma de sua mão,sabe de cada coisa que eu seria capaz de fazer só me olhando bem fundo nos olhos. Ok mãe, você venceu. não sou aquilo que pensam que sou. minha crise de identidade tem maiores nuances. é menos rasa. eu gosto de aparecer mãe, também gosto de barulho pra não ouvir o que se passa dentro. também como desesperadamente pra aliviar o vazio. de alma e estômago. mãe, você sabe muito bem que me arrisco em saltos no escuro, que estou latindo pro cão da vizinha, que fumei maconha estragada logo na 1ª tentativa, que não fui feliz o quanto devia, que gosto daquelas manhãs que todas acordamos juntas e começamos a conversar e colocar nossas notícias em dia. Você sabe mãe, que agora eu preciso crescer, que enfim chegou minha hora de ir pro meu sertão de imaginação, pra minha lavoura inventada, pro meu cantão de Deus me livre. Você bem sabe também a falta que eu sinto daquele abraço de verdade de tempos bons.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

complicada e perfeitinha


respondo pela 3ª pessoa. ela. que chateia até dizerem chega. -ontem passei muito mal, quase morri, sabia? só não queria contar enquanto acontecia por que não queria chatear... ninguém.

ela percebeu. olharam daquele jeito denovo, ameaça ao telefone, olharam com aquele desdém de quem não quer comprar. Nunca precisei disso pra viver. Enquadramento. Alguém viu? Aquela menina de olhar triste e perdido se lançou dum desfiladeiro sem precedentes. encontraram na queda além de muito sangue, um bilhete em branco. Disseram que seria uma carta de amor, e toda aquela gente se aglomerando, e todas aquelas vozes, todos aqueles sapatos sujos de sangue e terra de cemitério. Disseram que era uma carta de amor. Romantismo fora de questão. Só o pavor da queda em altura. Alguém que morreu veio pedir conta.. Querem que você dê uma de que não foi com você.


ela sorriu no canto da boca. esquerdo.


aprendeu a lidar com desprezo e indiferença.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

dreams




só faço o que posso, justifico a insônia contando quantos passos preciso pra atravessar uma Avenida movimentada. Quando o sol se revela no dia, clareia alma, pensamento, gesto.


Tenho uma superfície madrepérola, janela da lua.




Uma vez conheci um cara nordestino, que respondia por Ceará, apelidado carinhosamente por seus colegas de trabalho. Vinha do árido sertão, contou com uma emoção que não sei definir e aquele sotaque original, tipo num flash de filme, quando ligou pra sua mãe pela primeira vez depois de sumir de casa (nas suas contas faziam sete dias):




-Mãe! Alô mãe!




-Meu filho! Onde cê tá, meu filho?




-Mãe, eu tô em Anchieta, ES.




-meu filho, vem almoçar! a comida tá pronta, cê tá bem?




(acho que ele quase chorou)




-ôh mãe, num vai dar pra ir almuçá não, eu tô longe demais mãe. É outro estado.




ele me contou que depois que saiu nunca mais voltou praquele lugar, nem tinha vontade de voltar, saiu de lá na cara e na coragem. esse cara fez acontecer, nisso ganhou minha admiração.




é só isso que eu tinha pra falar.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

já faz uns 4 dias que não durmo em casa. ando movida a gasolina, com aquela mesma idéia assassina na cabeça. perdi a paciência com psicologismos de merda pra aceitar o outro.
não durmi o suficiente. desculpem a frieza. se de lá pra cá a sorte que me escapa sempre, der um sorriso, quem sabe...

passou uma ambulância, era tarde, aquele velhinho que estava podando a árvore deu seu último suspiro num infarte. humanos estão suscetíveis à morte.

uns toques fúnebres. morte pública. aglomeração de curiosos. não tem graça continuar escrevendo. alguém que eu nem sei o nome acaba de morrer caído de uma árvore, a uns 100 metros daqui.


tenho medo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009


passou pelo espelho, notou um vulto, não era sua sombra, confundia-se espectro com cara amarrotada, era aquela menina? era uma visão do inferno? o que vinha a ser aquilo projetado em imagem? Não reconheceu o próprio rosto, lia coisas falando de alienação e não se dava conta. só sabia que o saldo estava negativo. no vermelho. dura feito pau de tarado. e feliz aquela coisinha. ela era feliz e ainda acreditava. feinha de dar dó. mas acreditava, via, fazia, corria, e tirava tempo pra ver o sol ir embora. chorava por acreditar e dar certo, caía do salto, chateava, apurrinhava, areia no sapato. um 38' resolveu. tão fácil, e ninguém pensou nisso antes. só ela.



textinho tosco!






sexta-feira, 30 de janeiro de 2009


"e essa tragédia que é viver... e essa tragédia... tanto amor.. que fere e cansa.."

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009


"sei que nada será como está.. amanhã ou depois de amanhã..
resistindo na boca da noite um gosto de sol.." Elis

vamos a uns pormenores. novos planos. dou minha palavra de homem que algo tem que dar certo, tudo irá crescer. minhas dores de cabeça eu curo com analgésico. minha chatice eu amarro num canto. minha velhice eu deixo pra depois. na manhã de uma estação chuvosa eu coloquei uma foto na janela. ontem eu vi aquele sol da janela mais querida.. sabe que me vale uma porção de terreno no céu? aquele olho falando açúcar, e toda vez que deixo me levarem, sou eu quem derreto. vamos definir uma coisas, uma alegria se aproxima. preciso me preparar.


aos que me acompanharem, eu quero mais, e me atiro sem preocupar com a volta. Avisei.