domingo, 11 de novembro de 2012

não fede nem cheira.

eu não quero voltar a escrever um monte de coisa chata sem sentido, coisa chata do caralho. eu não quero mais isso.

saco.

queria mesmo é um recorte vivo. tipo fábula recortada em papel de pão. tipo a sensação estranha de ouvir uma pessoa que você alimenta uma certa admiração dizer que já viu gente explodindo e agonizando na sua frente e matar seria condição primeira pra não morrer. também explodido. também agonizando. eu não vou esquecer isso. eu não vou esquecer os olhos cansados dele... uma pessoa querida. Tenho conhecido tanta gente... tenho visto tanta coisa absurda e passado também por tanta coisa absurda sem cabide, medida, sei lá, sem lugar. pouca certeza na cabeceira e um pé de problemas brotando a cada dia. Os sinos me avisaram que o dia marcou sua chegada. que o norte da caminhada é Bagdá. que meus pés cansados e meus joelhos que doem pra caralho a música não dá conta. a música não dá conta do meu cansaço e da minha satisfação. Deus está na guarita hoje. é prciso agradecer cada etapa vencida, cada tropeço bem tomado, cada dia noite e cada noite dia. as flores vão invadir os cantos das gavetas e essa euforia vai passar com rajadas de granada e lampiões de festa se derretendo feito sorvete em língua demente que não lambe o que quer.

a riqueza de encontrar pessoas reais, problemas comuns, sua vida mesmo do avesso, fazendo sentido, mesmo na merda, fazendo sentido.por que essa porra é foda. (como os caras lá do bar costumam falar)

que loucura.





segunda-feira, 15 de outubro de 2012

sobre a flor e a náusea




as minhas flores e a minha náusea.
o meu campo e a minha colheita. os meus olhos e as minhas lágrimas. o meu suor e minha vontade de explodir meio mundo. o meu ódio e o meu rancor [confusos]. as minhas desculpas e as minhas saídas.
o meu pavor e o meu conforto. os seus ganidos e a sua insistência. o meu amor e as minhas promessas.

#1

pegá-la pelo braço numa situação confusa e cobrá-la amor aquela hora seria meio inapropriado. ele na verdade não fazia idéia do quando incoveniente seria na vida daquela moça. sem passado. somente com um vale misericórdia no bolso e a passagem de volta pra casa. ELA [desatinada, impulsiva, fora de controle] descobrira que o mundo numa implosão resolveria todos os seus problemas numa questão minutos, minutos de macarrão instantâneo, ela, que comemorava uma perda parcial de memória, não imaginaria que as artimanhas do destino lhe preparavam uma bruta cilada, bem na virada zilionésima da catraca do livre-arbítrio. ela. que aprendeu a não amar por prudência. a rejeitar por defesa. a cultuar plástico e comer merda. Ela. que seria o subproduto do medo. cultivado em boa estação, tenro e absoluto. Ela. que só podia e só sabia olhar pra si. dimensão maior do umbigo que o reflexo turvo do espelho casto iluminara. Ela. que tinha ambição desproporcional a coragem, medo desproporcional a ousadia, cal desproporcional ao lago  de lágrimas. por que o mundo vinha cobrá-la todos os dias, no mesmo horário as mesmas cobranças. Ela. que aprendeu a fugir, aprendeu a mentir e aprendeu a matar. rápido, muito rápido.

#2

o nojo. o pavor. a cozinha banhada de sangue e um cenário digno de filme que o amigo deveria dirigir. estavam lá o cozinheiro, a faca e a folhagem. a cerâmica branca embala a cena, o vermelho, numa ambivalência incólume, guardava pra si a vida e a morte, o pavor do sangue espalhado pela cozinha do restaurante seria sufocado pela doçura criminosa do corte afiado. não importa quem matou, quem morreu, a conta não fechava e o sangue do cozinheiro tinha uma beleza singela, ingênua eu diria. crua e ingênua. e a alegria do cozinheiro era inigualável. parte de sua vida escorrendo num ralo asqueroso e outra parte céu. Ele tinha um pedaço de céu entre os lábios. alguns dizem que ele era um anjo. um anjo que tinha gordura no cheiro, cicatrizes perfeitas e um coração de manteiga. certamente um anjo.

#3

a garçonete feia. a risada que incomodava. tudo nela incomodava e ninguém sabia olhá-la com a devida tristeza que ela pedia. ela pedia uma tristeza ímpar, ela queria compaixão do mundo, ela queria não ser ignorada. deixar que cada noite amarga caísse rápido pra ela sair daquela dança horrível, daquela sujeição ridícula. convencia-se a cada minuto que realmente era preciso sorrir. era preciso estar convencida que era feliz e realizava-se a cada ponto na comanda. ela. subproduto da merda. ela. passarinho feio, com canto esganiçado e um sorriso torto. ela precisava ser. algo. alguma coisa. menos aquela menina feia, triste e infeliz que refletia no espelho do banheiro de funcionários com entrada restrita.


#4

 amanhece

 e  tem um rock alternativo na caixinha, tem aniversário e uma noite de sono em claro.

nada de festa.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

artifícios e um céu alcalino


de uma vida inteira baseada na mentira. paranóia temperada e defumada nela mesma. sem falar da loucura e da tristeza que me tombam em qualquer chão. do começo, onde os ingredientes se aglutinam ou do fim, que é onde encontro o rabo da história e mato o monstro e salvo a mocinha? 
nem lá nem cá. a propósito meus parágrafos andam me irritando. não quero me aborrecer. preguiça de justificar muito qualquer coisa. quero bom resultado com pouco e pouco trabalho. e as mentiras, onde elas entram e saem eu tentarei reparar depois. eu reparo depois os vãos que eu vou deixando por aí. brechas no asfalto, espaço difuso, líquido, aéreo, ainda é muito irreal. ainda é distante. ainda nem existe...
 eu pedi amor a Deus hoje. pedi que o amor me salvasse. Deus anda brincando demais e esquecendo de umas pessoas. quando me falaram de uma segunda natureza eu confiei numa possível outra pele. tão justa tão aderente que é confundida, que é espelho e forma, vaso e flor, não sei. é outra coisa que é a mesma. então esta capa que envolve o ser, que afaga os olhos e confunde o senso... é aí onde mora o monstro da fresta, o vago por onde entra o lume da salvação, a instância do paraíso na terra. eu vinha falando da terra prometida, de cal nos olhos e uma frustada tentativa de aproximação e até um desejo corajoso de encarar uma verdade, mesmo que hedionda, ver-da-de. mas eu aprendi tudo errado. eu confundi quinhentos soldados de chumbo com automóveis em alta velocidade fumegantes na via expressa. clareira aberta. e a paisagem não engloba a geografia do árido campo inimaginável e desdito mal caminho que tomei. refrigerante. o cadafalso. a febre que cozinhou meu corpo tão rápido quanto um sonrizal. e a janela, estanque, forma, parapeito, esta me serve somente como metáfora da alma. empoeirada, preguiçosa, aerada e cadavélica. que respeita os ditames de Deus e a vontade da natureza. que ainda é maior que a circunferência do meu umbigo.e seus ditames ridículos e esquizofrênios. pura vaidade esse meu umbigo.


***    

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Adeus Bergman. Adeus.

meu peixinho morreu. foram 3 dias de vida por aqui. é isso aí néah. toca a vida por que o fim é certo. Bergman era muito lindo. meu primeiro peixinho dourado.

domingo, 30 de setembro de 2012

Vitrais e Sevilha



partindo de uma suposta  experiência cinésica.

É domingo. Manhã de domingo. o assoalho range, os escritos estão pendurados pela mesa, exposta/suposta verdade, tudo é fabricado. Tudo é controlado. Até um "-ai." é medido. Tudo é falso e cenográfico. Câmara de gás. Existem dois anões de jardim à esquerda do muro, santos desertores, uma chacina programada, um cadáver ambulante e a pilha de moedas estrangeiras. todas de época e fora de circulação. O que eu penso não tem importância. O que eu quero também não importa. Eu escolhi ser honesta (juro que vou tentar). Que seja comigo mesma. (entra a mocinha). Tateando entre um viés e outro da barra da saia ela cheira o sangue e tenta limpar os olhos marejados. olhos confusos, violentos, negro lume. O corte na alma desta moça. (a ferida ilustra um crime hediondo). ela tem o peso da culpa do crime. somados ao gosto estranho do visgo de sangue. Ela personifica Vênus. Vênus bombardeada. em carne, gelo, triturada, compasso telúrico. 


(...)

PS.: Preciso correr, a vida por aqui é cruel, linda, oscila entre altas temperaturas e relógios de torre caducos. Param a história e leem cada detalhe com desconfiança. Eu não estou louca, eu juro, eu só estou quieta, tentando respirar e sobreviver à essa merda toda. Leia à vontade meus segredos. Você também é parte deles. Fique à vontade pra cuidar de mim e da minha vidinha pequena de merda. A tosse, o asco e o perfume do mal. da moral e dos bons costumes. que eu já pirei, já morri e já voltei.

bj.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

PS.: uma morta, não se esqueça.

Desejo do fundo do meu coração que você seja a pessoa mais feliz do mundo, que você realize tudo que teu coração mandar, com muita força, perseverança, carinho e pulso firme. Se um dia eu voltar a ver você, que seja pra rir, pra comemorar o que passou, que seja como naquele natal, pra eu lembrar que o carinho que tive por você foi único e ninguém nesse mundo seria capaz de destruir. Você só me fez bem e eu te agradeço por isso. Eu fui a pessoa mais feliz e protegida desse mundo enquanto você esteve por perto. E tudo passou, e tudo mudou... Que ótimo! É por que tinha que ser assim, era isso mesmo.
Que você seja verdadeiramente feliz, você só me fez bem. Eu aprendi a amar e deixar passar por sua conta. Aprendi também que ninguém é propriedade de ninguém e se o amor de um é pouco, paciência, a vida nem sempre é legal com a gente. Eu ainda vou lembrar você. Vou lembrar quando começar a chover, quando uma mensagem chegar, quando o silêncio do meu quarto me obrigar a lembrar que eu já fui bem feliz com alguém, quando eu fechar os olhos e ver o seu rosto, lembrar você dormindo, o beijo no portão, na garagem, o primeiro beijo na calçada do vizinho, a aliança devolvida, você me abraçando... em cada pedaço de mim você estará presente, inevitavelmente. Como eu decidi não me machucar mais com isso, peço que você me considere uma pessoa morta. Uma morta, isso mesmo. Não quero mais isso pra mim, tampouco viver em função disso. Cuide bem de você e de quem te ama. Morrer de amor [por infinito segundo] é doce.

domingo, 9 de setembro de 2012

c.r.r.r.r.r.i.s.e.com

de onde ele vinha ninguém sabia, era um homem sem passado, sem perspectiva e definitivamente desprovido de futuro. morto homem. ele que aparecia pendurado na janela da vizinha de gola e pés descalços. 5m suspenso. [o enforcado]. homem de botas carcomidas e enlameadas. coração puro e carne viva. ele sonhava devagar e devorava os seios da amada. lixo de indivíduo. eram seres repugnantes. em meio a baixas honrarias, médias certezas, cada vez mais cheios de tudo. devoravam-se com calma e parecia que gostavam de arrancar pedaços entre si. eram repugnantes. seres intermediários de olhos vagos e muita fome. outro dia foram vistos de mãos dadas em uma rua estreita e caída. não havia revolta. consentida dor, consentidos remédios, consentidas desculpas. mas o medo que os unia era forte, mais forte que o amor, mais forte que o fim dos mundos. o medo que era a medida do ódio, a medida do amor, a medida da morte. o medo que os unia semeava uma erva maldita no sótão. erva carnívora. [...]