domingo, 9 de setembro de 2012

c.r.r.r.r.r.i.s.e.com

de onde ele vinha ninguém sabia, era um homem sem passado, sem perspectiva e definitivamente desprovido de futuro. morto homem. ele que aparecia pendurado na janela da vizinha de gola e pés descalços. 5m suspenso. [o enforcado]. homem de botas carcomidas e enlameadas. coração puro e carne viva. ele sonhava devagar e devorava os seios da amada. lixo de indivíduo. eram seres repugnantes. em meio a baixas honrarias, médias certezas, cada vez mais cheios de tudo. devoravam-se com calma e parecia que gostavam de arrancar pedaços entre si. eram repugnantes. seres intermediários de olhos vagos e muita fome. outro dia foram vistos de mãos dadas em uma rua estreita e caída. não havia revolta. consentida dor, consentidos remédios, consentidas desculpas. mas o medo que os unia era forte, mais forte que o amor, mais forte que o fim dos mundos. o medo que era a medida do ódio, a medida do amor, a medida da morte. o medo que os unia semeava uma erva maldita no sótão. erva carnívora. [...]

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

uma carta pra amanhã








a arte de não misturar as coisas. do tempo que passou para o que ocorre no presente momento, dá-se um recorte temporal caótico e fantasmagórico. eu sei que você confia a entidades nosso caminho secreto. e isso é bonito. eu sei que eu estava errada e não vou insistir na teimosia. you win! só não me despedacem eu peço. não me arranquem pedaços, sangue, roupa, dor, qualquer outra coisa.
sinto falta da minha casinha, do muquifo que eu morava, era úmido, pequeno e escuro. excelente para a proliferação de mofo  e ácaros. era o meu pedaço. meu território. minha proteção. mas não me arrependo das outras escolhas não. não. não não não. a confusão mora noutro bairro. e minha cabeça vai rolando. quicando escadas, martelando sinais, operação confusa. sina de Prometheus. ainda não consigo ligar pontos e vias concisas. ainda fico perdida. ainda tateio no mapa a atenção das pessoas. o afeto do mundo. minha mãe se preocupou comigo ontem e eu não podia mostrar pra ela a falta que eu sinto. eu não pude mostrar pra ela que eu não me encontro no momento. que eu estou fora da área de cobertura em trânsito alucinado. que está bem difícil ficar sem um abraço, sem a voz dela pedindo pra eu ficar mais um pouco e fazer alguma coisa por ela. eu fazia muita coisa por ela e deixei tudo. eu deixei tudo pra trás. eu tenho o peso disso nos olhos. quando as crianças brincam aqui perto o som é maravilhoso. elas brigam e resolvem tudo de maneira muito prática.
queria que amanhã eu desse conta do meu trabalho e de não me importar com a opinião das pessoas, que meu casulo estivesse intacto e minha confiança inteira. queria confiar, queria mesmo confiar denovo, apostar denovo, acertar denovo, pedir umas desculpas, pegar a pista livre pra um bom voo. mas o peso é maior, e o que os outros fazem e pensam interfere sim em tudo. só não me machuquem eu peço. não me arranquem nada. eu imploro.
vou fazer minha lição de casa e não tenho outra chance de erro. tenho que consertar uns vasos aí, restaurar minha cara de pau, dar um brilho numas frases e dimensionar uns espasmos. vai ser bem difícil, mas eu vou dar conta. degrau a degrau. uma coisa de cada vez. lembra dos seus planos? sua casa de marfim, seu jato supersônico, do jardim de inverno? você precisa acordar, acordar forte pra viver amanhã. 

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

vitimismo profissional

eu nunca quis ser um parasita. mas ultimamente meu papel tem sido algo próximo a isso. parasita. um mero parasita. insignificante parasita. não produzi conteúdo, não saí pra olhar a grama molhada, não desdentei uns cachorrinhos de rua. por que cachorrinhos de rua não se importam em ser despelados até a alma e ter olhos furados por bitucas de cigarro. não tem pai nem mãe, não se importam em perder na Megasena, não comentam a vida alheia, não se importam muita das vezes. o meu parasitismo talvez esteja próximo da pulga hospedada na orelha esquerda do citado cão. insignificante vampiro. cômodo. tenro e absoluto. me encanta a solidão dos pequenos. estão sempre de passagem, esperando um pedaço de osso, esperando a carrocinha, esperando sei lá o que.

Hoje eu queria levantar cedo, aprumar o barco, soprar uma boa vela, ir descambando por aí, por que o mundo continua imenso e minha fome uma bela chata. me tornei uma chata de carteirinha. fiz o que não acreditava que seria capaz. continuo com o medo cínico dos covardes. e vou descambando por dentro. talvez morrendo. talvez esperando. sempre com a pretensão da genialidade e da pedantice nos ombros. patentes. equiparadas. e o buraco. a cova. o breu. o vazio. o inominável continua me envolvendo e seduz. a luz rubra, o calvo homem à espreita na berada da cama, os anjos de férias. a sanidade da minha cabeça está seriamente comprometida. eu me sinto louca. e não estou brincando. eu me porto feito louca, me tornei uma inconsequente, tô cagando e andando pra um monte, levei uns enxovalhos e amarguei cada ofensa. pra não matar e não morrer. por que a errada sou eu. a vítima sou eu. o demônio sou eu. o mal mora em mim. com tênues disfarces e cores enigmáticas. essa força que parafusa ao avesso e me suga para o centro da terra vai me tirar do mundo, vai me matar devagar, não esperem pra assistir minha morte, eu peço. um dia eu morro e páro.   

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

paga-se o mal com o bem. aposte suas únicas fichas no sonho. siga na sombra que o sol está de lascar. amanhã poderemos fazer das tripas, coração. hoje é folga e livre delírio. eu quero bem aquele moço. espero que seja bom e tenha uma boa força. se não, eu aprendi, dessa vez eu aprendi. e nada, nada do que disserem vai abalar e vai condicionar a decisão. hoje começa um novo tempo, eu vou perder muita coisa, mas espero que seja de ganho e providência essa investida. estar em paz tem um puta preço. custam uns gritos, dois murros e três manhãs de insônia. mas eu posso voltar a ir andando para o trabalho e sentir o cheirinho da manhã de cada dia me estapeando na rua. só que essa rua é maior. essa rua. essa rua. não é minha.  nunca foi. dessa vez eu vi Deus. acenei e mandei um joinha. acho que ele foi com a minha cara.

trate com amor quem te trata como lixo. pode matar de câncer, mas pelo menos você não arruma problema. a vida é curta, louca, voraz e enternecedora às vezes. e as vozes que chegam pra me consolar estão muitas vezes, equivocadas. Esse novo trabalho eu quero que dê pé. Quero ficar por um ano. Conforme for, estica-se. A Idéia na verdade é engrenar no teatro néh. Dando pé a gente mergulha na loucura. Mas a possibilidade de não passar fome e ter um lugarzinho seguro e seco pra trabalhar está de bom tamanho. Podem falar o que quiser. Falem muito. Ainda posso sonhar. e dormir. e voltar a sonhar. e vocês vão continuar não pagando uma conta de luz sequer. Por que as pessoas são assim, falam demais, odeiam demais, amargam demais. Saber tua medida de cálice é uma arte. dose pra leão neném. 

Go to hell, girl!


domingo, 29 de julho de 2012

mea culpa / voluntas ad mortem / panicus at circensi

se a minha tristeza me consumisse seria um favor prestado. eu queria afundar em  terra quente. eu queria sumir do mapa, deixar de existir, eu tenho vergonha de existir às vezes. eu tenho muita vergonha de mim. e queria muito me esbofetear, me machucar, ferir bem fundo qualquer parte do corpo, só pra  lamber a viscosidade do sangue, besuntá-lo na pele. meu sangue sujo. que a morte é insuficiente. morrer a cada esquina me hipnotiza, parafusa. a víbora sedutora. a serpente de duas caras. a família incestuosa. o cadáver da gaveta. precisaria de longas sessões de choque. eu não quero. eu não quero. EU NÃO QUERO. eu não quero. você pode fazer o que quiser comigo. não tenho dono, não tenho pai, não tenho nada. tudo em mim perde valor. tudo caduca. um homem forte e voraz daria conta. pode fazer o que quiser comigo. pode me mandar embora. pode sentir pena. muita pena. pode comer minha alma. pode cuspir meu sangue. faça o que você quiser comigo. que eu mereço. eu mereço cada cicatriz que você deixar. eu mereço seu ódio. eu mereço seu desprezo. eu mereço seus tapas. eu mereço muita surra. muita infâmia. me xingue, cuspa em mim, suma comigo. que eu quero a morte mais violenta e sanguinária que o jornal tem pra hoje. apenas me mate. que meu desejo de morrer é tão confuso quanto o amor que tenho por você. mea culpa. o que não tem limite, o que não morre e não alcança o céu. o que ficou debaixo do tapete.o que ficou mal explicado.
eles vem me buscar cedo. fica calmo. ela vai me destruir devagar e mastigar cada pedacinho meu com a calma de uma serpente. ela quer me ver destruída e sob controle. cheira minha ruína e cava um poço só pra mim. ela afinou os ouvidos pra escutar as minhas mentiras. ela afiou a língua pra me dividir. e vai aguçar cada sentido pra me sufocar com propriedade. ninguém escuta quando eu digo que me machucam. é drama barato. e a audiência se aborrece rápido. eles esquecem. esquecem de mim alí na frente deles. esquecem que antes de tudo, antes do mundo, vinha parte de mim montada em cavalo branco e outra parte devorando estrelas. eu caminhava sob céu de outono com poesia e reparava nos folículos da folhagem desmaiada. eu reparava na sua força. eu queria te amar sem paradoxo. sem contradição. sem misantropia.

ainda desejo algo maior, puro, íntegro. e maus passos tenho dado. mea culpa.

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sexta-feira, 27 de julho de 2012

sabe qual é a merda? a merda é o páreo. essa é a merda. e vai estar aí o tempo inteiro. minuto a minuto. porque ninguém consegue amar o tempo inteiro e ninguém é forte o suficiente pra retirar as daninhas que vão enfeitando os cantos. 
merda de cavalo, banzo cármico, acidez no córtex.
mentiras confortáveis, sangue venoso, horta acesa.
a gente só precisa de uma dose consistente de uma bebida forte do boteco da esquina.

amanhã a roda gira novamente, o sol vem me buscar, meus olhos se cansam devagar. coração de passarinho, peito de aço, olhos de rapina, mão de algodão, cristo entre carne e véu. o estalo da sobrenatural envergadura da espada. mira-me, erre-me, solte-me. largue-me. mata-me. devagar, porque eu sou pequena e o mal ainda é uma alegoria. o mal mora em mim. e filho alien. me estrangula as tripas. filho da puta.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

dedicação, memória, preconceito e discurso vazio (não perca seu tempo)




"Quem foi que botou a chuva dentro dos meus olhos..." (Mariana Aydar)

A cidade por aqui vai acordando. Santa Tereza é do outro lado da rua. Vem a velocidade da manhã nos automóveis. Vem a fome de pão. vem o cão cobrar a dissimulação. O enigma eu revelo depois. Do agora... mastigo o concentimento. A mentira é minha. A mentira mora em mim. A mentira por vezes sou eu. e a loucura é expressa em papel timbrado com reconhecimento de firma. quando eu lembro, quando eu lembro do engano, quando eu lembro do engano de...  Não confunda as coisas pelo seu próprio bem. Acredite. E aceite. aceite quando dizem que você é quem está errada. por que. às vezes é isso mesmo. às vezes você nem precisava existir. às vezes você precisava morrer. morrer de morte lenta. de caroços na língua, caroço no olho e ferida na mão. você morta seria um santo remédio.
O grau da minha afetação  e da minha futilidade é absurdamente loquaz. Eu tinha medo e continuo acordando com ele. Vou levá-lo comigo em tatuagem. o medo. tatuado. pele seca e temperatura ambiente.
Juntemos-nos aos pedaços. Curvemo-nos. à exploração sem limites, à vida de porcos ensimesmados, à pateticidade da exclusão. eu estou cansada de matéria morta. cansei de tudo que me diminui. isso me esgota. gota a gota. e não. não me tome por louca. eu só não aprendi a lidar com tanta coisa junta e misturada ao mesmo tempo. o discurso profundo, a verdade absoluta morava naquela hora da manhã, na hora da manhã desperdiçada de todo dia.

um fato
uma foto
uma fita
uma flor
o samba da saia justa.


e o amor, ahh, ele está bem enterrado, bem morto, isolado. o coração está sitiado. não se preocupe. não se preocupem senhores.  e eu não quero isso, seja lá o que isso for.

***