quarta-feira, 30 de novembro de 2011

nova página

a gente começa escrevendo antes... muito antes...


é quase um feito divino o lugar do desejo. somos aquilo que podemos alcançar.
a partir daí, enquanto os sinos tocam, um lampejo de farol abre o fim do túnel, uma
casca de noz sinaliza o novo código.
a paisagem deixa a aridez, alça voo inescrupuloso em céu de marfim, deleita em cântaros selvagens a doce sílaba do ato ordinário. que é da ordem do dia. um suspiro de gratidão por tudo de maravilhoso que canta na janela e acorda um canário.

canário azul.

cantemos a boa nova. e que os sinos nos mantenham acordados.

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sábado, 12 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

você se transformou em uma queloide>mas eu já sei onde mato você>um dia esse luto passa.>
seremos novamente desconhecidos>esquecer é tão fácil>é só deixar o tempo ditar o ritmo>
a alma acordar e abraçar o sol>essa água [matéria e memória] evaporará e o levará para um bom lugar>um lugar perto de Deus>perto de Deus. um alto refúgio>um brinde aos meus joelhos!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

uma balela inútil



a força desse vento que corre toda a casa deveria fazer essa prostração desaparecer.
Queria tanta coisa na verdade. Vida varrida. morro uivante.
Assumidamente confesso que não ando conseguindo cumprir todo o acordo. Pacto de sangue. Hoje é um daqueles dias em que eu precisava sentar no canto obtuso da casa e derramar-me em lamento. cifra úmida. Cadência lacrimal. Pontos escuros, verdes de limo, saia que gira.
Existe o ponto de ebulição e tudo o que eu não sei a respeito. Ventos uivantes. Se eles me dissessem que você estaria aqui em fração de segundos. Vivo, líquido, humano, em carne, ossos inteiros. [o vento] canta sua ausência e comunica minha dor ao velho poço da Rua de Matacavalos. desafinado este coração [de ave], sofre em baixa escala, abre uma fresta no canto de cada átrio. Implosão solar, efeito cataclísmico. E ressurge. Aninha dois frágeis pássaros. uma águia e uma fênix. Elas voam no ritmo do vento que sopra esta casa. sobro eu, casca morta, cansada e à espera.sempre à espera da grande virada. do susto e da convulsão.


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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

perda - medo - erro - reparação

o vício e seu movimento circular. giro 360°
meus pés e os espinhos que os acompanham. latitude zero
fissuras na parede e meu coração em moldura embotada.
lista do mercado.
uma verdade fabricada. Made in Taiwan.
um perfume tenaz. toque cítrico, líquido verde.
o beijo dos amantes, minha falta de sono. quadros litúrgicos.

ingrime. escorregadio. machucada. corredor. porta dos fundos.

a lembrança que não se apaga. a cor dos meus sonhos. são aéreos. o ponto exato da fuga. desbaratados pontos cintilantes. alucinógena ilha. escafandro de mergulho. horas imersas. neste tempo de desapego e retorno à superfície. deixo os corais, seu fantasma acenando do fundo do mar, mordendo um mamilo da sereia. você sorri e me ignora propositadamente. Tudo em você é calculado. tudo em você me provoca um ódio imensurável. não quero te explicar a minha necessidade de atenção. a agressão do teu abandono.

caída. levanto novamente um pequeno castelo. que se desmancha ao fim do dia. eu sempre volto pra reencontrar você, e estrago meu dia em fração de segundos.

regurgito. pássaro machucado. dores pontiagudas. chá de alguma erva amarga. minha cura depende de instâncias extraterrenas e um transe solar.
aquela garota morta está presa ao ponteiro do relógio da torre.

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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Antes de tomar um Rivotril


(créditos do título: Leandro Bacellar)


queria morar no esquecimento. ignorante. bruta areia no canto de qualquer cômodo.
cifrar a minha canção de despedida. largar o discurso pé no saco. suprir a dispensa.
comer doces bonitos e frágeis e ser levantada por moinhos de vento. sem palavras duras. sem formas obtusas. sem erros. não tenho tempo pra errar. mas também não tenho fome de refeições completas. tempo curto, minha pele também é curta.

queria morar no esquecimento.

um espaço que mora no intervalo, aquele hiato no deserto que eu persigo nos meus sonhos.
admitir minha fraqueza sem me entregar. escutar seu choro a km's de distância.

"amor, saudade, beijo, despedida, um saco de figuras repetidas... tão gastas que já não te dizem mais nada..."

nunca mais falar de mim, não revisitar este in-cômodo.

eu só quero habitar o absoluto esquecimento.
a negação completa, a ausência, o claustro. o velho muro das lamentações.
minha forma incoerente de tentar entender o mundo. fútil, dispensável.


é incrível como a gente deixa o tempo comer boas parcelas do que é bom na gente.
A gente deixa o dinheiro levar, a gente desiste por covardia, a gente nada e morre com flagelação e cena clichê de suicídio na praia. bem film noir.
a gente tem uma ilusão de igualdade, busca um bem alheio, se aninha, se agrupa, espera, caminha, gasta, investe, é retornável, incoerente, incongruente, decepciona-se, lamenta-se, bate o mesmo prego na mesma parede com o mesmo martelo.

talvez eu esteja cansada e aquela peça não tenha me feito bem.

eu só quero morar no cômodo esquecimento.

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011