sexta-feira, 30 de setembro de 2011




adianta falar da mesma sensação de abandono?
adianta chorar neste canto obtuso e derramar o mesmo lamento (leite espesso)?
como eu vou seguir em frente e deixar de pensar nele (n'aquele que me proporcionou tamanho mal)?
como eu vou fazer pra deixar todo amargo sangue infiltrar pela terra e ferver as raízes desta daninha que me tornei?
não quero me sentir sozinha denovo não.
não quero fechar minha semana lembrando do que não poderia ter sido caso tudo não acontecesse da forma como se deram os fatos. ou lamentando. ou ouvindo o hino dos abandonados, os chutados de plantão, os que foram entregues à triste sorte de estarem sozinhos. sós. hiatos. desertos. canto escuro. lembrança amarga. cáucaso. cavalo arredio. bruto. cão que torna ao próprio vômito.

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terça-feira, 20 de setembro de 2011

pensei que essa fraqueza seria falta de comida. não. [um vampiro ronda minha casa] é que de tão sozinha que eu ando eu me sinto fraca. vou produzindo lixo. emporcalhei minha casa. minha cama. emporcalhei minha alma. esse lixo maldito. jogo alvejante nos olhos e nada resolve. arranho minha pele. como uns cogumelos que floresceram ao pé da cama. sal nos olhos e banha nos dentes. um porco saltando e cavando minas. figuras bossais. criaturas ensimesmadas com fome. tenho pés largos, olhos fundos, tendinite. Comer pães, acordar tarde, fazer uma mistura explosiva com merengue e caldo cítrico. preciso acordar. decolar. antes de ser engolida. esmagada por um caminhão de laticínios.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

e quando a gente fica com vontade de sair gritando na rua num dia de congestionamento com chuva e por impotência ou preguiça fica parado só olhando o mundo desabar devagarinho, sumindo da sua frente, derretendo feito iceberg? É covardia? Ou eu não aprendi a lidar com a descontinuidade e a instabilidade desta minha vida bandida atropelada? Sei não. acho que preciso da ajuda de um profissional de saúde mental.

hoje eu preciso chorar. inundar-me.
antes da sabotagem dos sentidos.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

um brinde ao vazio imensurável, ao cáucaso e ao abismo.


em prece eu pedi pra te levarem pra bem longe de mim. que este vento carregue tudo que te diga respeito. leve seu rosto gravado na minha retina. seu toque gravado na minha pele. eu quero sobreviver ao temporal. meus raios não te alcançam. e seu amor não é suficiente. e os dias vem inevitavelmente sobre mim. amanhã o lixeiro passa e carrega tudo o que sobrou de você. em prece também te perdoei pelo abandono e pedi que eu consiga libertar tua alma. ficou presa nas minhas unhas. você precisa voar. precisa de céu. e é isto o que eu desejo a você. céu. voo. amor. que você ame. por que eu não quero mais lhe desejar o mal que me encontra na esquina. não quero nada que venha de você. sua vingança imbecil. seu amargo beijo de despedida. silenciosa. eu decidi sair do poço que me meti. e é definitivo. não quero saber das suas desculpas. quero você livre. a mim também. bem livre. por que existem mais estrelas no céu que grãos de areia na terra. e eu não sabia.

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

acredito que hoje eu aceitei que acabou.

findo pseudo-relacionamento. finda paranóia galopante.

respire fundo e enterre seus mortos.

quarentena no inferno. Jesus Cristo, como isso é ruim.

VOU TOCAR MINHA VIDA, VOU TOCAR MEU BONDE, VOU SUMIR DO MAPA. Com minha dignidade, com minha coroa resplandecendo.

\O/

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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

uma lista e a pulsatilidade intravenosa no deserto




a sacralidade no trabalho das vespas. o câncer. a sessão de lobotomia antes do café. o frio na espinha. a pinça. o cais. o aroma cítrico adocicado do perfume dela. o sal que tempera minha comida. os dias riscados na agenda. a convexa lista de nomes de garotas do sexo produto. do último resquício de amor próprio no fundo do balde de roupas sujas. aquele cãozinho da vizinha que tem os olhos mais doces do mundo. [de tão amado que é] o silêncio da casa. os fantasmas nas gavetas. o lume que faz minha cozinha levitar. o café que esfria em fração de segundos. uma certeza saindo da torradeira. um mar de dúvida afogando uns peixes no mar báltico.

hoje eu comecei a perceber que aquele moço é uma espécie de fantasma que me cegou. Fez tudo que me ocupa árdua morada, palco de uma tragédia anunciada. ensinou que a dor fabricada pulsa no seio, corrói dois músculos, fatia três ossos.

Uma lânguida esperança de tão bêbada bate na janela. Me acorda na madrugada santa de um dia útil, a cidade vai acordando, meus pés atrofiados em teias espessas, hediondas, saem pra passear. É uma manhã com matizes silvestres, carrega um dardo e uma pequena margarida bruxa no bolso. O ciclo da loucura se renova. Faz algum tempo que tento encontrar meus passos. Seguiram uma rua escura e dobraram à esquerda. Nunca mais ouvi dizer da sorte daquele moço.



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domingo, 28 de agosto de 2011


-Triste é perceber que a gente só tem um valor utilitário na vida das pessoas-
vamos começar este capítulo.É pra falar a verdade mesmo ou a gente vai continuar com este joguinho infeliz de gato e rato? Onde foi parar seu amor próprio? Se você é tão dedicado, como não percebeu ainda o que estão fazendo com você? Espero que você abra seus olhos a tempo. Por que eu me afastei tem tempo. Também não confio mais em ninguém. E faz tempo... O problema é que eu sou uma idiota que conversa com o vento. Você não. E sua implacável desconfiança e mania de perseguição já me gastaram boas pestanas. Eu. Vou continuar quieta no meu lugar. Por que eu sei a hora de começar e parar de brincar. Me cansei de tudo. Isso inclui a merda da minha vida. Isso inclui as relações pestilentas que ela andou adquirindo a tempos remotos. Isso inclui minha flexibilidade de caráter e minha tentativa de adaptação. Também contém glúten. Espero que meus amigos não estejam me passando a perna nem falando mal de mim pelas costas. Por que poucas coisas neste mundo me deixam tão satisfeitas. A lealdade de cão por exemplo, era contrapartida no contrato. Este tom amargo e ameaçador é puro festim. Não quero o seu dinheiro, não quero a sua empáfia, não quero seu orgulho, não quero nada seu, que venha de você. São os limites. Se é pra assegurar minhas noites de sono. Eu prefiro assim.

Cansei de ver gente metendo os pés pelas mãos, cansei de ver gente se enganando, cansei dos assassinatos, cansei de ver e comer merda, cansei de ser tratada feito lixo, cansei das carinhas santas.
São todas crianças más, pestilentas, infelizes e estão mais dispostas a puxar o tapete dos outros que a fazer uma vida digna e com um mínimo de hombridade.

C.A.N.S.E.I.

Vou dar conta da minha vida que já me é o bastante.