quarta-feira, 27 de julho de 2011
fuck it
segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sua blusa num corte temporal revela certo grau de sobriedade, olhos flamejantes a orientam no escuro.
Se o amor é produto perecível, violável, intransferível, ainda não está provado.
Perdoe-me, mas tem muita cor neste desenho que você alimenta nas costas, talvez não me encante muito. Onde você mora agora? Se a sua casa sou eu, onde você mora agora? [Não está] Nos últimos dias tenho arrastado chinelas folgadas, lúgubres, elas conversam comigo, lembram você nos cantos mais óbvios da casa, talvez pra memória alcançar a prateleira certa.
Esta velha parca desorientada, que me alfineta a pele, inflama os seios e cega meu ventre, vive lembrando o fim de tudo. Mata meus lírios, seca minha terra, espalha pesticida na água, lavra-me e reduz-me a retalhos embotados. Não consigo esperar você
Vou carregá-lo em nuvens de chumbo. Pra quando chegar a primavera, a terra cante seus ínfimos sulcos
Pássaros em revoada procurando novo verão cantarão. Sim. Todos com o abatimento da terra seca e uma lágrima de sal nos olhos. Trarão novas sementes.
Você vai chegar em pedaços, quebra-cabeça, terra morta, meu trabalho será retirar as raízes, limpar-lhe os olhos, estalar-lhe os ouvidos pra que você adormeça como um lírio
***
eu não sei o motivo da linha. Tentei tirar e não consigo. AFF
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Seria seu porto, sua casa, uma manta de algodão lhe protegendo os olhos. Agora, pouco a pouco ela vai procurar se desligar dele, como se desliga um eletrodoméstico direto na tomada.
terça-feira, 5 de julho de 2011
meridianos e gremlins
sem garantias. não tenho ainda resultados.
só preciso respirar. parar. e mergulhar denovo.
beijo pra mim do outro lado da estrada,
que aceno com um sorriso triste,
uma blusa amarrotada, suja e pés machucados.
***
terça-feira, 14 de junho de 2011
ojos marejados
terça-feira, 17 de maio de 2011

velhas convalecenças num pires de atum. hoje vou tarde. É que enxerguei o que não queria. não veria aquela menina tão pequena ter que prestar sua carência à vontade de senhores estranhos. ficaria incomodada em situações normais. talvez estarrecida. não queria ver que faltam zeros à direita e à esquerda. não me disseram pra aceitar isso pra sempre. Ok. pode ser um reclame da consciência, uma tentativa de salvaguarda. preciso mentir todos os dias pelo pão. nada me conforta. não estou satisfeita. não quero morrer cedo pesando o quanto eu amarrei meus cãezinhos serelepes e os privei do gosto duma tarde de mês qualquer. bêbada de poesia. ou mesmo que eles estejam enfeitiçados com o gosto da focinheira. minha lealdade custa uma bagatela. não alimento a coragem faz tempo. vou ficando assim. arredia. velha. de escanteio. sem forma, esquadro, régua, camisa embotada. sem homem no canto da cama. com peso e uma pena nos seios. tristes. hoje tenho seios tristes. em breve os daquela menina também ficarão. tudo é uma questão de tempo. a conformidade. a aparência. o sono. a víbora. tudo é questão de acordo com vantagens, de limites, a safena, a inflação, o medo infantil, a solidão, o pessismo convexo irremediável. que traduz fim. enézima vez que tento. e só sei chorar. deveriam derrubar o muro das lamentações junto com o de Berlim. quando nasci. provavelmente num dia errado.
'Não quero ser a chata da tua poesia' [trecho de música - Fábrica de Animais].
praticarei o desapego.
ao que nem tenho. ao que não alcanço.
ao medo borra-botas que me torna cada dia mais covarde. e imbecil.
***
