quinta-feira, 7 de abril de 2011


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antes de qualquer coisa/ tudo está bem/ nem tudo/ mas bem/só acho que vou precisar de umas dosagens de hiperprontidão pra encarar uns pergaminhos esquisitos/ ouço Tim Maia e identifico o azul, o mar/ gostava tanto de você/ não consigo correr/ nem deixar de acordar/ queria não acordar hoje/ queria alguém dividindo um cobertor.


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terça-feira, 15 de março de 2011





Para amar, é preciso calma.



me acostumei. e fui tomando espaço. pouco a pouco me perdendo. a ponto de não saber por onde ando. nem a quem oferecer tanto afeto. só vejo uma turva vontade de te encontrar e saber dos pormenores do seu dia. me disseram que você morreu há tempos. me disseram que morri junto a tí numa primavera pastoril. o esboço do seu sorriso eu guardei, na pele. seu verso eu esculpi na lápide. nosso amor vive em um ninho de duas andorinhas cansadas. Que teimam em não viajar no verão. Que teimam em saborear este longo e tenebroso inverno.



(PS.: também achei tudo isso muito brega)







terça-feira, 1 de março de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

da classificação das coisas e pessoas




dia atípico, lençóis rubros. Me dê sinal de vida do outro lado do Atlântico, monsier.



acredito que agora eu aprenda na marra a escrever. ou a me tornar cada vez mais chata e melhor que isso, uma chata graduada. não pretendo arrotar preceitos ao meu cachorro. nem cão eu tenho. tenho milagres a lançar no mar. e uma idéia sempre torta na cabeça. queria dar corpo, é uma necessidade: uma breve cena. que enterneça a platéia. o que eu quero eu sei. não encontrei o veículo, ainda. mas juro que perco noites de sono. mentira. durmo mal. sonho com isso sempre. não poderia matar esta borboleta síncope na janela de minha casa/porão. Tenho só que reponder por mim e tento. juro. a choradeira é a mesma. não é esse o rumo da conversa. tem uns filmes que eu ainda quero assistir. vou procurá-los e permitir que o pavor entre, faça sua arruaça e caia fora. Tinha tanta coisa pra te contar, eu imaginava que seria tudo diferente. Se você não entende o que eu digo, decifra. isto basta. tanto faz conseguir trocar as passagens ou cancelar um desejo. o botão é o mesmo. a minha vida é que não continua mansa. antes que eu comece a chorar, vou esboçar um sorriso. íngrime. que percorre o lençol, corta o travesseiro e alcança seu sono.

(em algum lugar comum, situação indefinida)

ELA: Meus sonhos estão estranhos.
ELE: Tens sonhado com o quê, minha senhora?
ELA: Com ferrugens, vejo um carro cedendo a uma ladeira, corro pelo mar e nunca alcanço o céu nas minhas levitações.
ELE: é bem provável que estejas sofrendo de um mal não identificado.
ELA: o que pode ser? algo que não resolvi no passado, uma multa, um solavanco mal dado? Sofro de quê, monsier?
ELE: Talvez seja amor.
ELA: (rápida em fuga) Amor não é. É só uma vontade de me lançar no mar, arrancar meus olhos com uma pá, colocar o som no máximo e estourar meus tímpanos, um a um, comer olhos de cabra, salivar sobre um quindim, correr, correr, desesperadamente, talvez eu tente desaparecer. ou encontrar abrigo.
ELE: então é mais é mais grave do que imaginas.
ELA: talvez seja um mal entendido.
ELE: talvez.
ELA: é um mal entendido.
ELE: e se não for um mal entendido?
ELA: me lanço no mar.
3ªPESSOA: Uma decisão não muito acertada, pois a senhora está fugindo. Ao menos que esteja sendo perseguida por algo. Então entenderemos que a senhora tenha o direito de livre fuga, uma decisão calcada no desespero. Entenderemos com toda certeza.
ELA: Não estou em fuga. Acontece que não tenho os mesmos espasmos quando ele me procura. Não volto ao mercado pra sentir o cheirinho das hortaliças, aquele cheiro me enternecia, me ... transportava...como quando comia morangos quase maduros.
3ªPESSOA: A senhora precisa de cuidados. E cuidados profissionais.
ELE: Eu cuido dela.
ELA: Mentira!
3ªPESSOA: muito didático.
ELA: Ele quer me matar!
ELE: NÃO!
ELA: Sim!
3ªPESSOA(como um speaker): É um caso sério, meus senhores, relação díspare de amor embebida a ódio e rancor, mas como os senhores podem observar, ambos não conseguem mais conter ou mesmo abrandar os sinais. Estão distantes de si. E isto importa. A fuga.
ELA: Não tenho mais calafrios. (liga o iPod)
ELE: (colocando os fones) nem tenta?
ELA: muita preguiça. do som, do ar, de tudo.
ELE: acorde então.
3ªPESSOA: A senhora acordando evita uma série de contra-tempos, inclusive aqueles anzóis no percevejo que a senhora jurava não ter visto. Estão na panela conforme havia me pedido.
ELA: Me telefona amanhã?
ELE: se eu conseguir acordar, sim.



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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

me chamaram pra faculdade.

OK.

agora eu começo a me ferrar de verde,amarelo,azul e branco.


mas eu tô contente. e preciso disso.

bora tocar o bonde!


"don't worry... be happy..."

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

do que eu não fiz, onde eu não fui


assunto delicado. como varizes.
a mim me pareceu e sempre parecerá uma imensa armação. armaram tudo. até as desculpas. não acredito em nenhum de vocês. e também não quero andar armada. por um bom tempo. vou entrecortando o discurso pra parecer mais óbvia, no entanto, nem consigo. Ouço Bob Dylan pra não acordar. prego na testa o lembrete do dia: "não te esqueças". Ontem. Eles riram de mim lambendo seus dentes pontiagudos. com a aridez das hienas do Wall Disney. é isso o que são. hienas do Wall Disney.
acreditando, cancelei a passagem. acreditando, me arrependi amargamente da hora que dediquei minhas horas inúteis. mas eu também faço parte disto tudo. e não vou poupar minhas circunspecções a respeito do ocorrido. contribui com o acaso. acreditei nas pessoas erradas. e sei que nada vai salvar a parte que me cabe. não quero nada, de ninguém. gostaria que tudo isso ficasse muitíssimo claro. eu não vou me vingar com a picardia de uma criança. nem sou demasiado idiota ao comprometer um trabalho ou mesmo uma vida de dedicação. parca e porca vida. mas eu não vou mais esconder minha decepção. também não quero deixar meu verbo rosa. minha compreensão artificialmente doce. ou aceitar como ofensa do destino tudo isso aí embaralhado no cesto da vitrine. a sujeira sou eu quem vai retirar do canto dos olhos. acordar no dia seguinte. ao tropeço. é tarefa pra'quela outra heroína. eu não fui, por um engano. programado. consentido. e amargo sim. cada um. pela mentira. pela sordidez. pela vilania dos dias malditos que ainda me aguardam. pois o demônio vai me servir um líquido em efusão, doce no início que marcará um rastro de féu na garganta e nos poros. mal posso esperar o desfecho. posso sair morta. louca. alucinada. e terminantemente perdida. não sabendo o que querer, sentir, pensar ou mesmo como agir. por que inacreditavelmente os quero tão bem quanto querem a mim. tudo é recíproco.