quinta-feira, 18 de novembro de 2010

sobre a afabilidade de um potro misógino e picadas de inseto no calcanhar

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eu só não aceito traição e falsidade. tiro no pé, tapa na cara, soco no olho, pode. a quem me perdeu e a quem me encontrou. se não posso fazer ninguém contente é por que meus pulmões cristalizaram-se em tampos de zinco.
me entrego à sorte de qualquer temporal. perco o amor original. arranco páginas de livros. rasgo papéis com picardia. entreato cordões aos pés e levanto um altar de suicídio. para que todos que divergirem com Vênus e atiçarem Urano saiam queimados em labaredas incandescentes.
que os astros sejam testemunhas de vários atos de fé. de fogo e queima tóxica. sal e lentilhas douradas. Fênix anda sobrevoando meu telhado.

ao ofício, ao prazer, às expectativas, ao mercado, ao lixo, às vaias, às baias, aos empurrões,
aviso que qualquer frustração está fora de cogitação. quero com todas as minhas forças assisti-los em janeiro. quero quero quero quero quero. muito.

vou alí pedir um milagre. já volto.

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010


às vezes sinto-me uma caixa registradora.


nada além.
-homens... quando não mudam o endereço, mudam de mulher... todos iguais!

fazia parte do grupo de mulheres descrentes. a despudorada devota. que em dia de missa saía a seduzir os pagens. alimentava uma fantasia quase carnavalesca de Judas em sábado de aleluia. ela e vários meninos na sacristia experimentando o delicado pecado original. sua imaginação era prodigiosa para concupiscências.
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dolores e o aroma da morte


mulher insatisfeita. essa era Dolores. não se sabe ao certo o motivo que a levou cometer suicídio na principal avenida da cidade. alguns vizinhos alcoviteiros alertam aos investigadores. que um tórrido romance outrora tenha chamado atenção quanto aos desvios de conduta da moça alegre e recatada. acreditava em duendes e ações prolixas cheias de boas intenções, salvaguarda de bons motivos. cega. absolutamente embebida em paixão. cultivava flores tristes. homens rotos. vestidos azuis. do anil ao ciano. com maestria de signos. luzes e convites. já a chamavam de "a passeadeira" dava de ombros como resposta. não aceitava aquela reprovação. preferia as esquinas perdidas ao destino das moças em estado decretado de infelicidade póstuma adquirida em vida. as casadas. eram pra ela uma espécie de gente que não mereciam respeito. Suzanna, por exemplo, morria umas três vezes em cada fim de tarde a esperar o marido Jorge. Que a lembrava uma outra espécie de homens. os oportunistas do prazer. que nenhuma mulher em sã consciência deveria dirigir ouvidos. Dolores consentiu uma única vez com as prevaricações de Jorge no contrato nupcial. Esta jovem senhora no auge de suas 30 sedutoras primaveras carregava junto ao seio a marca do amor. uma quelóide imensa. que traçava o início e o fim de um conturbado romance. com um homem casado. outra sub espécie.

domingo, 31 de outubro de 2010

filamento de tempo. são as partículas do segundo. que caindo uma a uma junto à tarde, embebida em ruídos e canto. uma cigarra. um violoncelo. grave canto da morte. não consigo encorajar seu ânimo. você acorda. e não quer. a tarde. o ruído. a tarefa. o anúncio da passagem do tempo. os degraus das horas que caíram. na sua tarde com chá de sono e sofá de algodão.

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"agradeço às forças emotivas motoras provedoras da minha felicidade ou deste estado alucinado de rarefeita satisfação "


expira em 4,3,2...


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-tem festival: isso é bom pra cacete.

-tem dinheiro entrando: eu gasto tudo com muita facilidade.

-tem casa pra cuidar, cabelo pra cortar, namorado pra arrumar, cartas a escrever...

quero o lado feliz, só luz na minha minha vida. só luz.


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segunda-feira, 18 de outubro de 2010







se eu não quero aguentar sua ignorância, problema é meu.

se eu faço questão que me xingue. problema meu também.

assumo o erro.

não queria teu olhar atravessado. tampouco voltar a ter qualquer tipo afeição.


pode me xingar. pode me matar de ódio milhares de vezes.

não sofro.

não quero.

não vou ao teu enterro.

não faço questão da mingalha de afeto.

não quero mais seu disfarce.

não preciso da sua arrogância.

não preciso lhe provar mais nada.


e nem quero que me dê atenção. não sou criança.

vou deixar você quieto até que o tempo consiga passar ileso entre a gente.

é melhor assim. fico menos arranhada e mordida.



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