quinta-feira, 14 de outubro de 2010

compêndio das horas

Quero.
ele na minha casa.
na minha cozinha.
tocando a sua música.
só pra mim.


[por acreditar na felicidade clandestina].

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

delírios de Dorothy



-deixe a luz do céu entrar...[3x]
uma menina com seu cavalo manco branco em dia de procissão. imagens paregóricas.
uma salva de palmas à imbecilidade ultrajada, ré confessa, diz ela, abusada sexualmente na infância. Dorothy contratou um padre. Pegou-o à tiracolo. deu três leves sermões. contou-lhe uma anedota com pitada de reverência eclesiástica. tomou pra si critérios e valores aturdidos. burro turdilho. batizado equino. obrigou o padre a batizar seu cavalo manco "burro turdilho". e seguiu com fé. por que a fé não costuma falhar.
-aterriza Dorothy!
ele não vai te ligar. todos aqueles rostos não farão sentido algum na estante. você vai continuar colecionando selos. procurando rima na rodoviária do Catete. atirando para todos os lados. decifrando a síndrome que lhe tira o sono. curando uma gripe. dedilhando uns acordes. ele me tira do sério com toda aquela certeza. e eu sei que não posso. não consigo. não vou trair. e me torno uma patética senhora fora de hora. imbecil. muito imbecil.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

ao fundo, o poço.


inverte-se os anagramas. você pode ouvir ao menos uma vez na sua vida a sinfonia que arde no peito?[região à altura do plexo solar] onde foi que você deixou suas polainas? você é muito louco ou eu que sou sonhadora demais? sabe, queria fazer de nós um conto bom. algo como música pra dormir. poxa, como eu gosto do seu jeito de desprezar tudo à sua volta. é. você transforma um dia em uma odisséia [ponto: não me balizar em inúteis palavras de cunho e significado escuso - arredio - vocabulário pernorsticida]. A fábula e o encanto. onde as crianças são felizes. páre de me olhar com ternura que não sei lidar com isso. posso responder como um cão. sabia? avançar e salivar. lamber. risos. vamos dilatando os vasos. encobre-se o buraco que você abriu nos olhos pelo medo de chorar pela vigésima noite seguida. agora nós precisamos afinar, aplicar com maestria todo encargo carimbado na alfândega. [só consigo escutar os motores, me avisa quando chegarmos às véperas vias de fato].

tenho fôlego curto. preciso aproveitar a maré dos enganos e alcançar uma nuvem.

tem uma criança, um bonde, uma fumaça, vidraças, quadrinhos animados, convulsão lírica, e aquilo que você tanto teme. o sopro entre os ouvidos. tudo com vapor efêmero.


***

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

TEMPO E MATÉRIA





Hoje vou tentar ser mais explícita.


por volta de dois dias seguimos um clarão na selva.
então fomos pegando nossas espingardas e leopardos marinhos, garantindo boa defesa e bons grunhidos, cães que comem borboletas.

traziam insígneas tatuadas, com as seguintes inscrições:

-permita-se
-defenda-se
-questione-se
-pesquise: os astros, as retas, os gráficos, a lua e sua velocidade gravitacional, o mar, a noite, a luz, canhões, pólvora, sal, amígdalas, estirpes, Ciprestes, ruídos, tudo o que estiver ao seu alcance.

pois chegará o dia da glória. com incansáveis lampejos de farol, como os daquele cantor popular que anda meio sumido. ou a simples e ilusória sensação de bem estar entrando por aquela porta, tomando conta de você e te trazendo a paz tão sonhada. A do direito ao sonho, por excelência.


***

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

um passeio de balão em Capadócia


sonhei com você outra vez. e acordei pedindo mais 10 minutos como de costume. e não sei se conto a você ou deixo pro travesseiro. segunda opção. me disseram que tenho bom coração, sabia? isso pra mim foi uma ofensa. não quero ter bom coração pra sofrer como uma mulherzinha. ou uma Joana qualquer da vida. ahh não quero não. tô sentindo um vazio filho da puta. -e eu ainda tenho uma tarde inteira - minha mãe me ensinou ser complacente o tempo inteiro, meu pai nem me visitou no orfanato, fiquei pra titia me dizer qual era o melhor momento de arranjar um bom garanhão mangalarga marchador. fiquei desolada ao propagar notícias do fim. meu apocalipse tardio. só preciso passar um bom batom e sair descalça [?] pela Rua do Rosário esquina com a Gonçalves Dias. com um letreiro lumino no pescoço. neon e chiclets na bolsa. estou atenta a qualquer pedido seu. e parece que isso é uma grande furada. só não sei se minto e continuo tropeçando ou continuo tropeçando e vou mentindo. só depende da ordem dos fatores. com lâmpadas e papéis queimando. lance frenético. olhar lúgubre e segredos infantis. quero que você levante dessa o quanto antes. os dias ficam apertados e cheios de stickers. não lembro nem a hora da minha fome mais. sou conivente com a alienação nossa de cada dia só pra evitar a fadiga. poupando sofrimento a cada segundo. não me jogue aos cães, por favor. preciso dar um telefonema. uns amigos de uns amigos estão em Capadócia. parace que encontraram uns balões. o céu hoje é ímpar. e pede pra que minha preguiça cesse e eu comece a sofrer por uma vida menos ordinária. -também tenho vontade de chorar - e não preciso ficar detalhando cada peripécia de desejo. você pode andar distante a vida inteira. prometo chorar de madrugada. enquanto a cidade acorda.
1, 2, feijão com arroz
3,4, ...
***