quinta-feira, 23 de setembro de 2010

um passeio de balão em Capadócia


sonhei com você outra vez. e acordei pedindo mais 10 minutos como de costume. e não sei se conto a você ou deixo pro travesseiro. segunda opção. me disseram que tenho bom coração, sabia? isso pra mim foi uma ofensa. não quero ter bom coração pra sofrer como uma mulherzinha. ou uma Joana qualquer da vida. ahh não quero não. tô sentindo um vazio filho da puta. -e eu ainda tenho uma tarde inteira - minha mãe me ensinou ser complacente o tempo inteiro, meu pai nem me visitou no orfanato, fiquei pra titia me dizer qual era o melhor momento de arranjar um bom garanhão mangalarga marchador. fiquei desolada ao propagar notícias do fim. meu apocalipse tardio. só preciso passar um bom batom e sair descalça [?] pela Rua do Rosário esquina com a Gonçalves Dias. com um letreiro lumino no pescoço. neon e chiclets na bolsa. estou atenta a qualquer pedido seu. e parece que isso é uma grande furada. só não sei se minto e continuo tropeçando ou continuo tropeçando e vou mentindo. só depende da ordem dos fatores. com lâmpadas e papéis queimando. lance frenético. olhar lúgubre e segredos infantis. quero que você levante dessa o quanto antes. os dias ficam apertados e cheios de stickers. não lembro nem a hora da minha fome mais. sou conivente com a alienação nossa de cada dia só pra evitar a fadiga. poupando sofrimento a cada segundo. não me jogue aos cães, por favor. preciso dar um telefonema. uns amigos de uns amigos estão em Capadócia. parace que encontraram uns balões. o céu hoje é ímpar. e pede pra que minha preguiça cesse e eu comece a sofrer por uma vida menos ordinária. -também tenho vontade de chorar - e não preciso ficar detalhando cada peripécia de desejo. você pode andar distante a vida inteira. prometo chorar de madrugada. enquanto a cidade acorda.
1, 2, feijão com arroz
3,4, ...
***

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

transição e inverno no oriente.


sem genealogias de começo meio e fim. posso me enquadrar assim. comparando-me aos pombos, me escondendo em biombos. e procurando salvação. em cada retalho do meu corpo. ao sabor do metal. que me corta a língua. aos dissabores do tempo. me inchando os olhos. aos santos e seus desejos metafísicos sem forma. posso enrolar meia língua. espumar por rancor e atender um telefonema. que tem a voz de um fantasma. que me pergunta se o teor da minha mentira é algo próximo ao alcalino ou chega como um adstringente na mucosa. esse monstro de guelras e fôlego curto. que aceita a minha mentira e se afasta. a tempo. nem precisei contar-lhe os dias e enfeitar minhas ancas. nem precisei catalogar meus distúrbios e entregar planos secretos. não contei que me apertam os dedos e não tenho saliva suficiente. não aceitei a petição de socorro. não. dessa vez é diferente. eu posso escolher.


terça-feira, 14 de setembro de 2010

carta náufraga


aos 22 augustos dias de inverno prosto-me diante uma quilha de papéis. vou reconhecendo as milhares de cápsulas de tempo que andei compilando. e então partindo do mesmo ponto saí na noite seguinte e comecei a investir seriamente nas ciências ocultas de pé de cabeceira. onde vou também compilando sonhos. gratuitos. não há saída para metade das minhas aspirações e eu até comecei a acreditar em toda patifaria que me contam a respeito dos anjos. também vou acreditando na boa fé das pessoas que me rodeiam. todas elas são maculadas e recebem antes de mim um anjo protetor aos ouvidos. dizendo para manterem-se longe daquele que não os querem bem. códigos metamórficos. manchados, enodoados, sujos. e com antíteses venço minha noite de fantasmas ressucitados. não me deixam mais dormir, cumprir horários e meticular cada ação executada. mesmo com todo cuidado a que dediquei cada segundo investido. é sempre insuficiente. agora minha vontade é de por exemplo não depender. de absolutamente nada. mãe, irmã, pai, tio, tia, patrão, chefes, entidades, ordens, contas, prestadores de serviços, e tudo que vem acarretado, engrenado e metrado. risco. vários papéis. o atrito me incomoda profundamente. tato e grafite. uma bigorna de 1.000kg sobre os seios. equilíbrio ébrio. e salpiquei todo confete no assado. por que querem cor e me querem arruinada. então eu mantenho a ferida no pulso, desde que haja sangue para jorrar na terra morta que anda com sede. filtrando aquela sujeira primeira de atos. mãos. pensamentos sórdidos e delicatessen's de padaria.
preciso aceitar, mas tá difícil táh. bem difícil.
dica do chef: -esprema-me como um limão seco. tornarei-me limonada em dois tempos.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Prelúdio em equinócio


esse lirismo me perseguindo à boca de becos sujos. todas as entidades enfurecidas por minha extrema incopetência religiosa. os organogramas da repartição me apelando atenção. o maldito monstro da gaveta na caixa branca. Pandora deve estar fornicando uma hora destas. -vadia! me soltou ao vão do sofá e me perdeu entre as estrelas czarinas. de propósito. aqui é o lugar onde repito. de tudo um pouco. as mesmas paisagens. os sóis. dígitos que atravessam meus dedos. que sabem cortar minhas impressões e tomar pra si todo mérito. anêmico. endêmico. com toda terminação pseudo-poética a que tem direito. não aprendi a ler. e não vou saber descrever em códigos o matiz dos aovéolos lunares. em tarde fria. que me carrega a uma fuga. de Chopin. toccata. por um monstro. assediada pela besta. saída de algum canto do inferno ela veio aqui me arrancar da cama, socar uns 3 tapas e dizer que meus dias de equinócio quivalem às noites. empate ímpar. com malhadas figuras. serpentina fora de época e aquelas lágrimas coloridas. de inocência. por não saber onde se encontram as instruções nem a placa de saída. emergência lúgubre. desde então acordo com olhos vagos. me retiro dos ambientes com discrição. e tento arrancar de mim toda manhã uma porção de sangue pra compensar a falta que eu sinto do que não entendi ao certo ter perdido ou cedido à fraqueza em nome de algo que nem sei nome e me carrega desoladamente por qualquer rua que seja. buraco. fim. cinzas. a fênix está dormindo. e pediu para não ser incomodada. fazem armadilhas, cedo a amarrações alheias. a perseguição da minha alma começou no último verão. tenho mãos e seios sujos. e a culpa não é mais minha. é minha fraqueza que responde pela imbecilidade a que fui acometida.
falo o milagre, mas nunca o nome do santo.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010


pela imagem. em algum sonho. passado remoto. com toda consfusão mental a que tenho direito.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

o que acontece depois?


-FILHO DA PUTA!


precisava na verdade jogar na cara do infeliz. vomitar todo o engano. tudo o que eu fiz pra que desse certo e nada no resultado final. [em quê eu acreditava?] não pode ser considerado. não pode ser avaliado esse ódio. que mistura umas matizes escuras, rubras. e a ameaça à toda estabilidade adquirida. toda sujeira que o desgraçado tatuou na minha memória. morro de ódio a cada 10 segundos. me arrependo. e volto a morrer de ódio. é um cadáver belo. um corpo frio. com tez de vingança e mordiscadas no seio. -AQUELE CRETINO! podia ter arrumado outra, comido a mãe, eu não me importava, juro, ele podia fazer qualquer coisa, menos omitir. -DESGRAÇADO! vou revirar na cama esse luto por dias a fio. e quando enfim conseguir chorar, eu vou dedicar cada lágrima ao maldito. que por tanto tempo dediquei carinho. -MALDITO! que me fez de boba enquanto enganava os sentidos. que mudou tudo. minha rotina. minha pele. meus pés. veio e destruiu tudo. me deixou ancorada nas minhas desculpas. me deixou à sorte. de morrer de ódio. de sucumbir a cada segundo. de me arrepender por ter começado. e terminado nisso. esse trapo de hoje.