terça-feira, 5 de janeiro de 2010

onde a luz não se esconde


é uma imagem idealizada. uma fixação também poderia afirmar. talvez eu seja a sua vaidade. não sei onde a gente começa e termina. fica um resquício de proteção. eu pedi proteção. sonhei com isso. queria abrigo. e fugir também. preparei um doce uma planta e terra seca. a tempestade que cobre minha janela não te alcança. quando você fica calado eu penso que está tudo bem. você não me conta nada sobre. quando se tranca no quarto pra chorar. não quer me mostrar cicatrizes. não me beija e nem diz que me ama. eu continuo durmindo de luz acesa. fique sabendo. embora eu ache que você não faça questão. monólogo surdo. e nem reparei quando você acordou e saiu com pressa. às vezes eu acho estranho esse seu silêncio. e violento. principalmente quando não me dirige a palavra. me acorda com agulhas. olha pra longe e esquece de mim. violento. posso te ligar e pedir pra voltar. posso passar com um trator por cima dos meus pés. colocar flores no lençol. colocar uma música. acrescentar dois palmos de indecisão e jogar tudo pro alto. só pra você parar de olhar pra longe. e esquecer de mim.
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... volto outra hora.



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

homens são de morte


acontece que as provisões do dia anterior vieram na receita do verso da latinha de leite condensado. sem firulas merdafóricas sem sentido, acho que vou apelar para o auto-romance-peseudo-existencial-com implicações de gênero-a pior alternativa de meio e escrita. ele veio macio trazendo consigo metal e um cinto apertado. quer me fazer chorar. eu penso nele em toda boa oportunidade do meu dia. ele pensa que eu minto. não. hoje não. só pedi pra não me deixar sozinha [com um tom de mujer dramática] e como resultado tenho agora uma face branca, um leve rosa de mostruário de cores e um seio arranhado. não sei se é a melhor saída. mas faz sentido acordar e fazer café. pegar o cheiro dele na minha toalha. sofrer a pressão por uns segundos que escapam. alcançar uma nuvem com a mão. deixar me fazer de boba. não querer dizer que ele acredita numa mentira. o amor não existe. e os fortes não pensam, tampouco amam. encaram só pelo prazer mesmo. pressurização e massa de cimento. vou construir uma parede na largura do punho. não posso voltar pra casa e ver aquela cama bagunçada e pensar que está tudo bem. nem sempre fica no fim. talvez eu sinta agora o vazio daquelas que só valem umazinha e nada. daquelas que estão amargas e vão enferrujando por vontade própria em alguma prateleira de casa. das alienadas e idiotas que precisam de subterfúgios, escapadas e mentiras pra sustentar uma ilusão inventada por elas mesmas.
mulher é tudo igual. pode acreditar.
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

com problemas e febre


baixa resistência imunológica. baixa no orçamento. baixa estação. uns níveis abaixo do mar. depressão vulcânica. ok. algumas coisas estão precisando ser cuidadas. e minhas plantinhas não bebem Coca-Cola [alguém avise isso às minhas irmãs?] não consigo parar pra ler. não páro pra nada. o que acontece? nem paz eu ando tendo. resisto a toda investida. desconfio de votos de sinceridade. vou comprar um olho turco. mandei ver na arruda atrás da olhera. me disseram pela milionésima vez que a inveja anda secando meu jardim. e vem de onde isso? preciso me afastar. ok. preciso me afastar. preciso olhar de fora. ver que nota mereço. e também um possível recomeço. sabe quando o tempo te convence de algumas coisas? pessoas e objetos são altamente desnecessários na sua estante. sim. é mais ou menos isso. na verdade eu acredito que "talvez a verdade esteja no meio-termo" li num livro. e reforce o argumento. você está quase chegando lá. conversa de aranha da pôrra. tudo isso é bobagem. a verdade é que não quero acabar sozinha no final. não quero engraxar meus sapatinhos de cristal. não quero melancia no café. não quero aquele homem me cheirando de madrugada. tá eu quero sim. mas na hora certa. eu não soube o que fazer. não soube lidar com ela. não soube entender a hora certa de me despedir de algumas coisas. não soube dizer não quando precisava. e nem dizer o quanto estive aflita quando precisava. eu chorei ouvindo Detalhes de Roberto Carlos. ok. ando me comportando como se não fosse eu. esquisito tudo isso. manias importadas. olho o letreiro em inglês e já penso em fuga. penso tantas inúteis vezes antes de agir que coisas perdem o significado no percurso. avalio com tanta severidade o merecimento de objetos indiretos que perco a linha de raciocínio. arremessos. o que está acontecendo? fenomenologia comportamental. um surto de carência e dependência. e a constatação não é minha. pensei em continuar sozinha na tal estrada pra Neverland. mas preciso confessar que preciso e até amo e choro muito por querer você perto. sem desespero. sem confissões imbecis e públicas. preciso viver tanto ainda. preciso tanto tomar coragem. chutar o balde e te pegar pelo colarinho. na violência. por que porrada de amor não dói. espero ter salvação e estar de passagem no tempo certo. também quero ir pro céu. sabendo que não mereço e nem fiz por onde. me perdi no azul infinito e apagaram o caminho da volta pra casa.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

onde você não consegue me ver

sacrificado seja todo segredo.





preciso comer um doce. sensação de balão. aflições e um dia breve.

escondo meus olhos e tenho medo do que pode estar à frente ou chamem de futuro, Deus, solidão, sei lá, verdades sobre o tempo e ausências sem boas desculpas. prefiro conservá-los em pequenos potes lisos com vinagre e sal. nenhuma solução cênica que caiba no bolso. perdoe minha falta. cansei de conviver. e ter que, tantas coisas. um balão de oxigênio. três parabéns. um ponto negro no sol. inchaço de lua. meio caminho. amor de mãe na prateleira. mil pés de altura e confeitos coloridos para lembrar você de você mesmo. uma garotinha que é um amor e não vai esquecer dos elefantes bordados na parede. umas migalhas de saudade entre uma dobra e outra do vestido novo. um homem perfeito que não alcança a realidade inventada. sonhei com ele mês passado. e tenho escrito coisas tristes e infantis. ok. passou como uma febre. andei tropeçando em algumas boas surpresas. não quero deixar o tempo me enganar. me fazer de boba e rir de mim. preciso nadar um pouco mais. preciso manter a postura. guardar as chaves. encabeçar uma barricada. lenço rosa. salsinha no copo. meticulosa aresta delirante. formigas cintilantes me acordando de madrugada. você denovo. aquela mentira denovo. obrigações no cabide. minha alma embotada. ahhhh. não quero terminar isso! aff! preciso correr e vai ficar sem ponto final.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

malcriações e burrice.





ok. subi no tamanco. não consegui segurar. tô arrependida.

não é golpe. não é mentira. não é joguinho.

fiquei te esperando. ontem. hoje.

e não consigo mais esconder teus arranhões.


não me deixe sozinha como paga às minhas malcriações.

prometo ser boazinha e te deixar feliz no final.

só não me deixe sozinha.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

cada coisa em seu lugar.


prateleira de livros. uns degraus de escada. quarto apertado. fôlego ofegante. espelho distorcido. três quadros. alguns troféus. meia com estampa de florzinha. se tudo não cheirasse a mofo e antisséptico bucal eu abriria a porta ao carteiro. velhas manias embotadas. inclusive de não atender estranhos. não aceitar balas. e colocar-me no lugar antes que o sol nasça. sabe a vertigem da manhã? aurora matutina, algo parecido. uma sensação esquisita de começo meio e fim. mergulho na piscina e sorvete de creme. movimentos peristálticos. saltos e quedas. levante e marfim. sem paz. em nada. niilismo oportuno. festa e trambique. boca seca. ressaca. submissão e controle. partidos de baixas patentes. milícia e covardias. entorpecido. abandonado. adulto. responsável. amigo. mentira.

[tô tão noiada que nem consigo combinar bobagens direito. volta pra mentirinha!]

onde tudo se encaixa. pretensos objetos artísticos. maneirismos débeis. figurinha repetida. álbum enferrujado. sachês e chás leguminosos. santos enternecidos. ou como eu tornei essa maldita odisséia mais sofrida que a de Cristo? e tentar estabelecer um tempo pra coisas reais e visitas a antiquários. nem eu sabia que namoraria você. era estranho e a fome era muita. ainda é? "eu quero estar bem longe do chão só pra não ver você chorar..." acho que as coisas não andam muito bem. ou a aparência delas me covence do contrário. ok. dentro e fora. fama e infortúnio. silogismo de igrejinha. saldo negativo. mancadas e tropeços. duos escarpados e Scarpin de madeira. me lembra tomar cerveja em botequim, birosca perdida. mancadas e tropeços repetidos. peso e gravidade. me perdoe,mas foi você quem me chutou primeiro. sua preguiça de mim e suas ofensas me indignaram também. e como estamos em terreiro de santos impiedosos, cambiemos un acordo, tenhamos real devoção à verdade. uma verdade comungada. ou camundongo e comunhão. caminhão de feira. frete de delírio. queria alcançar o pódio da tua preferência, não é possível. eu sei. peço pra sair. derrotada. tenho afeição aos perdedores. fique o senhor sabendo. meu senhor de meia idade e desejos vis. almanaque de poesia e desclassificadas atitudes. esteja pronta para o tapa e o afago nos órgãos. esteja preparada e com suas couraças de caráter a postos para julgamentos e esquecimentos. eu vou gritar em meio a multidão. ok. as coisas que eu digo não teem mais-valia. e as porradas e coações em nome de cristo me deixaram na dúvida. em real falta de saída em caso de incêndio. me obrigaram a aterrizar e comer poeira. mastigar pedrinhas e chamar os outros com carinho e devoção em nome de algum amor e uma fraternidade insípida, incolor e inodora. salvando os velhos clichês. repaginando a rotina de horas contadas. agradecendo mais um sopro. escapando por um pouco. e por sorte. eu salvei uma esperança duma chinelada violenta. me agradeçam. acho que algumas coisas estão sem futuro. precisam de mesa e planos. pontiagudas bordas. e entender toda as mentiras. entender a fraqueza daquela moça que bebe até cair e quer suicídio na janela. entender o cara que dorme e se firma em escoras de Dalí. dar um abraço no capeta em festas particulares. explicar a morte a crianças de três anos. matar a mãe com o travesseiro. comer bulbos de bambu e brotos de feijão. cultivar uma horta de valores e expressões em desuso. defender alguma ideologia partidária. encontrar existenciais razões de ser. chupar pirulitos e pilhas. utilizar somente verbos no infinitivo pelo valor de equidistância. lutar pela preservação da mata atlântica e da memória. causas perdidas. cultivar maus hábitos noturnos. acordar e procurar o dia. ok. lista de compras completa. só falta a mola motriz. trabalho em meio a sangue e lodo. todos os dias. e a gaiola é confortável e em breve terá ar-condicionado. fiz meus votos pra um ano de coisas novas e interessantes. eu acredito que muitas coisas não mudem. mas o atrito responderá umas questões. alguém me salve. mergulhei no poço denovo. preciso voltar. que seja içada. vela alta.
sem motivo e como sempre destinado a poucos entendedores de meias palavras.
+1.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

tribunal de causas mínimas perdidas


uma noite a fio. um passaporte pro inferno. a conta vencendo. meu pescoço rangendo.

se me enviasse notícias suas, dormiria em paz. ao menos.