segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

sem amor, só a loucura (Caio F.Abreu)


vamos ao que interessa. o ponto. Inês seguiu atropalada pela rua das 15 cruzes.
Quando se deparou com a noite, correu feito louca, com vestido cinza, perfume amargo e olhos muito negros. arestas e portas. três beatas sintéticas. uma luz vertiginosa. gostava do hit do moço da farmácia. a dor que ela alimentava aos sábados a vestiu na mesma linha. uma atriz de profissão, mas ser puta era uma vocação e trabalhava no conservatório nacional a danada. tridimensionalidade íngrime. vidas de gato no penhor. pensava que se as coisas estão perdidas por aí. perder-se não era problema de difícil solução. um labirinto desfazendo-se em trapos. lenha na fogueira. saltos herméticos concisos tão abstratos... um gato no parapeito. beijo público. e estranhamente maldições rogadas foram jogadas por terra. um mago muito do esperto a convencendo de sua inocência, negava o acesso ao santo lugar.marcava nela um código de série. perigo. logotipos. cifras. giras. saias. medo. o mal ronda e quer rasteira. me fizeram acreditar na morfina que mantêm meus dedos inteiros. Inês sacudiu a saia derramou um sopro de confiança e pegou a doce tentação pelos ombros, mediu alqueires de sede. apreciando a demolição das ancas. Deus dá o frio conforme o cobertor. um amontoado de pulsações sem destino. acabou em doce. meiga. me indignou ao arremessar daquele homem o que nunca foi dele. ela vai ficar naquela janela esperando. amargura.tudo... luzes. música. ritmo. moldes de contato físico. molduras. charme francês. lúdico céu de baunilha. salsichas e Ipês. Van Ghog's em decassílabos. partituras. seios. náuseas. sarampo. higiene e proteção.

não quero que Inês se mate com tiro no peito. nem faço questão de destinos fantásticos."... sinto muito amor, mas não pode ser... se eu perder esse trem que sai agora às onze horas... só amanhã de manhã..."

precisa limpar o caótico ladrilho português com escritos de saudade e umas penitências pras beatas. o príncipe morreu. sua vida continua na folha de pagamento. seu calendário gagá atrás da porta.feriados de morte. saias justas e uma carta de confissão sem final.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

você sempre quer me convencer que está tudo bem. dear, não desta vez. não hoje. você andou entrando na minha casa com aquele passo pesado. não me deu tempo nem de te contar a última impressão que ficou. você não faz questão que tenham amor por você. faz questão de ser um homem de cerviz. stricto sensu. meia volta e preenchimento. condicionado à metade de si. arrogante. boa educação paga. alfinetes na língua e um melado no movimento. não sei como perdi e comecei a me afastar. acho que você também estranhou. mas acredite, não existem conspirações. não existe metade das coisas que você imagina. bobagem sua. bobagem minha. não quero parar as coisas pra discutir ou falar do seu medo. e por que eu ando falando tanto de você nos últimos tempos? suspeite disto. lavo minhas minhas mãos e Pilatos de testemunha. você brinca até cair. eu parei. é bonitinho fazer de conta. e não passo de um amontoado de irritação. me trava os pés. me cerca o olhar e completa um feitiço de mal caminho. amanhã me faltará ar e minhas mãos estarão enfaixadas com gesso as enterrando no quintal. meus mortos levantam inquisições e ameaças de esquecimento. ameaças de desaparecimento. meu stress pós dramático. um alívio na madrugada. o sal derramado no piso. as chances de voltar a gostar de tudo o que você encanta indo pelo ralo. você está com certeza me jogando fora outra vez. percebi já faz um tempo. desculpe. também não presto. e não quero ser uma cruz na tua lista. não. eu não.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

olhos perdidos


olhinhos tão vivos. iguais aos dos peixinhos em aquários de mar. ando lendo seus segredos. saltos em distância. sempre vejo o menino perdido em busca da fantástica fábrica de chocolates. você não quer ser o que é. comer o que come. saber de toda a mentira a respeito dos anjos e das implicações que acarretam. prefere ficar com a lua. agarrado num traço a lápis. limpando os pontinhos no oceano. levando no bolso uma coleção de receitinhas de auto-suficiência. meio infantil. meio homem. meio nada. sempre perdendo. você. os outros. objetos de desejo. quem ama. um anjinho caído. na prática alguns minutos não fazem diferença. tapete persa e infiltração no teto. sua mãe te lembrando do absurdo que é uma formiga encontrar-se sozinha em meio a tanto açúcar. seu pai martelando o mesmo prego no meio da sua testa. seus cães no domingo sem coleira e parque. lado roxo da parede. ponto branco de obrigação. carruagem de abóbora. relógio de festa. dear. tente ver. toda manhã o que passa pelas grades do seu quarto. sinais de fumaça. a fada borboletinha te chamou na noite em que os soldados de chumbo resolveram bater em retirada. WAR. eles perderam uma batalha importantíssima pra mais um título de honraria. lance de generais e altas patentes. dois sargentos de túnica rosa. outono em maio. tema Rio Kwait. uma alucinação de sangue e meteoros. não sei o momento certo pra estender a mão a tempo de te salvar. nem te lembrar a todo instante do que nem eu sei onde fica. aquele mar. suas colunas de junco. meias furadas. sapatos escorregadios. poeira num canto do peito. desculpe. não consigo estancar a represa no seu quarto. chave perdida. código egípcio. ponte e desalinho. pequenos elefantes, bailarinas de móbile e uma sonata automática te acompanham na minha vitrine.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

idiopatia na fogueira e saltos ornamentais


diagnóstico fraudulento. uma bela história de bolso. um cavalheiro de mil faces. loucos na enfermaria. corredor da morte. penitenciária e lingerie americana. manhã qualquer de domingo de quinta meia safena e dispepsia. não tenho mais saco e disposição pra um apanhado de coisas. inclusive tuas grosserias. espelho ma cherie. percebeu o flash? não, néh? ok. foda-se. foda-se. fhoda-se. fhoda-se! caralho! minha raiva de lua é a pior parte da história, vai chegar uma hora que o arrependimento vai bater em minha porta. ok. previsto. mas daí apostar um bloco de anil por duas cabeças não é justo. sabe o que é justo? acho que você também perdeu o senso de jurisprudência. acredita que continuo esperando? o cenário perfeito. o climinha de romance. o meio termo que não chega a lugar nenhum... santa. santíssima. espero conseguir uma permuta no paraíso. com direito a uns drinks e meia arrastão. salto 15. miragem e imersão. entreguei 2 pescoços ao matadouro. minha culpa anda gritando na rua que fui eu. ok. alguém cala essa maldita? no meu enterro entregue minhas cartas aos participantes do evento. boa idéia. mórbida. mas boa. entregar minhas cartas escritas pra ninguém. lembrá-los da solidão e do mesmo fim. sem hipocrisia religiosa. só o susto. eu tinha um punhado de frases prontas, era só colocar no microondas. mais eficaz que pipoca. mas eu esqueci. esqueci mesmo. procurava a cura e nada me foi sugerido. me jogaram no limbo sem poder recorrer à causa. 'o amor é pedra no abismo... há meio passo entre o mal e o bem..." tem um gosto de morte. contando meus segredos em códigos metamórficos. adivinhem qual o problema jogado à luz... meia chance. ok. não dá. quero ir embora mais que tudo. quero abandonar uma casa de cascavel. quero morrer numa esquina. atropelada. chama mais atenção. e com uma foto minha no outdoor à frente. foi ela que morreu. abriu lugar pra um monstro devorador de coraçõezinhos de papel. um leviatã fofo. sabia que você não me assusta mais? bûh! sou mais assustadora que você. azar o meu néh?


fiquebem. não lembre de mim esta semana. preciso respirar meu ar. minha vida. minhas dores. minha insônia. limpar minha cozinha. renovar o voto cristão. saciar a fome de carne crua. embebedar uns flancos. subir em marquises. pintar calçadas de branco. céu de vermelho. lua de azul. sol de amarelo. brincar de digressão. sacar um bélico. matar o chaveiro. coisas atípicas.


só me chame em caso de sinistro. vide contrato social.


'prenez soin de vous' e você não precisa de mim...




quinta-feira, 19 de novembro de 2009

because i like that.


caramba. não dá pra fazer isso. não. o problema é você saber e estragar o jogo. me contaram ontem uma historinha bonita. vestido moderno. corte reto. e um fantasma com cor de passado te visitando. minhas mãos limpas. minha saia justa. dormindo no canto da cama com medo do que está embaixo. e sonhos estranhos me acordando. a princesinha estampa de abajour conta com respostas e sintomas. de um rubro verso. mancha no pescoço. salto 15 em arquibancada. e este céu de Califórnia. minhas fitas de cabelo. meu medo. minha aproximação. seu medo. sua aproximação. partida. um vão entre dedos. e com medida de página ímpar. amanhã me acorda com uma palavra doce ao pé do ouvido. diz que me ama. e eu entrego minha vida por uma mentira. sem escândalos. só a má sorte de querer alguém que não vem. delirando!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

o lance é não ficar se iludindo


no capítulo de ontem bateu um bode do cão. nem eu sei explicar. por que eu andei cansando de condicionamentos estúpidos. sim me cansei sim. e pra quê tanto orgulho? me conta. pra ser melhor que fulano que é um bosta? pra secar de inveja resultado de cicrano? pra quê? me diz. eu tô de saco cheio de tanta inoperância. e isso vem de mim. acredite. é muita reclamação. é muita firula pra pouca coisa. é meu tempo sendo perdido. é minha solidão me recolhendo num canto. trazendo pra casa. semana passada corri pra enxergar o filtro amargo na tua vitrine [olhos]. tanta desconfiança. me cansou essa ordem de não chorar em público pra não passar vergonha. minha vida tá um cú. no sentido mais sujo e prejudicado do termo. não encontro a cura do meu ferimento. médico, cura-te a ti mesmo. com plascebo rosa. eu fiquei ontem esperando até morrer uma resposta. percebi que você não se importa muito. ok. meu mundinho é pequenininho mesmo. e essa insuficiência de tamanho me encrispou os ânimos. perdi a aposta. me irritei com pouca coisa. me deu vontade de chorar caralho! e comprar uma arma também. e me vingar do cruél mundo de subdivisão. não encontrei o erro na pergunta ainda. mas é com x a resposta. prometo pedir leite no próximo boteco. prometo desviar meus olhos de cão que caiu da mudança. prometo fazer uma forcinha pra deixar minha cara mais parecida com a sua. pra te ouvir chorar quietinho no canto de algum quarto de hotél. pra secar essa enchente aqui dentro. pra tornar real. pra beijar você com carinho e sair correndo de desespero. a infelicidade disso tudo. a rotina dando bom dia. essa incapacidade de tudo. esse medo de progredir. meus decidébeis de altura. falei que tinha medo, inclusive de chegar em você. me trava a língua. me imobiliza os ânimos. não consigo mais explicar. não consigo. impasse.





sábado, 14 de novembro de 2009

balada beat, universo kitsh

enquanto alguns acreditam na indubitável força de vontade do destino
vou procurando uma nova fórmula. mudança de ventos.
"quero a fome e a sede eterna de amar e amar e amar..."

e eu voei. eu não. a máquina.
e eu vi. sim, com meus olhos.
indo. voltei.
na cápsula da morte. em velocidade sônica.
minha mãe do céu!
onde andam aqueles pés de nuvens?
são de algodão.
vendo nuvens de cima.
campo. concentração. algodão
clichê e classe econômica


sabe... eu preciso agradecer. sorrir. simplesmente.
alteza.prazer de vida.sede de ar.
gosto de fruta cítrica. reparar teu olhar.
e você amando
é bonito.

ê versinho triste que não tem cadência e mata.

minha virgem santa sacramentada!