terça-feira, 17 de março de 2009

El dia que me quieras..

(da série: falar de amor é brega, mas é bom e dá dinheiro).

"...com certeza vai ser tarde, você andou perdendo seu tempo no saguão do hotel. eu disse que era tarde. não vou lhe cobrar toda dor que você causou, fique tranquilo. não há moeda que pague. você também não precisa se dar ao trabalho de ir no meu enterro, na lápide estará escrito com todas as letras "fulana, aquela que morreu de amor" você não será citado. como a vida e todo o resto foram cruéis. ela não suportou a pressão sanguinea. bateu as botas. tão cedo. sim, se morre de amor..."

segunda-feira, 16 de março de 2009

La vida es linda, Pibe,




o tumulto que ocupa meu peito não dá espaço à ausência.
sem circunstanciar a dor. estamos atravessando o Lago Bolchevique
balas no céu. tiros no escuro. figuras repetidas.
perdição momentânea. precisamos conversar, Pibe,
preciso lhe contar a magia do inesperado.
preciso me desfazer do caminho roto,
da sujeira grudada,
da dor presumida,
do medo oportuno,
da rua deserta e suja,
da poesia na esquina,
girando, girando, girando
assegurar-me de nada,
descansar
contar uma história falsa,
fugir da polícia,
beber no bar mais sujo da cidade
contemplar tão-único-somente
contemplar teus olhos curiosos, Pibe
contar-lhe como ando cansada por aí
pois tive passado limpo
e agora me assusta o vazio
estamos tocando um tango
ando dormindo pouco
correndo muito
ainda servem a tua bebida naquele bar,
tuas histórias de fantasmas são engraçadas
me embebedam de medo
lhe disseram algo sobre a dor daquela mulher de vermelho?
todos os dias no mesmo homem.
quando ele disse que precisava se casar
ela fechou os olhos,
guardou a única lágrima que conseguia naquele momento
e numa rima fácil
entendeu que amor também é dor
e dor de amor não tem cura
não cicatriza.
lhe embebedam os flancos
sai tropeçando na própria estupidez
mujeres vermelhas são estúpidas, Pibe
mujeres vermelhas amam em demasia
pertubam e sofrem mais que cães abandonados
no canto dos olhos ela guardou a lágrima
pra um lugar escuro, onde tocava um tango
melodia reincidente, por una cabeza
perdeu-se. por completo.







segunda-feira, 9 de março de 2009

algo sujo


poesia satírica, bebida ácida, delírio na madrugada, desejo de morte, perigo, adrenalina, pulsão, a idéia é sobreviver até depois de amanhã. MAnhã. vitrine. asfalto. R$1,40 na padaria. calor. asfalto e céu. bueiro e chão. calma. 15 minutos não mata ninguém. atraso. é o 365° do ano. precisa prestar mais atenção mocinha. mocinha? esquece.
onde você passou a noite? -não interessa. com quem? -é da sua conta? até parece minha mãe.me deixa. ou melhor, não me deixa não, mas pára de olhar pra mim do jeito que você tá me olhando. me incomoda.
que dia é hoje? -algo como uma coisa antes de amanhã e depois de ontem.
que horas são? -a mesma de ontem nesse exato momento. (raivinha)
uma vontade que não se controla. uma pessoa muito perdida. alguém que perdeu as chaves de casa. portão trancado.
-alguém já falou pra você que toda essa cortação de volta pra não dizer nada é irritante?

-não..ainda não.

eu levei sabão por uma coisa que nem aconteceu ainda. o problema é todo meu não é?

então tá. eu vou procurar um remédio que resolva a exaqueca e vou continuar indo pra não sei onde até onde for possível. não preciso da tua má vontade nem da tua arrogância.

pode deixar. alguém já falou a você que você não é Deus? desce do salto. Senhor Lebre.
sua crueldade com molho de pimenta e dose de naftalina cítrica não me embebedam mais.

bléh! :l



terça-feira, 3 de março de 2009

Manifesto e Stricnina


aos que não sabem (nem todo mundo é obrigado a tal) stricnina é algo que sugere um tom satírico, burlesco, um termo jocoso, por que não dizer.., ãffãn, la vie ça va bien, la ecolè game over baby, moi looving in mont blanc, a família vai bem, obrigado. o manifesto de algo sem fundamento, um tiro no escuro com alguém me esperando à porta. digamos que divagações débeis não chegam a lugares alguns. sonhar é grátis. já paguei minhas parcelas de culpa. direcionemos ao ponto que interessa. não há conclusão. não há memória. não há ponto de partida. só chegada. sabe que ontem eu parei pra ver o sol? flash-back. in sight. nós compartilhamos as mesmas dores. o sacrifício é parecido. a morte é a mesma. bebi veneno. comi cocô. pisei na lama. sujou. fudeu. não temos como arcar com tamanha possibilidade. tudo é ilusório. na minha cabeça as coisas se confundem com tamanha facilidade... apaixonada.. ela está apaixonada... e ninguém vai ter nada com ela... ela vai se fuder denovo... (um coro na minha cabeça) -vai se fuder denovo... (falar palavrão torna a coisa mais out-sider) -vai tomar no cúú..

ontem lembrei meu cachorro morto. chorei umas perdas irreparáveis sem beneficiamento póstumo.

queria aquele homem como ninguém nunca quiz, fiz o diabo, chorei na marquize com chuva de verão. corri km's pra provar maratonicamente que meu amor supera barreiras, distâncias, medos, tudo. e hoje encontro-me incrivelmente cansada.de tudo.

paixão, trabalho, homem, amores, cafés-da-manhã, sono insuficiente, compromissos sem propósito, vaga-lumes idiotas, idéias fora de época, aurora boreau, Convention & Visitors Bureau, enchi. já deu.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

um cardápio sem música


em pleno horário de almoço esquivo-me ao teclado nosso de cada dia e arranho uma modinha.

escrever aleatoriamente o que me vier ao estômago. tenho fome. aqui nós não costumamos tocar em assuntos de esfera e da responsabilidade pública. reclamações gástricas. falar de trocados e vinténs não me cabe pois não os tenho no bolso (está furado). fingir um estado prejudicado não me vale, alimento-me muito bem (graças a Deus) e todos os dias. e eu vou falar de quê? miséria e mazela já dão muito dinheiro pro governo, eu ando inflamada. suspensão ventríloca acima do aceitável, além do possível, digamos que imperdoável. paciência pra babaquice. eis um bom assunto. pode render matéria.capa de jornal. uma pessoa que foi e fez. pegou, largou, pegou novamente, deixou, cuspiu, notou, morreu. tudo entendido. belo. imaculado. se há razão ou lógica que dialogue com um nada a ver com nada ou mesmo uma autodefinição sem sinal digital e silogismos e enganos... onde consigo escrever e bem para teatro? no quarto de casa, na rua, no motel, na escrivaninha, no balcão da loja, onde? alguém pode me ajudar? quarta-feira de cinzas, e ninguém foi almoçar ainda. preciso sair daqui rápido. -bon apetit!