terça-feira, 3 de março de 2009

Manifesto e Stricnina


aos que não sabem (nem todo mundo é obrigado a tal) stricnina é algo que sugere um tom satírico, burlesco, um termo jocoso, por que não dizer.., ãffãn, la vie ça va bien, la ecolè game over baby, moi looving in mont blanc, a família vai bem, obrigado. o manifesto de algo sem fundamento, um tiro no escuro com alguém me esperando à porta. digamos que divagações débeis não chegam a lugares alguns. sonhar é grátis. já paguei minhas parcelas de culpa. direcionemos ao ponto que interessa. não há conclusão. não há memória. não há ponto de partida. só chegada. sabe que ontem eu parei pra ver o sol? flash-back. in sight. nós compartilhamos as mesmas dores. o sacrifício é parecido. a morte é a mesma. bebi veneno. comi cocô. pisei na lama. sujou. fudeu. não temos como arcar com tamanha possibilidade. tudo é ilusório. na minha cabeça as coisas se confundem com tamanha facilidade... apaixonada.. ela está apaixonada... e ninguém vai ter nada com ela... ela vai se fuder denovo... (um coro na minha cabeça) -vai se fuder denovo... (falar palavrão torna a coisa mais out-sider) -vai tomar no cúú..

ontem lembrei meu cachorro morto. chorei umas perdas irreparáveis sem beneficiamento póstumo.

queria aquele homem como ninguém nunca quiz, fiz o diabo, chorei na marquize com chuva de verão. corri km's pra provar maratonicamente que meu amor supera barreiras, distâncias, medos, tudo. e hoje encontro-me incrivelmente cansada.de tudo.

paixão, trabalho, homem, amores, cafés-da-manhã, sono insuficiente, compromissos sem propósito, vaga-lumes idiotas, idéias fora de época, aurora boreau, Convention & Visitors Bureau, enchi. já deu.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

um cardápio sem música


em pleno horário de almoço esquivo-me ao teclado nosso de cada dia e arranho uma modinha.

escrever aleatoriamente o que me vier ao estômago. tenho fome. aqui nós não costumamos tocar em assuntos de esfera e da responsabilidade pública. reclamações gástricas. falar de trocados e vinténs não me cabe pois não os tenho no bolso (está furado). fingir um estado prejudicado não me vale, alimento-me muito bem (graças a Deus) e todos os dias. e eu vou falar de quê? miséria e mazela já dão muito dinheiro pro governo, eu ando inflamada. suspensão ventríloca acima do aceitável, além do possível, digamos que imperdoável. paciência pra babaquice. eis um bom assunto. pode render matéria.capa de jornal. uma pessoa que foi e fez. pegou, largou, pegou novamente, deixou, cuspiu, notou, morreu. tudo entendido. belo. imaculado. se há razão ou lógica que dialogue com um nada a ver com nada ou mesmo uma autodefinição sem sinal digital e silogismos e enganos... onde consigo escrever e bem para teatro? no quarto de casa, na rua, no motel, na escrivaninha, no balcão da loja, onde? alguém pode me ajudar? quarta-feira de cinzas, e ninguém foi almoçar ainda. preciso sair daqui rápido. -bon apetit!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

um prazer indefectível







quando ando em trapos, corro pra rua, toco uma canção sem nome na gaita, como maresia, cheiro gasolina, tropeço na calçada, sinto ele se aproximando, sigo correndo sem destino, só fugindo, percebo a falta que eu fiz alí, nele, nela. Então quero mudar de lugar. expressão comezinha pra uma vida atribulada cheia de embargos alfandegários, vertigens calamitosas. o silêncio intimidador dele não me assusta mais. quer saber? já mandei À merda tem tempo. indiferença não é problema meu. só queria uma alegria de realização impossível. meu passaporte. uma esperança se aproxima. você não queria ser artista? tái.






quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

-você não me engana


é o que minha mãe diz no auge de sua sapiência quando reconhece um problema em mim. me conhece como a palma de sua mão,sabe de cada coisa que eu seria capaz de fazer só me olhando bem fundo nos olhos. Ok mãe, você venceu. não sou aquilo que pensam que sou. minha crise de identidade tem maiores nuances. é menos rasa. eu gosto de aparecer mãe, também gosto de barulho pra não ouvir o que se passa dentro. também como desesperadamente pra aliviar o vazio. de alma e estômago. mãe, você sabe muito bem que me arrisco em saltos no escuro, que estou latindo pro cão da vizinha, que fumei maconha estragada logo na 1ª tentativa, que não fui feliz o quanto devia, que gosto daquelas manhãs que todas acordamos juntas e começamos a conversar e colocar nossas notícias em dia. Você sabe mãe, que agora eu preciso crescer, que enfim chegou minha hora de ir pro meu sertão de imaginação, pra minha lavoura inventada, pro meu cantão de Deus me livre. Você bem sabe também a falta que eu sinto daquele abraço de verdade de tempos bons.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

complicada e perfeitinha


respondo pela 3ª pessoa. ela. que chateia até dizerem chega. -ontem passei muito mal, quase morri, sabia? só não queria contar enquanto acontecia por que não queria chatear... ninguém.

ela percebeu. olharam daquele jeito denovo, ameaça ao telefone, olharam com aquele desdém de quem não quer comprar. Nunca precisei disso pra viver. Enquadramento. Alguém viu? Aquela menina de olhar triste e perdido se lançou dum desfiladeiro sem precedentes. encontraram na queda além de muito sangue, um bilhete em branco. Disseram que seria uma carta de amor, e toda aquela gente se aglomerando, e todas aquelas vozes, todos aqueles sapatos sujos de sangue e terra de cemitério. Disseram que era uma carta de amor. Romantismo fora de questão. Só o pavor da queda em altura. Alguém que morreu veio pedir conta.. Querem que você dê uma de que não foi com você.


ela sorriu no canto da boca. esquerdo.


aprendeu a lidar com desprezo e indiferença.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

dreams




só faço o que posso, justifico a insônia contando quantos passos preciso pra atravessar uma Avenida movimentada. Quando o sol se revela no dia, clareia alma, pensamento, gesto.


Tenho uma superfície madrepérola, janela da lua.




Uma vez conheci um cara nordestino, que respondia por Ceará, apelidado carinhosamente por seus colegas de trabalho. Vinha do árido sertão, contou com uma emoção que não sei definir e aquele sotaque original, tipo num flash de filme, quando ligou pra sua mãe pela primeira vez depois de sumir de casa (nas suas contas faziam sete dias):




-Mãe! Alô mãe!




-Meu filho! Onde cê tá, meu filho?




-Mãe, eu tô em Anchieta, ES.




-meu filho, vem almoçar! a comida tá pronta, cê tá bem?




(acho que ele quase chorou)




-ôh mãe, num vai dar pra ir almuçá não, eu tô longe demais mãe. É outro estado.




ele me contou que depois que saiu nunca mais voltou praquele lugar, nem tinha vontade de voltar, saiu de lá na cara e na coragem. esse cara fez acontecer, nisso ganhou minha admiração.




é só isso que eu tinha pra falar.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

já faz uns 4 dias que não durmo em casa. ando movida a gasolina, com aquela mesma idéia assassina na cabeça. perdi a paciência com psicologismos de merda pra aceitar o outro.
não durmi o suficiente. desculpem a frieza. se de lá pra cá a sorte que me escapa sempre, der um sorriso, quem sabe...

passou uma ambulância, era tarde, aquele velhinho que estava podando a árvore deu seu último suspiro num infarte. humanos estão suscetíveis à morte.

uns toques fúnebres. morte pública. aglomeração de curiosos. não tem graça continuar escrevendo. alguém que eu nem sei o nome acaba de morrer caído de uma árvore, a uns 100 metros daqui.


tenho medo.